Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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setembro 30, 2010

30/09/2010 12h27 - Atualizado em 30/09/2010 13h43 Protesto de policiais e militares fecha aeroporto da capital do Equador

do G1
O aeroporto internacional de Quito, capital do Equador, fechou nesta quinta-feira (30), durante protestos das forças de segurança por cortes de benefícios.
O clima é tenso, com protestos de militares em pelo menos três cidades: Quito, Guayaquil e Cuenca. Testemunhas citadas pela agência Reuters afirmam que o comércio e escolas estão fechados e há saques em Quito e Guayaquil.
Imagem de TV mostra o presidente do Equador, Rafael Correa, discursando nesta quinta-feira (30) em instalações do Exército em Quito.Imagem de TV mostra o presidente do Equador, Rafael Correa, discursando nesta quinta-feira (30) em instalações do Exército em Quito. (Foto: Reuters)


Usando máscara de gás, Correa deixa o regimento em Quito nesta quinta (30).Usando máscara de gás, Correa deixa o regimento em Quito nesta quinta (30). (Foto: AFP)

Centenas de policias e militares foram às ruas em Quito e Guayaquil protestar contra proposta de legislação, feita pelo presidente Rafael Correa, que reduziria seus ganhos, tirando bônus e incentivos.
Eles queimaram pneus, ocuparam instalações militares e chegaram a fechar acessos às duas cidades.
Correa
Em clima tenso, o presidente Correa discursou em um quartel do Exército em Quito e disse que não cederia.
"Não darei nenhum passo atrás. Se quiserem, tomem os quarteis, se quiserem deixar a cidadania indefesa e se quiserem trair sua missão de policiais", afirmou Correa em uma acalorado discurso ante dezenas de militares que tomaram o principal regimento de Quito.
"Se quiserem matar o presidente, aqui estou, matem-no se tiverem vontade, matem-no se tiverem poder, matem-no se tiverem coragem ao invés de fiar covardemente escondido na multidão", disse. "Se quiserem destruir a pátria, aí está! Mas o presidente não dará nem um passo atrás."
Correa teve de usar máscara de gás para deixar o lugar, segundo relatos de testemunhas.
Comando promete lealdade
O principal comandante militar do Equador, general Ernesto González, afirmou que os soldados seguem leais a Correa.
"Nós estamos sob o estado de direito, estamos subordinados à máxima autoridade que é o senhor presidente da República", disse em entrevista na cidade de Cuenca.
Ele disse que iria tomar as medidas necessárias para restabelecer a ordem.
O ministro de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, disse que não há protestos populares, mas que os atos da polícia são "inaceitáveis e intoleráveis".
O ministro coordenador de Segurança Interna e Externa, Miguel Carvajar, disse que o país está em situação "delicada" e enfrentando um processo de "desestabilização do governo e da democracia".
Aeroporto
Cerca de 500 policiais e militares teriam tomado a pista do aeroporto, segundo a rádio pública do Equador.
"Cerca de 150 efetivos da Força Aérea Equatoriana tomaram a pista do aeroporto Marechal Sucre e também a rua na entrada", afirmou à rádio Quito o porta-voz da empresa administradora Quiport, Luis Galárraga. Ele acrescentou que o pessoal está formado em ambas as pistas e que, por motivos de segurança, é impossível dar prosseguimento às operações.
Impasse
Os protestos militares ocorrem ao mesmo tempo que o país enfrenta um impasse entre Correa e congressistas do seu próprio partido.
Mais de metade dos 124 parlamentares são oficialmente do bloco de Correa, mas o presidente teria entrado em atrito com eles porque eles não teriam concordado com propostas de austeridade e para reduzir a burocracia estatal.
Correa estaria considerando dissolver o Parlamento, para governar por decreto até a convocação de novas eleições, segundo a ministra Doris Solis.
A dissolução da Assembleia é uma possibilidade prevista na Constituição aprovada em 2008, que permite ao presidente adotar a medida e convocar eleições imediatas para a escolha de novas autoridades legislativas e um novo presidente. Ela precisaria ser aprovada pelo tribunal constitucional.
Solís acrescentou que a decisão final dependerá de uma reunião convocada pela Assembleia Nacional para reconsiderar a votação sobre reformas legais que visam reduzir as dimensões da máquina pública.
"Estávamos avaliando. Ainda não foi tomada uma decisão. Nossa bancada tem a obrigação de ser coerente com o projeto. Desta maneira não é possível fazer política, e menos ainda um projeto de transformações", disse a ministra, depois de uma reunião com o presidente, parlamentares e funcionários do governo.

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