Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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outubro 12, 2007

Mídia sem controle

O ataque da mídia sobre Renan tem como objetivo desviar a atenção da sociedade sobre o mensalão mineiro, posto que envolve o governador Aécio Neves, futuro candidato à presidência nas eleições de 2010. É visível o casamento inseparável da mídia com o PSDB, DEM, pois o silêncio é geral quando envolve Estados e Municípios administrados por esses partidos. É mensalão Mineiro, É metrô em São Paulo, é merenda escolar... o silêncio é geral.
O governo precisa abrir as telecomunicações a grupos alternativos, partidos, sindicatos... democratizar o debate ideológico posto na sociedade.

Um comentário:

Valmir Trentini disse...

A propóposito, abaixo texto extraído do sitio www.historianet.com.br, cumprimentando-o pela lucidez de sempre:

Che Guevara
Uma aula de história deve servir para desconstruir mitos.
Claudio Recco

Um mito se descontrói com uma grande reflexão sobre seu papel na história, percebendo o contexto em que viveu e qual importância teve para as principais transformações que ocorreram em sua época.
Um mito se desconstrói analisando as condições objetivas em que suas ações ocorreram, compreendendo as forças sociais e políticas que existiam em dado momento, assim como os interesses econômicos envolvidos.

A discussão sobre um mito torna uma aula de história significativa, pois implica reflexão e não apenas fazer uma lista de grandes realizações de um “grande homem”. Os alunos se envolvem com uma discussão sobre a “importância de Napoleão” e apenas decoram uma aula com as “realizações de Napoleão”.

A matéria da revista Veja sobre Che Guevara é uma das peças mais retrógradas que podemos ver na imprensa nos últimos tempos, não pela opinião dos autores sobre o comunismo ou sobre Che, os medíocres autores podem ter a opinião que quiserem sobre qualquer coisa, mas daí a achar que todos os brasileiros devem ter a mesma opinião...

Nesta semana ouvi.. “todos sabem que Veja é uma revista fascista...”.
Não, as pessoas em geral não sabem.
Não sabem, e muitos acreditam nas “informações produzidas” pela revista.

A revista conseguiu – mais uma vez – dar uma lição de péssimo jornalismo, com a falta de ética básica para uma reportagem e contribuiu para reforçar os problemas do ensino da história no país.
Será que “liberdade de imprensa” significa: “eu tenho o direito de escrever qualquer coisa, sobre qualquer assunto” ???

Afinal, um mito se descontrói com análise e reflexão, coisa que os jornalistas da Veja não tiveram capacidade de fazer.
Para os críticos da revista, nenhuma novidade; para seus leitores assíduos e defensores intransigentes, um atestado de alienação, pois passaram a semana vomitando os argumentos lidos, sem a capacidade crítica de pensarem por si só.

Não é de hoje que parcela significativa da “grande imprensa” (sic) aposta da despolitização e na alienação de amplos setores da sociedade. Porque uma revista deveria contribuir para o povo refletir?, Não, é mais interessante contar a verdade pronta, para que as pessoas apenas repitam.
Ao voltarmos para as salas de aula, podemos resgatar com nossos alunos o papel do jornal O Estado de S Paulo na República Velha, ou da Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda para a crise do populismo e ainda sua importância para o golpe militar de 64

Claudio Recco é coordenador do HISTORIANET

Ilha das flores