Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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dezembro 27, 2014

MST


No mês de novembro, na localidade de Lageadinho, município de Cacique Doble (RS), várias famílias vizinhas à uma área de terras onde eles foram utilizados, sofreram os danosos efeitos dos venenos conhecidos como 2,4-D e Paraquat.

MST

Desde 1995, foi gasto US $ 253,7 bilhões em grande parte para subsidiar apenas 4 culturas – soja, trigo, algodão e milho. Milho Transgênico detona todos os subsídios para outras colheitas

E se em vez de Maria do Rosário Bolsonaro tivesse mexido com Luciana Genro?

Postado em 20 dez 2014
por :  - DCM
Uma das melhores cenas da campanha presidencial
Uma das melhores cenas da campanha presidencial
Desde que vi a cena em que Bolsonaro agride pela primeira vez a deputada Maria do Rosário, há dez anos, fiquei pensando numa coisa.
Que pena que, em vez de Maria do Rosário, Bolsonaro não encontrou pela frente Luciana Genro.
Ali o Brasil poderia ter se livrado de Bolsonaro.
Recapitulemos o episódio.
Bolsonaro e Maria do Rosário discutem na Câmara dos Deputados. Bolsonaro torce, aos berros, uma fala de Maria do Rosário.
“Você está me chamando de estuprador?”
Não, ela não estava. Bolsonaro estava manipulando o que ela dissera para poder responder com a costumeira violência que reserva, até onde se sabe, aos mais fracos fisicamente.
Acuada e surpresa, ela diz que sim, mas ela estava claramente dizendo não que ele fosse estuprador, mas que promovia violência.
Ele diz então a frase que repetiria agora, aquela segundo a qual não estuprava Maria do Rosário porque ela não merecia.
Desesperada, humilhada, e sem que ninguém ao redor a defendesse, ela faz um movimento e Bolsonaro supostamente interpreta que um tapa podia estar a caminho.
Este é o momento chave, em que eu daria tudo para que a mulher da história fosse Luciana Genro e não a frágil Maria do Rosário.
O valentão diz que se ela desse um tapa levaria outro.
Nesta mesma situação, coloque Luciana Genro. Todos lembramos de uma das melhores passagens da campanha eleitoral, quando Luciana Genro mandou Aécio ao vivo, diante de milhões de pessoas, retirar imediatamente o dedo que apontara para ela.
Aécio obedeceu na hora.
Provavelmente, caso fosse Luciana Genro e não Maria do Rosário, Bolsonaro não terminasse sua ameaça de revide e já estaria com a face vermelha pela bofetada de Luciana Genro.
O que ele faria depois? Bateria nela? Se sim, sua carreira se encerraria ali. Se não, sua pseudovalentia ficaria desmascarada, e ele acabaria ali da mesma maneira.
Existe, é verdade, uma outra hipótese. É a seguinte: valentões como Bolsonaro escolhem bem suas presas. Dentro dessa hipótese, ele jamais se atreveria a mexer com Luciana Genro.
Isso quer dizer que a cena imaginária não se realizaria jamais, porque Bolsonaro guardaria sempre uma distância prudente, e sob muitos aspectos covarde, de Luciana Genro.
Mas que nos seja permitido sonhar com um duelo entre Bolsonaro e Luciana Genro.
Tivemos a sorte de ver a que foi reduzida a petulância de Aécio quando, com seu machismo tonitruante, achou que poderia ir para cima de Luciana Genro.
Não tivemos a sorte de ver Bolsonaro testando sua “coragem” com Luciana Genro.
Mas pelo menos podemos construir a cena em nossa mente, incluído o som da bofetada justa e instantânea.
E é uma imagem simplesmente deliciosa, para a qual cabe a grande frase do poeta: aquilo que poderia ter sido e que não foi.

A pessoa mais quente do ano

Um dos melhores momentos da campanha
Postado em 27 dez 2014
A Time tem uma lista mundialmente conhecida das 100 pessoas mais influentes. E tem também a Pessoa do Ano.
Mas o colunista achou que havia uma lacuna, e a preencheu: a pessoa “mais quente”, ou “mais interessante”, do ano. “The coolest person”.
O vencedor foi Matthew McConaughey, da série True Detective.
E no Brasil, quem seria “the coolest person” de 2014?
Foi um ano eleitoral. Estamos elegendo, quer dizer, você está elegendo no nosso site “A Pessoa do Ano” e, também, “O Pior do Ano”.
Na minha avaliação, as urnas falarão mais alto na definição da “Pessoa do Ano”. As votações ainda estão aberta, e veremos se acertarei ou não.
Mas a “pessoa mais quente” foi, para mim, Luciana Genro.
Ela surgiu do nada, e incendiou a campanha eleitoral com suas intervenções desconcertantes e ousadas, embaladas numa cabeleira cacheada e proferidas num carregado sotaque gaúcho.
Quem não se lembra da enquadrada que ela deu em Aécio quando este ousou apontar o dedo para ela?
E da forma como ela se referiu à índole privatizante de Aécio? “É tão fanático por privatização que privatizou um aeroporto nas terras da família e entregou a chave a um tio.”
Tudo que a mídia escondeu sobre o aeroporto de Cláudio – ainda hoje jamais explicado decentemente porque simplesmente não existe explicação decente – Luciana Genro escancarou numa frase aos brasileiros.
Quando Aécio quis diminuí-la como “linha auxiliar” do PT, a resposta virou meme na internet: “Linha auxiliar uma ova!”.
Também ficou marcada a maneira como ela se dirigiu a Pastor Everaldo. “Posso chamá-lo de Everaldo? Não gosto de misturar política e religião.”
Quando Aécio começou a usar a velha cantilena direitista de corrupção, ela falou: “É o roto falando do sujo.”
E lembrou coisas como a compra de votos no Congresso para a reeleição de FHC.
Fora dos debates, ela levou o mesmo espírito inquieto. Quando Danilo Gentili entrou num discurso desgovernado sobre a esquerda na história, ela o mandou estudar.
Ao longo de toda a campanha, ela jamais fugiu das perguntas para responder o que não lhe foi perguntado – num contraste expressivo com seus oponentes.
Ela teve tempo mínimo no programa eleitoral gratuito, e mesmo assim terminou em quarto lugar na campanha, com 1,6 milhão de votos.
É um número inferior ao real: muitas pessoas optaram por Dilma por uma questão de voto útil.
Passadas as eleições, ela tem viajado o Brasil e ido a universidades levar sua pregação do que classifica como a “esquerda coerente”.
Com seu PSOL, Luciana Genro quer preencher um espaço que foi, no passado, do PT: o da esquerda inquisidora.
Se vai conseguir ou não, só saberemos com o correr dos dias.
Mas que ela sabe exatamente o que pretende, disso não há dúvida. Luciana Genro quer que o PSOL seja a versão brasileira do espanhol Podemos, um fenômeno de esquerda destes tempos.
Pela descarga de sinceridade, inteligência, charme e renovação na campanha presidencial brasileira, Luciana Genro é, na minha avaliação, a Pessoa Mais Quente de 2014.

novembro 22, 2014

MST

Agronegócio
Homenagem
Direitos Humanos
Acampamento
Economia Política
Meio Ambiente
Agrotóxicos
Goiás

DCM: 'A sinceridade de Semler versus a hipocrisia de FHC'

:
Apesar de não ter citado o ex-presidente, "ficou claro" que o empresário falava do tucano ao se referir com desgosto aos 'envergonhados', que fingem que os problemas da Petrobras só aconteceram depois que o PT chegou ao poder, afirma Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo; "Vergonha é uma pessoa dizer que sente vergonha de algo de que ela mesma se beneficiou. A este tipo de coisa, indignação simulada, você dá o nome de demagogia", diz o jornalista.
Do Brasil247

HOMEM DE US$ 100 MI ROUBA DESDE O INÍCIO DA ERA FHC


Em sua delação premiada, o ex-gerente Pedro Barusco, que irá devolver R$ 252 milhões às autoridades, disse que começou a receber propinas em 1996, segundo ano do governo FHC, que se disse "envergonhado pelo que fizeram na Petrobras"; Barusco negou que recebesse propinas partidárias; "essa era a parte da casa", disse; confissão enfraquece estratégia tucana de associar escândalo ao PT; ele também disse que contratava sem licitação, o que foi permitido por uma lei do ex-presidente tucano; recentemente, tentou favorecer a Odebrecht.
Do Brasil247 

novembro 18, 2014

Sabesp não tinha dinheiro para investir, mas doou meio milhão para FHC

1 de novembro de 2014 | 15:02 Autor: Miguel do Rosário
O PIG psdb seca em são paulo alckmin
Não é justo culpar São Pedro.
Todo mundo sabe, ou deveria saber, o que aconteceu com a Sabesp nos últimos tempos.
A estatal que cuida da água no estado mais rico foi saqueada pelos tucanos desde que entraram no governo. Era usada para comprar a mídia, por exemplo. A empresa anunciava em canais de TV do Brasil inteiro, embora apenas oferecesse serviços em São Paulo.
Era usada para fazer doações para amigos, como ocorreu em 2006, quando doou meio milhão de reais para o Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Era usada para distribuição de dividendos aos acionistas, muitos deles em Nova York.
Só não era usada para uma coisa: fazer os investimentos necessários em infra-estrutura hídrica, sobretudo interligando o sistema de distribuição de água do estado de São Paulo.
Os tucanos passaram tantos anos falando em “choque de gestão” e “competência”, e agora o Brasil inteiro irá sofrer as consequências de um choque sim, mas de incompetência absoluta, porque a interrupção em indústrias e campos agrícolas no estado, por falta de água, refletir-se-á na economia nacional como um todo.
Do site: tijolaço

Merval dá o roteiro do golpe e pisca para Temer

:
Porta-voz informal das Organizações Globo, o colunista Merval Pereira publica nesta terça um artigo que serve como roteiro de eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff; a última frase é quase uma tentativa de sedução ao PMDB; segundo Merval, "se a acusação contra a presidente for por crime de responsabilidade pela sua atuação no caso da Petrobras, apenas ela será impedida, podendo assumir o vice-presidente Michel Temer"; no fim de semana, ao pregar o "golpe democrático", o colunista Ferreira Gullar falou da necessidade de cooptar forças políticas ainda ligadas ao petismo para "salvar a democracia"; é o mesmo argumento que o Globo usou em 1964 para defender a ditadura militar.
Do site: Brasil247

Racha na Globo: Noblat rechaça golpe de Merval

:
"Goste-se ou não, Dilma foi legitimamente reeleita. Derrotou Aécio Neves por uma diferença superior a três milhões de votos.  O próprio Aécio telefonou para ela parabenizando-a. Não se pode impedir ninguém de pregar o impeachment.  Nem mesmo de pregar um golpe militar. O extraordinário da democracia é que ela garante a liberdade até mesmo dos que se opõem a ela. Mas quem tenha o mínimo de responsabilidade política e social não pode ouvir calado os que incitam ao ódio e à quebra da legalidade", disse Ricardo Noblat; ouviu Merval?
Do site: Brasil247

MP: CARTEL DE EMPREITEIRAS OPERA DESDE A PETROBRAX

Ao pedir o bloqueio dos recursos das empreiteiras atingidas pela Operação Lava Jato, os procuradores do Ministério Público afirmaram que o cartel das construtoras frauda licitações na Petrobras há pelo menos 15 anos, ou seja, desde o tempo em que ela era comandada por Henri Philippe Reichstul, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo; Reichstul se notabilizou por tentar mudar o nome da estatal para Petrobrax e por trocar ativos com a espanhola Repsol, numa transação que vem sendo questionada na Justiça por prejuízos bilionários; notícia foi escondida na mídia tradicional, para você não ler; 
Leia mais em Brasil247

fevereiro 13, 2014

Em reunião com Dilma, MST recoloca a pauta da Reforma Agrária no governo

13 de fevereiro de 2014


Por Luiz Felipe Albuquerque
Da Página do MST

“Aqui está o que consideramos a vida, representada nos nossos alimentos, sementes, poemas, artesanatos e nossos símbolos”, disse a dirigente do MST Atiliana Brunetto, ao entregar a cesta de produtos do MST à presidenta Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (13/02).
Desde o início do governo Dilma, há três anos, que o MST exige uma reunião com a presidenta para cobrar a realização da Reforma Agrária e mostrar os problemas latentes do campo brasileiro.
Mas apenas depois da luta e da pressão social exercida pelos Sem Terra na tarde desta quarta-feira (12/02), em Brasília, que a presidenta finalmente decidiu ouvir as demandas do Movimento, que apresentou seus problemas mais emergenciais neste último ano de mandato.
Na avaliação dos Sem Terra, grande parte da energia gasta nas lutas nos últimos três anos serviram apenas para que o atual governo não retrocedesse nas conquistas da última década.
“Toda nossa proposta de Reforma Agrária ficou no meio da estrada. Isso criou uma insatisfação muito grande por parte dos Sem Terra”, disse Jaime Amorim, da coordenação nacional do MST, à presidenta.
Durante a reunião, os Sem Terra levaram uma série de demandas à mesa em torno das questões referentes aos problemas das famílias acampadas e assentadas em todo o Brasil.
“Passem tudo o que puderem passar de informações para nós do que está errado que faremos as mudanças”, se comprometeu a presidenta ao ouvir as demandas e dizer que é preciso listar e fazer o que é urgente.
Dentre os pontos, Jaime relembrou a discussão em torno do índice de improdutividade, que se iniciou desde o começo do governo Lula. “O governo tem que criar as condições e enfrentar o problema”, cobrou o dirigente, ao afirmar que é preciso enfrentar as forças mais conservadoras que compõem a gestão da presidência. 
Lançada no final do ano passado, a Medida Provisória da Reforma Agrária previa a possibilidade das famílias assentadas venderem seus lotes, o que permitiria uma regressão das conquistas da Reforma Agrária e uma reconcentração da terra no país.
Segundo Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, o agronegócio também vislumbra as terras das famílias assentadas e estão dispostos a oferecer muito dinheiro para conquistarem essas áreas.
“Isso pode estimular a venda, o que desmoralizaria o governo e a própria Reforma Agrária”, destacou, ao apontar que seria um retrocesso das conquistas e um aumento da concentração de terra no país.
“Concordo que não tem cabimento conceder na perspectiva da venda”, disse Dilma, ao ponderar que é importante que as famílias sintam que a terra lhes pertence, pois aumenta a “autoestima”.
Nesse sentido, a presidenta concordou em defender a proposta do Movimento, que prevê o título de concessão de uso da terra, o direito à herança, mas que a venda seja proibida.
Desapropriação de novas áreas
Durante o governo Dilma, pouco mais de 76 mil famílias foram assentadas, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A maioria desses números, entretanto, se refere à regularização fundiária na Amazônia, e não decretos de desapropriação de novas áreas.
“Todo ano tem luta. Fazemos as jornadas de abril, agosto, outubro. O governo faz a promessa mas nada acontece. Os técnicos do Incra falam que a Reforma Agrária não é a prioridade da presidenta”, disse Amorim.
Nessa linha, os Sem Terra apontaram a necessidade de criar uma interministerial para agilizar e resolver os problemas dos acampados. “O Incra está desestruturado e sem ingerência, e está sendo conduzido de uma maneira conservadora”, apontou Jaime, ao colocar a prioridade em construir uma meta emergencial para resolver os problemas das áreas que estão com maiores conflitos.
Há tempos que servidores do Incra relatam para o governo federal um déficit na sua capacidade operacional e uma desvalorização do corpo técnico. Desde 2006, cerca de 40% dos servidores saíram do órgão e mais de 2000 pessoas se aposentaram, diminuindo a capacidade operacional em mais de 50%. 
Perímetros Irrigados
No objetivo de solucionar parte dos problemas das famílias acampadas, que em todo o país somam cerca de 150 mil, os Sem Terra expuseram a problemática em torno das áreas de perímetro irrigado no nordeste brasileiro.
Destas 150 mil famílias que esperam por um pedaço de terra, em torno de 60% estão concentradas no nordeste. Em paralelo a isso, há 80 mil lotes vagos nas áreas de perímetro irrigado, o que possibilitaria assentar todas as famílias da região. 
As políticas desenvolvidas nessas áreas, no entanto, priorizam as parcerias com empresas privadas em detrimento de resolver os problemas sociais da região. “As Parcerias Público Privadas são uma afronta ao desenvolvimento regional. É preciso construir um plano de recuperação para resolver o problema da terra no nordeste”, enfatizou Amorim.
O Departamento de Obras Contra a Seca (Dnocs), órgão responsável pelo controle dessas áreas, é apontado pelos movimentos sociais como um reduto da oligarquia local, impedindo que políticas de caráter mais social possam ser desenvolvidas. “É preciso romper com esse órgão e passar a responsabilidade para o Incra”, disse João Pedro Stedile.
“Vou olhar pessoalmente a questão dos perímetros irrigados”, garantiu a presidenta.
Seca 
Em 2012, parte da população nordestina viveu a pior seca dos últimos 50 anos, gerando diversas dificuldades sociais e econômicas na região. Quatro milhões de animais morreram na estiagem, quando mais de 1200 municípios decretaram emergência. 
 “A pior seca é aquela que a gente vive”, lembrou Débora ao denunciar que “muitas políticas do governo, como água, crédito, carro pipa não estão chegando aos assentados”.
“A seca não é uma maldição divina, temos que controlá-la, e não brigar contra ela. Listemos e façamos o que é urgente”, respondeu a presidenta, ao apontar diversas medidas emergenciais construídas nos últimos anos para solucionar esse problema.
Por outro lado, Débora alegou uma série de burocracias para acessar os créditos referentes a essas políticas. 
PAA
Reconhecida pelas organizações como uma política importante que garante aos assentados a venda de sua produção, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) precisa ter seu orçamento aumentado, segundo os Sem Terra.
“O volume de dinheiro hoje do PAA atinge apenas 5% das famílias assentadas. É urgente e necessário colocar mais dinheiro na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para potencializar e massificar a produção”, cobrou Stedile, que foi respondido com o comprometimento de Dilma em determinar que o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) disponha mais recursos para ampliar a ação desses programas.
Para Débora Nunes, a luta e o congresso realizado pelos Sem Terra ao longo dessa semana permitiu recolocar a pauta da Reforma Agrária no governo e na sociedade. “Pudemos denunciar os problemas e mostrar a necessidade de soluções emergenciais. Mas seguiremos nos mobilizando para pressionar que essas promessas tenham respostas rápidas e reais”, afirmou.

fevereiro 12, 2014

Pátria Latina











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Marina dos Santos: Os Sem Terra de ontem, de hoje e de amanhã

11 de fevereiro de 2014
Por Marina dos Santos*
Da Carta Capital
Assim como muitas ocupações de terras, o Movimento Sem Terra nasceu ao final de uma longa noite escura. A alvorada das greves operárias, da campanha pela Anistia geral e irrestrita, os novos movimentos sociais urbanos e as Diretas-Já que encerravam a ditadura militar, permitiu também a retomada da luta pela terra e pela reforma agrária no Brasil.
Eram posseiros, trabalhadores atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores. Trabalhadores rurais sem terra, sem o direito de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autoritário para o campo, que anunciava a “modernização” – quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrotóxicos e a mecanização –, baseados em fartos (e exclusivos ao latifúndio) créditos rurais; ao mesmo tempo em que ampliavam o controle da agricultura nas mãos de grandes conglomerados agroindustriais. Destas contradições e dos 500 anos de uma sociedade baseada no latifúndio é que fundamos, em 1984, um movimento social autônomo, que lutasse pela terra, pela reforma agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país.
Agora, aos 30 anos, nos tornamos o mais longevo movimento social camponês da história do Brasil. Isto por si só já seria um feito: resistir a décadas do poder econômico e político do latifúndio, que se estende da bancada ruralista na capital federal à pistolagem nos municípios, e sobreviver à cumplicidade escancarada dos meios de comunicação com a forma mais arcaica de poder em nosso país.
Mas há outros méritos que enaltecem nossa resistência: em três décadas, conquistamos a terra para mais de 350 mil famílias. Terra liberta do latifúndio e que estimulou o desenvolvimento local. Em cada latifúndio, onde viviam poucas pessoas, agora vivem 100, 200, 300, com a dignidade que antes lhes era negada.
Com isso, novas formas de organização e de lutas são demandadas, como nas mais de 400 associações e cooperativas que trabalham de forma coletiva para produzir alimentos sem transgênicos e sem agrotóxicos. Ou nas 96 agroindústrias que melhoram a renda e as condições do trabalho no campo, oferecendo alimentos de qualidade e baixo preço na cidade. Para se ter um exemplo, pouco mais de mil famílias assentadas na região de Porto Alegre (RS) são responsáveis pela alimentação de mais de 40 mil pessoas diariamente, por meio de programas de Alimentação Escolar e Aquisição de Alimentos.
Outras conquistas, entretanto, não podem ser medidas em números. Num país onde o campo sempre foi relegado ao atraso, à pobreza material, estética e intelectual, nos orgulhamos de termos formados mais do que “pequenos proprietários de terra”: nossa luta formou homens e mulheres, que reconquistaram a própria cidadania como sujeitos de sua história e não como subalternos.
Este nosso compromisso com a formação humana se expressa nas mais de 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos que garantem o acesso à educação a mais de 160 mil crianças e adolescentes sem terras, além dos 50 mil adultos e jovens alfabetizados nos últimos anos. Sem falar nos mais de 100 cursos de graduação em parceria com universidades por todo o Brasil.
Está expresso em nosso orgulho em dizer que nenhuma criança passa fome nos assentamentos de reforma agrária.
Se já fizemos muito, outros desafios que sequer sonhávamos se colocam à nossa frente. A agricultura sofreu mudanças drásticas com as políticas neoliberais nos anos 90. Os mecanismos do Estado para agricultura foram sendo desmantelados um a um: o controle dos preços, o abastecimento, a pesquisa, a assistência técnica. Se antes eles eram acessíveis a poucos, hoje sequer existem. O neoliberalismo na agricultura foi abrindo caminho para que poucas empresas estrangeiras passassem a controlar nossa agricultura, desde as sementes à comercialização. Incorporaram terras, agroindústrias, supermercados. Definem preços de alimentos nas bolsas de valores e revertem nosso país novamente numa grande colônia.
No lugar de alimentos, ocupam as terras com cana para se tornar combustível nos Estados Unidos, a soja em ração de animais na Europa e a celulose em papel para o mundo inteiro. As monoculturas tomam e redividem nosso território, inflam o preço da terra, reduzem a produção de alimentos e geram uma grande crise mundial de alimentação.
Dessa maneira, para que uma verdadeira reforma agrária seja realizada em nosso país é preciso enfrentar o agronegócio e os interesses do capital internacional. Porém, se o latifúndio mudou sua natureza, associando-se ao capital financeiro internacional, muda também a natureza da luta pela terra e pela reforma agrária. Precisamos defender um novo projeto de reforma agrá­ria, que seja popular. Não basta ser uma reforma agrária clás­sica, que apenas divida a propriedade da terra e integre os camponeses como fornecedores de matérias-primas e alimen­tos para a sociedade urbano-industrial.
A luta pela reforma agrária implica em enfrentarmos o capital e seu modelo de agricultura, disputar terras e território, bem como o controle das sementes, da agroindústria, da tecnologia, dos bens da natureza, da biodiversidade, das águas e das florestas.
Portanto, a reforma agrária popular que defendemos baseia-se na defesa da soberania, no respeito e no combate à mercantilização dos bens da natureza e na produção de alimentos saudáveis à população. Por isso, deve ser fruto de uma aliança entre camponeses, trabalhadores urbanos e rurais, que precisam acumular força para produzir as mudanças necessárias no campo e no conjunto da sociedade brasileira.
Tudo isto só é possível com uma das características que o Movimento guarda desde seus princípios: a luta! E é desta forma que, em torno do nosso 6° Congresso, o MST reafirma sua linha política para o próximo período: “Lutar, construir Reforma Agrária Popular”!
Completar 30 anos e se tornar o mais antigo movimento camponês do país, organizado em 24 estados, traz consigo alguns significados: reafirmar os valores de solidariedade; o compromisso com uma sociedade mais justa e igualitária; manter aceso o legado de milhares de lutadores e lutadoras do povo; exercer cotidianamente a capacidade de se indignar e agir para transformar; não perder o valor do estudo e aprender sempre. E, fundamentalmente, reafirmar nosso compromisso em organizar os pobres do campo.
*Marina dos Santos é integrante da coordenação Nacional do MST

fevereiro 11, 2014

Mística de abertura resgata a história de 30 anos do MST

10 de fevereiro de 2014
Por Pedro Rafael Ferreira
Fotos de Leonardo Melgarejo

Uma história que não cabe num livro. A não ser que esse livro seja tão grande quanto os sujeitos que sabem escrever sua própria história. E das páginas gigantes de um livro, abertas diante de 15 mil pessoas, saltaram lembranças de uma trajetória singular de luta política e social no Brasil.

Começou oficialmente, nesta manhã de segunda-feira (10/02), o VI Congresso Nacional do MST.
A mística de abertura, sempre um momento muito aguardado pela carga de energia que libera, emocionou as milhares de pessoas que lotaram o ginásio Nilson Nelson, em Brasília.
Homens, mulheres, jovens e crianças, oriundos de 23 estados e o Distrito Federal, mais de 200 convidados internacionais, assistiram ao povo virar as páginas de um processo de rara importância histórica.
Organizada pela coordenação estadual do MST do Paraná, um berço histórico do movimento, a mística envolveu mais de 1.500 participantes e foi dividida em cinco atos. Cada ato era anunciado pela página de um enorme livro, de aproximadamente quatro metros de altura, cujas páginas só eram viradas por meio do esforço coletivo.  
Da repressão militar à organização no campo
A história é contada a partir da década 1980, quando o governo militar, nos seus estertores, ainda tenta infligir o povo. Operários e trabalhadores urbanos, indígenas e camponeses sem-terra, no campo e na cidade eclodem em novas organizações. O Estado repressor, com seus militares, do outro lado, tentam se impor. O povo é mais forte, expulsa as forças armadas do poder.
A população do campo volta a se organizar. Nasce o MST, em 1984. Corpos pintados, agora os sujeitos da história escrevem, eles próprios, o seu destino. Sob o lema: “ocupar, resistir e produzir”, os trabalhadores sem-terra passam a romper, literalmente, por meio das ocupações de terra, a cerca do latifúndio. A luta pela reforma agrária é retomada com muita força na agenda política do país.
O MST inaugura uma forma de organização de caráter popular, baseada em quatro pilares fundamentais: direção coletiva, unidade, vínculo com a base e estudo e trabalho. Essa configuração torna o movimento uma referência de luta política. Destemidos, mas temidos pelas forças dominantes.
Luta e resistência
As ocupações de terra, gesto político e ação transformadora. O poder econômico não podia tolerar e a resistência física irrompe por todo o país. Rajadas de metralhadora atingem corações, mas o povo junto sempre de pé: “nossos nervos são de gelo, mas nossos corações vomitam fogo.
Os companheiros que morreram no sangue seguem eternos na lembrança”. Como esquecer os massacres de Carajás, Corumbiara e Felisburgo, ou a luta de companheiros e companheiras como Roseli Nunes, Dorcelina Folador, Fusquinha, Keno, Cícero, Egídio Bruneto e muitos outros e outras...
Solidariedade
A presença de mais de 200 convidados internacionais é um indicativo do apoio, prestígio e, principalmente, solidariedade que o MST desperta em várias partes do mundo, mas também entre outras organizações populares do país. Bandeiras dos países latinoamericanos, africanos, europeus, os povos camponeses articulados em torno da Via Campesina.
O MST reafirma sua luta e vocação internacionalistas como página fundamental de sua história. “A solidariedade é o cimento da construção do nosso movimento, estabelecida com outros povos do Brasil e do mundo. Precisamos dela para enfrentar o capital transnacional do agronegócio e lutar por outro modelo de agricultura”, afirmou na saudação do congresso Diego Moreira, membro da direção nacional do movimento.
Na verdade, o encontro que vai até sexta-feira (14/02), começou mesmo há pelo menos dois anos, com discussões e reflexões que conduziram o principal movimento de massas do país a orientar suas forças em favor da reforma agrária popular, tema do último ato da mística. Que esta reforma agrária popular devolva ao povo os bens mais preciosos do planeta, que não pertencem aos indivíduos: a água, o ar, a terra sadia, as sementes, as florestas. Democratizar o acesso à terra, mas transformar o modelo econômico que destrói a terra.
É dessa forma que o MST se olha e renova e amplia os compromissos com a defesa da soberania alimentar, a produção de alimentos saudáveis, a agroecologia, a preservação da natureza, o direito dos povos indígenas e quilombolas. Igualdade entre homens e mulheres, liberdade para a juventude.

Ucrânia e o Renascimento do Fascismo


29 janeiro de 2014, [*] Eric Draitser, Counterpunch
The Menace Across the European Continent
Traduzido por João Aroldo
 
Neofascistas queimam ônibus em Kiev (24/1/2014)
A violência nas ruas da Ucrânia é muito mais do que uma expressão de raiva popular contra o governo. Em vez disso, ela é apenas o mais recente exemplo da ascensão da forma mais insidiosa do fascismo vista na Europa desde a queda do Terceiro Reich.
 
Nos últimos meses houve protestos regulares pela oposição política ucraniana e seus apoiadores - protestos aparentemente em resposta à recusa do presidente ucraniano, Yanukovich, em assinar um acordo comercial com a União Europeia, o que foi visto por muitos observadores políticos como o primeiro passo para a integração europeia. Os protestos permaneceram em grande parte pacíficos até o dia 17 de janeiro, quando manifestantes, armados com porretes, capacetes e bombas improvisadas, desencadearam a violência brutal contra a polícia, atacando prédios do governo, batendo em qualquer pessoa suspeita de simpatias pró-governo e, geralmente, causando estragos nas ruas de Kiev. Mas quem são esses extremistas violentos e qual é a sua ideologia?
 
V. Klitschko, ex-campeão mundial de box, um dos líderes da oposição neofascista ucraniana
A formação política é conhecida como “Pravy Sektor” (Setor Direita), que é essencialmente uma organização guarda-chuva para vários grupos ultranacionalistas (leia-se fascistas) de direita, incluindo os apoiadores do Partido “Svoboda” (Liberdade), “Patriotas da Ucrânia”, “Assembleia Nacional da Ucrânia - Autodefesa Nacional Ucraniana” (UNA-UNSO), e “Trizub”. Todas essas organizações compartilham uma ideologia comum que é veementemente antirussa, anti-imigrantes e antijudaica, entre outras coisas. Além disso, eles compartilham uma reverência comum pela chamada “Organização dos Nacionalistas Ucranianos”, liderada por Stepan Bandera, os infames colaboradores nazistas que lutaram ativamente contra a União Soviética e se envolveram em algumas das piores atrocidades cometidas por qualquer lado na Segunda Guerra Mundial.
 
Enquanto as forças políticas ucranianas, oposição e governo, continuam negociando, uma batalha muito diferente está sendo travada nas ruas. Usando intimidação e força bruta mais típica de “camisas marrons” de Hitler ou “camisas negras” de Mussolini do que de um movimento político contemporâneo, esses grupos conseguiram transformar um conflito sobre a política econômica e as alianças políticas do país em uma luta existencial pela própria sobrevivência da nação que estes assim chamados “nacionalistas” dizem amar tanto. As imagens de Kiev em chamas, ruas de Lviv cheias de bandidos, e outros exemplos assustadores do caos no país, ilustram, sem sombra de dúvida, que a negociação política com a oposição Maidan (praça central de Kiev e centro dos protestos) agora não é mais a questão central. E, ao invés disso, é a questão do fascismo ucraniano e, se é, ele será apoiado ou rejeitado.

Neofascistas constroem barricadas de pneus e veículos incendiados (25/1/2014)
Por sua vez, os Estados Unidos se colocaram fortemente do lado da oposição, independentemente de seu caráter político. No início de dezembro, os membros do establishment dominante dos EUA, como John McCain e Victoria Nuland, foram vistos em Maidan dando seu apoio aos manifestantes. No entanto, como o caráter da oposição tornou-se evidente nos últimos dias, os EUA e a classe dominante ocidental e sua máquina de mídia têm feito pouco para condenar o surto fascista. Em vez disso, seus representantes se reuniram com representantes do Setor Direita e não os consideraram uma “ameaça”. Em outras palavras, os EUA e seus aliados deram a sua aprovação tácita para a continuação e proliferação da violência em nome de seu objetivo final: mudança de regime.
 
Neofascistas preparam coquetéis molotov para enfrentar a polícia
Em uma tentativa de tirar a Ucrânia da esfera de influência russa, a aliança EUA-UE-OTAN, e não pela primeira vez, aliou-se aos fascistas. É claro que, durante décadas, milhões na América Latina desapareceram ou foram assassinados por forças paramilitares fascistas armadas e apoiadas pelos Estados Unidos. Os mujahideen do Afeganistão, que mais tarde se transformaram em Al Qaeda, também reacionários ideológicos radicais, foram criados e financiados pelos Estados Unidos para desestabilizar a Rússia. E, claro, há a realidade dolorosa da Líbia e, mais recentemente, da Síria, onde os Estados Unidos e seus aliados financiam e apoiam jihadistas extremistas contra um governo que se recusou a se alinhar com os EUA e Israel. Há um padrão perturbador aqui que nunca foi perdido pelos observadores políticos mais atentos: os Estados Unidos sempre fazem causa comum com os extremistas de direita e fascistas para ganho geopolítico.
 
A situação na Ucrânia é profundamente preocupante, pois representa uma conflagração política que poderia muito facilmente despedaçar o país menos de 25 anos após a sua independência da União Soviética. No entanto, há outro aspecto igualmente preocupante para a ascensão do fascismo no país – não é só na Ucrânia.
 
A Ameaça Fascista pelo Continente
 
A Ucrânia e a ascensão do extremismo de direita não podem ser vistas, e muito menos entendidas, de forma isolada. Em vez disso, isso deve ser examinado como parte de uma tendência crescente em toda a Europa (e mesmo no mundo) - uma tendência que ameaça os próprios fundamentos da democracia.
 
Passeata do Aurora Dourada (Golden Dawn) em Atenas
Na Grécia, a austeridade selvagem imposta pela troika (FMI, BCE e Comissão Europeia) paralisou a economia do país, levando a uma depressão tão ruim, se não pior, do que a Grande Depressão nos Estados Unidos. É contra esse pano de fundo de um colapso econômico que o partido Aurora Dourada (orig. Gol;den Dawn) cresceu e se tornou o terceiro partido político mais popular do país. Defendendo uma ideologia do ódio, a Aurora Dourada – de fato, um partido nazista que promove chauvinismo antijudaico, anti-imigrantes, antimulheres - é uma força política que o governo em Atenas entendeu como uma séria ameaça para o próprio tecido da sociedade. É essa ameaça que levou o governo a deter a liderança do partido depois de um nazista da Aurora Dourada ter fatalmente esfaqueado um rapper antifascista. Atenas lançou uma investigação sobre o partido, ainda que os resultados desta investigação e julgamento permaneçam pouco claros.
 
O que torna a Aurora Dourada uma ameaça tão insidiosa é o fato de que, apesar de sua ideologia central do nazismo, a sua retórica anti-UE, anti-austeridade atrai a muitos na Grécia economicamente devastada. Tal como aconteceu com muitos movimentos fascistas do século 20, a Aurora Dourada culpa os imigrantes, muçulmanos e africanos, principalmente, por muitos dos problemas enfrentados pelos gregos. Em circunstâncias econômicas terríveis, tal ódio irracional torna-se atraente, uma resposta para a pergunta de como resolver os problemas da sociedade. De fato, apesar dos líderes da Aurora Dourada estarem presos, outros membros do partido ainda estão no parlamento, ainda concorrendo por grandes cargos, incluindo para prefeito de Atenas. Embora uma vitória eleitoral seja improvável, outra forte presença nas urnas vai tornar a erradicação do fascismo na Grécia muito mais difícil.
 
Deputados da Aurora Dourada tomam posse no Parlamento grego em 2012
Se tal fenômeno fosse confinado à Grécia e Ucrânia, não constituiria uma tendência continental. Infelizmente, no entanto, vemos o surgimento de partidos políticos semelhantes, embora ligeiramente menos abertamente fascistas, por toda a Europa. Na Espanha, o Partido Popular pró-austeridade governante transformou-se para estabelecer leis draconianas que restringem a liberdade de expressão e de protesto, e dando poder e sancionando táticas policiais repressivas. Na França, o Partido Frente Nacional, de Marine Le Pen, que culpa veementemente os imigrantes muçulmanos e africanos, ganhou quase vinte por cento dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Da mesma forma, o Partido da Liberdade na Holanda - que promove políticas antimuçulmanos, anti-imigrantes – já é o terceiro maior no parlamento. Por toda a Escandinávia, os partidos nacionalistas, que antes operavam em completa irrelevância e obscuridade, são agora players importantes nas eleições. Estas tendências são preocupantes, para dizer o mínimo.
 
Deve-se notar, também, que, para além da Europa, há uma série de formações políticas quase fascistas que são, de uma forma ou de outra, apoiadas pelos Estados Unidos. Os golpes de direita que derrubaram os governos do Paraguai e Honduras foram tacitamente e/ou abertamente apoiados por Washington em sua busca aparentemente interminável para suprimir a esquerda na América Latina. Claro, deve-se também lembrar que o movimento de protesto na Rússia foi encabeçado por Alexei Navalny e seus seguidores nacionalistas, que defendem uma ideologia racista virulentamente antimuçulmanos que vê os imigrantes do Cáucaso russo e ex-repúblicas soviéticas como abaixo dos “russos europeus”. 

Stepan Bandera
Estes e outros exemplos começam a pintar um retrato muito feio da política externa dos EUA, que tenta usar as dificuldades econômicas e agitação política para expandir a hegemonia dos EUA pelo mundo.

Na Ucrânia, o "Setor Direita" levou a luta da mesa de negociações para as ruas, na tentativa de realizar o sonho de Stepan Bandera - uma Ucrânia livre da Rússia, de judeus, e de todos os outros "indesejáveis", como eles os veem. Estimulados pelo apoio contínuo dos EUA e da Europa, esses fanáticos representam uma ameaça mais séria à democracia do que Yanukovich e o governo pró-russo jamais poderiam ser. Se a Europa e os Estados Unidos não reconhecem essa ameaça em sua infância, no momento em que, finalmente, o fizerem poderá ser tarde demais.
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[*] Eric Draitser é Analista independente de Geopolítica com sede em Nova Yorque e fundador do sítio Stop Imperialism. É colaborador regular de Russia Today, Counterpunch, Research on Globalization, Press TV, e muitos outros meios de comunicação. Produz também podcasts disponíveis no iTunes e Stop Imperialism, bem como The Reality Principle, disponível exclusivamente no sítio BoilingFrogsPost.com. Visite StopImperialism.com e acesse todas as suas postagens. 

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