Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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fevereiro 07, 2008

Ensino em casa

Jornal Estado de S.Paulo, 04/02/08:
Ensino em casa gera polêmica

Legisladores nos EUA debatem regulamentação e repasse de verba

The New York Times

Todas as manhãs, três dos filhos de Tracie Weldie tomam o café da manhã, arrumam as camas e seguem para a escola pública. Mas, no caso deles, descem as escadas até o porão da casa, num subúrbio de Milwaukee, onde sua mãe os orienta nas aulas de matemática e outras disciplinas, por meio de uma escola pública experimental baseada na internet.

Meio milhão de crianças americanas vêm tendo aulas online, com um grupo significativo, como os filhos de Weldie, fazendo sua escolarização integral nessas escolas públicas virtuais. O rápido crescimento provocou debates em tribunais e assembléias legislativas, envolvendo dinheiro já que essas escolas competem com os distritos locais pelos milhões de dólares fornecidos pelo poder público e dúvidas quanto a se o aprendizado online é apropriado.

Um dos debates mais contundentes envolveu a escola da família Weldie em Wisconsin. Na semana passada, os patrocinadores do ensino online convenceram os legisladores a não só manterem a escola virtual como abrirem mais 11. Isso ocorreu apesar de uma decisão judicial contrária e a oposição do sindicato dos professores.

Segundo John Watson, consultor de Colorado, que faz anualmente um levantamento do ensino baseado na internet, os eventos em Wisconsin reproduziram o que já vem ocorrendo em outros Estados, onde as escolas online proliferaram.

“Alguém diz, ‘o que está acontecendo, isso tem sentido?’”, disse Watson. “E, depois de investigarem, muitos Estados chegam à conclusão: ‘Sim, gostamos do ensino online, mas esse é um novo tipo de ensino para as crianças para o qual precisamos mudar alguns regulamentos e ser mais supervisionado’”.

Dois modelos predominam. Na Flórida, em Illinois e em alguns outros Estados americanos, o crescimento foi estimulado pela escola virtual financiada e dirigida pelo Estado, que não fornece um diploma mas oferece aulas que vão complementar as aulas regulares de uma escola tradicional.

Na Escola Virtual da Flórida [ http://www.flvs.net/ ], a maior pública por internet do país, são mais de 50 mil estudantes matriculados neste ano. As autoridades escolares em Traverse City, Michigan, pretendem utilizar, no último semestre deste ano, os cursos online oferecidos pela Escola Virtual de Michigan [ http://www.mivhs.org/ ] e oferecê-los a algumas centenas de estudantes em suas casas, para minorar o problema de falta de salas.

A auditoria do Estado de Kansas - Abril/2007 [ http://www.kslegislature.org/postaudit/audits_perform/07pa09a.pdf ] levantou um problema diferente, no ano passado, ao descobrir que o superintendente de um minúsculo distrito que dirigia uma escola online tinha repassado nos últimos anos 130 alunos, e com eles US$ 106 mil em pagamentos por estudante, para distritos vizinhos, que usavam os nomes dos alunos para aumentar as contas a receber das matrículas. A auditoria concluiu que o superintendente usou um subterfúgio para compensar outros distritos por não abrirem suas próprias escolas online.

A educação virtual é uma alternativa cada vez maior para o ensino tradicional”, disse a auditora de Kansas, Barbara J. Hinton, em seu relatório. Segundo ela, o ensino virtual tem grande potencial, pois os estudantes não precisam estar presentes fisicamente na sala de aula. “Os estudantes podem ir à escola a qualquer hora e em qualquer lugar.”

Mas, acrescentou, “isso cria também alguns riscos tanto para a qualidade do ensino como para a integridade do sistema escolar público”. Os americanos da área rural vêm sendo atraídos para a escolarização online, porque ela permite que os estudantes, mesmo em áreas remotas, freqüentem cursos complexos, como de chinês, por exemplo.

No Colorado, os distritos escolares perderam milhares de estudantes para as escolas virtuais, e, em 2006, uma auditoria realizada concluiu que uma escola, dirigida por um distrito rural, estava usando quatro professores autorizados a ensinarem 1.500 estudantes em todo o Estado. A Assembléia Legislativa, em resposta, criou uma nova divisão do Departamento de Educação do Colorado, para tornar mais severos os regulamentos relativos às escolas online.

A Academia Virtual de Wisconsin [ http://www.wivcs.org/ ] tem 20 professores qualificados e sindicalizados e 800 estudantes que se comunicam entre si pela internet. A escola tem atendido de maneira consistente as exigências de exames federais. Muitos pais, incluindo família Weldie, ficaram satisfeitos com o currículo K12, que permite aos seus filhos terem aulas segundo seu próprio ritmo, ao contrário das escolas tradicionais, onde os professores com freqüência fazem uma pausa nas aulas para esperar pelos alunos mais lentos. Isabel Weldie, de cinco anos, está no jardim de infância. “Mas em matemática já estou no primeiro ano”, disse ela durante o intervalo da aula.

“É por isso que gosto mais desse currículo”, disse a mãe. “Não há razão para Isabel ficar fazendo exercício de contar se ela já sabe somar.”

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