Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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outubro 18, 2008

Crise capitalista

“É por si mesmo evidente que no período de crise faltem meios de pagamento. A conversibilidade das letras substitui a própria metamorfose das mercadorias e tanto mais quanto mais, nessa época, aumenta o número de casas comerciais que operam unicamente a crédito. Legislação bancária inepta e absurda, como a de 1844-45, pode agravar essa crise monetária. Mas, nenhuma legislação bancária poderia eliminá-la.

Num sistema de produção em que o mecanismo do processo de reprodução repousa sobre o crédito, se este cessa bruscamente admitindo-se apenas pagamento de contado, deve evidentemente sobrevir crise, corrida violenta aos meios de pagamento. Por isso, à primeira vista, toda crise se configura como crise de crédito e crise de dinheiro. E na realidade trata-se apenas da conversibilidade das letras em dinheiro. Mas, essas letras representam, na maioria dos casos, compras e vendas reais, cuja expansão ultrapassa de longe as exigências da sociedade, o que constitui em última análise a razão de toda a crise. Ademais, massa enorme dessas letras representa especulações puras que desmoronam à luz do dia; ou especulações conduzidas com capital alheio, porém mal sucedidas; finalmente, capitais-mercadorias que se depreciaram ou ficaram mesmo invendáveis, ou retornos irrealizáveis de capital. Não pode remediar a todo o sistema artificial de expansão forçada do processo de reprodução a circunstância de um banco, o Banco da Inglaterra, por exemplo, fornecer em bilhetes o capital que falta a todos os especuladores e comprar todos os valores depreciados aos antigos valores nominais. Tudo aqui está às avessas, pois, nesse mundo de papel, nenhures aparecem o preço real e seus elementos efetivos, vendo-se apenas barras, dinheiro sonante, bilhetes, letras, valores mobiliários. Essa deformação aparece principalmente nos centros como Londres, onde se concentram todos os negócios financeiros de um país; todo o processo se torna incompreensível; já menos, nos centros de produção.”
(Karl Marx. O Capital. Livro 3. Capítulo 30. Capital dinheiro e capital real I)

Um comentário:

Wilson Rezende disse...

Parabéns Professor pela bela campanha do PSOL nas eleições em Maringá, mas cada vez mais acredito que não será através de eleições que virá a revolução socialista, um grande abraço.

Ilha das flores