Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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junho 11, 2009

Repúdio ao massacre no Peru

Um grupo de ONGs e entidades manifestaram, nesta quarta-feira, seu "repúdio" ao "massacre" de indígenas ocorrido na semana passada na Amazônia peruana. As organizações brasileiras entregaram uma carta à Embaixada do Peru em Brasília, após protagonizarem um ato de protesto em frente à sede.

A carta foi assinada por várias organizações religiosas e sociais, como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o Conselho Indigenista Missionário e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

De acordo com o rexto, as informações oferecidas por representantes da etnia peruana Awajun indicam que os conflitos ocorridos durante o final da semana passada deixaram mais de 60 mortos, incluindo 30 indígenas.

Os confrontos começaram na sexta-feira, quando agentes policiais tentaram retirar os nativos de uma estrada que tinham bloqueado, em protesto contra decretos do Governo que consideram prejudiciais a seus interesses.

Os indígenas peruanos começaram os protestos no início de abril, em rejeição a uma série de leis aprovadas pelo Governo e que, segundo ele, permitem a prospecção petrolífera e gasística de suas terras.

"A convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho garante aos povos indígenas a consulta prévia, livre e informada sobre qualquer tipo de projeto que afete seus territórios tradicionais", alegam as organizações.

Segundo a carta, para justificar a "covarde agressão", o Governo de García se disse vítima de uma "agressão subversiva contra a democracia e a política nacional", frente à qual precisava "responder com firmeza".

"A severidade e a firmeza resultaram no assassinato de 60 pessoas, além da perseguição e da detenção de dezenas de líderes indígenas", disseram.

"Os índios foram executados por defender a terra mãe, por crer que não deve ser explorada até a morte. Foram executados, em último, por proteger o equilíbrio climático, fundamental para a vida da Terra e, consequentemente, para a vida de todos na Terra", acrescentaram.

Os signatários da carta se comprometeram a lutar para que os responsáveis do massacre sejam julgados e punidos, e anunciaram que já apresentaram um requerimento à Corte Interamericana de Direitos Humanos.


Partidos


O PCdoB e o PT também se manifestaram, hoje, em repúdio ao confronto da semana passada. Na nota do PT, assinada pela sua executiva nacional, a legenda expressa sua solidariedade com as famílias das dezenas de vítimas, feridos e assassinados durante o confronto. Também reivindica uma investigação completa dos fatos, a punição para os responsáveis e justiça para as vítimas.

A agremiação solicita ao governo peruano que cesse todo ato de repressão e violência e abra imediatamente o diálogo e negociação com o movimento indígena amazônico. "(O PT) vem a público para (...) demandar respeito aos direitos dos povos indígenas, especialmente os estabelecidos pela Convenção 169 da OIT e pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos Coletivos dos Povos Indígenas, em particular o mecanismo da consuta prévia sobre qualquer norma estatal que os afete. E condenar a política de criminalização do movimentos sociais"

Já o PCdoB manifesta sua indignação com a política do presidente Alan Garcia e sua solidariedade com o povo daquele país, em mensagem dirigida ao Partido Comunista do Peru – Pátria Roja. A mensagem, assinada pelo secretário de Relações Internacionais, José Reinaldo Carvalho, diz que Garcia “faz o triste papel de porta-voz da direita em nossa América do Sul”.

"Esperamos que vossa luta possa resultar na derrubada do decreto que ameaça as terras e os recursos naturais dos povos indígenas e na criminalização dos autores dos bárbaros crimes", afirma o texto
Por Augusto Buonicore

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