Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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julho 10, 2009

“Alguém já viu a escravidão de Dubai nos power points?”, por Lucio Uberdan

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No capitalismo todo o aumento de riqueza gerado é diretamente proporcional ao aumento da distância entre os mais ricos e os mais pobres, ou seja, o distanciamento entre aqueles que trabalham e aqueles que vivem da apropriação do trabalho dos outros(as) está na essência do modelo, não sendo esse um desiquilíbrio, mas sim uma normalidade. A fórmula vale para o Brasil e igualmente para última grande miragem midiática chamada de Dubai.

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xeque Mohammed

A reportagem “Rachaduras no Paraíso” da Revista Piauí Nº 33, junho de 2009, assinada por Johann Hari, desnuda por completo o “sucesso” de Dubai nos Emirados Árabes Unidos, mostrando que além de Petróleo e excentricidades do xeque Mohammed, existem centenas de milhares de trabalhadores(as) estrangeiros em regime de semi-escravidão, movimentando uma economia frágil, em um país sem democracia e com problemas ambientais gravíssimos.

Na reportagem Johann Hari entrevista Sahinal Monir, 27 anos, natural de Bangladesh, que está a 4 anos em Dubai trabalhando na construção civil, Sahinal foi aliciado em seu vilarejo por uma proposta de trabalho equivalente a U$ 640(dólares/mês), chegando em Dubai teve seu passaporte confiscado pela construtora, prática comum do empresariado local, hoje o jovem trabalha 14h/dia e recebe em torno de U$ 160(dólares/mês) carregando blocos de 50kg numa temperatura que pode chegar a 55°.

Na mesma condição de Sahinal encontram-se mais 300.000 trabalhadores(as) Indianos, que a noite são amontoados em Sanapur (cidade dormitório), onde doze trabalhadores(as) dividem cada quarto, em beliches triplos, sem nenhuma refrigeração(ar condicionado ou ventilador) em condições de higiene baixíssimas.

Trabalhadores Dubai

Trabalhadores Imigrantes

Moradora de um albergue reservado para trabalhadoras domésticas que tentam fugir de Dubai, Mela Matari, 25 anos, Etíope, relata na reportagem que veio para Dubai “fazer um pé-de-meia”, trabalhando de doméstica em uma família de Australianos, diz que trabalhava “das seis da manhã à uma da madrugada, todos os dias, sem folga. Eles não me pagavam: diziam que iam acertar tudo no final de dois anos”. A jovem fugiu da casa indo pedir apoio no consulado da Etiópia, onde foi orientada a “retornar a casa da patroa para pegar o passaporte”. Mela Matari está a seis meses no albergue estatal sem poder retorna a seu país.

Durante o ano de 2008, Dubai vivenciou inúmeras greves, mesmo sem o direito da Sindicalização, prática proibida no país, dezenas de milhares de trabalhadores(as) cruzaram os braços representando os quase 700 mil imigrantes que trabalham em Dubai, mesmo com forte repressão da policia e do setor patronal a greve persistiu por vários dias e inúmeras empresas tiveram de melhorar salários e infra-estrutura disponibilizada aos operários(as), em especial moradia e a alimentação.

Com a atual crise do capitalismo Dubai começa virar areia, inúmeras imagens ainda hoje circulantes pela internet já estão abandonadas na cidade paraíso, são hotéis vazios, restaurantes fechados. Inúmeros programas da National Geographic ainda reprisados já estão desatualizados, os sonhos filmados do xeque Mohammed já são pesadelos. Mas nada disso passa na grande mídia.

O castelo começa a ruir, seja pela crise do capital, seja pelo descontentamento dos trabalhadores(as) que mais uma vez percebem que coube a eles produzirem a riqueza que será apropriada pelos outros. O desiquilíbrio dessa apropriação indevida é grande.

2 comentários:

Vilminha disse...

Oi amigo saudades estou voltando ao meu blog e visitando os amigos. também aproveitando pra rforçar o convite para o 1º enconto de Blogueiros, (veja detalhes no blog do betho http://bethosides.blogspot.com/)
Eu vou e gostaria de ver você no evento. bjs

Wilson Rezende disse...

Em Maringá não é diferente Professor, é o capitalismo raivoso nos seus últimos dias.Desejo um ótimo domingo, beijos na Vilma.

Saudações socialistas.

Ilha das flores