Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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agosto 10, 2009

Para refletir

Uma vez numa época distante , que podia ser agora, um velho Senhor resolveu por despeito , inventar , que um vizinho que ele detestava , era ladrão.

Tanto repetiu esse boato que o vizinho foi preso.

Depois de findas as investigações , concluiu-se que o vizinho era inocente e este processou o velho Senhor.

No tribunal e em sua defesa , o velho Senhor disse , que um pequeno boato não podia provocar tanto mal que justificasse um castigo.

O juiz ouviu e disse-lhe:

- Escreva um boato num papel , quando terminar , rasgue-o em bocadinhos muito pequeninos e jogue-os perto da sua casa.

Amanhã darei a sentença.

O Senhor obedeceu e no dia seguinte voltou ao tribunal.

O Juiz disse:

- Antes de ouvir a sentença , o Senhor terá que apanhar todos os bocadinhos do papel que ontem rasgou e jogou fora perto de casa.

O velho
Senhor respondeu:

- Não posso fazer isso , o vento já os espalhou por todo o lado , não sei onde foram parar.

Então o Juiz disse:

-Igual aos pedacinhos de papel que voaram e não se sabe onde estão, são as palavras falsas de um boato, que ao andarem de boca em boca , como arrastadas pelo vento , podem destruir uma vida, a honra de alguém , a ponto de não podermos nunca mais consertar o dano feito.

Quando não pudermos falar bem de alguém , manda a prudência que não se diga nada.

As palavras tal como as pedras são armas de arremesso que depois de atiradas jamais se pode remediar o estrago.

Quando não temos o senso de pensarmos antes de falar , seremos escravos das nossas palavras.

Somos Reis do que calamos e somos escravos do que dizemos.

2 comentários:

Tereza Freire disse...

Amboni, a palavra tanto constrói, como destroí. É como um tijolo, dependendo do uso que lhe seja dado, pode edificar, mas também pode partir a cabeça de alguém. Quando não projetamos/pensamos a utilidade daquilo que falamos, é melhor deixar o tijolo guardado para não ferir ninguém, ou mesmo, nos ferirmos com ele. Beijos. Excelente reflexão! Parabéns!

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Prof. Vanderlei, meu conterrâneo, sábias palavras essas realmente.

Certa vez tive oportunidade de fazer uma alegoria dessa durante o tramitar/julgamento de um processo em que funcionei como Juiz-Leigo quando servia aos Juizados Especiais Cíveis de Maringá; quem ouviu (o réu) não teve senão acordar com a outra parte. Tratava-se de uma indenização por dano moral (racismo, praticado durante uma feira no Parque de Exposições de Maringá). A Autora, uma professora municipal, chorou muito quando se viu enfim reparada por força do acordo conseguido. Foi um momento de meu ofício que me marcou demais... e certamente serviu pedagogicamente para o réu para o resto de sua vida.

abs. BOM FINAL DE SEMANA!

Ilha das flores