Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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outubro 27, 2007

CGU: governo FHC irrigou cofres de ONGs com R$ 28 bilhões

A CGU (Controladoria-Geral da União) divulgou levantamento nesta sexta-feira (26) que mostra que as ONGs (Organizações Não Governamentais) receberam mais recursos público federais durante o segundo mandato do presidente tucano Fernando Henrique Cardoso (1999-2002) do que no primeiro do petista Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006). O levantamento foi divulgado depois do Senado instalar a CPI das ONGs.

De acordo com o levantamento, 7.888 ONGs receberam recursos público federais entre 1999 e 2006. Existem 275 mil organizações não-governamentais no país. Em valores atualizados, segundo o levantamento, as ONGs receberam R$ 28,04 bilhões no segundo mandato de FHC. No primeiro mandato de Lula, elas receberam R$ 19,98 bilhões. A CGU informa que está fiscalizando 325 ONGs que receberam recursos federais entre 1999 e 2006. Nesse período, as entidades fiscalizadas receberam R$ 3,5 bilhões.

Descontrole

Em depoimento à CPI das ONGs, o procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Furtado, disse na quinta-feira (25) à CPI das ONGs que o governo federal não fiscalizou o repasse de R$ 12,5 bilhões a entidades vinculadas ao Executivo no ano passado. Do total, segundo o procurador, 39% foram recursos repassados em convênios firmados pelo Ministério da Educação com ONGs.

Segundo o procurador, há um "descontrole" nos repasses federais a entidades sem fins lucrativos. "Só não desvia dinheiro quem não quer", criticou o procurador.

Furtado disse que, até o final do ano passado, o governo federal deixou de receber a prestação de contas de pelo menos R$ 1,8 bilhão repassados a ONGs. Além disso, o procurador revelou que outros convênios que chegaram a R$ 10,7 bilhões também não foram fiscalizados.

O procurador acredita que, sem fiscalização, grande parte dos recursos tenha sido desviado --já que levantamento realizado pelo TCU no ano passado em 30 convênios do governo identificou irregularidades em pelo menos 15.

"Nesses convênios ou a ONG não tinha condições técnicas para a realização de atividades ou seus estatutos previam área de atuação diversa ao objeto do convênio", disse.

Segundo Furtado, a falta de critérios legais para a escolha de ONGs atendidas pelo governo ajuda a ocorrerem irregularidades nesse setor.

vermelho.org.br


outubro 23, 2007

A Vale é nossa

Mais de 3,7 milhões pedem a anulação do leilão da Vale
Organizadores da consulta popular realizada em setembro vão agora usar o expressivo resultado da votação para pressionar a Justiça a agilizar o julgamento das ações contra a venda da empresa.
Maurício Thuswohl – Carta Maior
RIO DE JANEIRO – As entidades organizadoras do plebiscito sobre a Companhia Vale do Rio Doce divulgaram na semana passada os números finais da consulta popular que foi o ponto alto da mobilização do Grito dos Excluídos este ano. Mais de 3,7 milhões de pessoas votaram em 3.200 municípios distribuídos de Norte a Sul do Brasil. O resultado da votação não poderia ser mais claro, com 94,5% dos votantes afirmando que o controle da Vale deve sair das mãos do capital privado e voltar para as mãos do Estado.Também foram divulgados os resultados das demais perguntas que constaram da consulta popular. A reforma da Previdência foi rechaçada por 93,4% dos votantes, enquanto 92,1% afirmaram que o governo federal não deve pagar os juros das dívidas interna e externa em detrimento da melhora nas condições de vida da população pobre do país. Também de forma esmagadora, com 93,7% dos votos, o plebiscito organizado pelas entidades dos movimentos sociais determinou que o capital privado não deve seguir explorando o setor elétrico.“O plebiscito foi um grande exercício pedagógico de recriação da cidadania. Foram mobilizados mais de 104 mil militantes em todo o Brasil e o resultado foi uma grande pesquisa de opinião nacional”, afirma Luiz Bassegio, que é membro da Secretaria Continental do Grito dos Excluídos e foi um dos organizadores do plebiscito este ano. Bassegio avalia que a consulta popular deixou um claro recado para o governo: “Com um universo de quase quatro milhões de votantes e com um resultado desses, ficou comprovado que a população brasileira é amplamente favorável à anulação da privatização da Vale”, diz.Terminada a contagem dos votos, agora vem a fase de trabalhar politicamente o expressivo resultado do plebiscito. O desejado encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, não deve acontecer: “Estamos tentando há semanas marcar um encontro para levar o resultado do plebiscito ao presidente, sem sucesso. Além disso, ele já disse publicamente que a questão da Vale não vai entrar em sua agenda de jeito nenhum. Por isso acredito que não seremos recebidos no Planalto”, lamenta Bassegio.Além da difícil tarefa de conquistar a adesão do presidente da República, os movimentos sociais pretendem usar o resultado da consulta popular para pressionar os juízes da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a recusar o recurso apresentado pela direção da Vale do Rio Doce com o intuito de impedir o julgamento do mérito de 69 ações populares, iniciadas na 1ª Vara Federal de Belém, que pedem a anulação do leilão da empresa. Até o momento, somente dois dos oito juízes aptos a votar - Luiz Fux e José Delgado - já divulgaram seus votos, ambos favoráveis à direção da Vale. O julgamento permanece paralisado desde junho, quando o ministro João Otávio Noronha pediu vista do processo.Grande mídia ignora plebiscitoApós ter divulgado com festa e estardalhaço que a Companhia Vale do Rio Doce havia ultrapassado a Petrobras e se tornado a maior empresa brasileira, os principais veículos de mídia praticamente ignoraram a consulta popular organizada pelo Grito dos Excluídos. Uma detalhada análise feita pelos jornalistas Antonio Biondi e Cristina Charão e publicada no Observatório do Direito à Comunicação mostra que os jornais não dedicaram mais do que pequenas notas ao plebiscito, enquanto algumas emissoras de tevê agiram como se a consulta que mobilizou mais de 3,7 milhões de pessoas simplesmente não tivesse existido.“Mais uma vez, a população demonstrou no plebiscito um saudável espírito de nação e de defesa de um Estado presente e atuante. A grande imprensa, por sua vez, reafirmou em sua cobertura a contrariedade em relação a um Estado que planeje e colabore com o desenvolvimento e o crescimento do Brasil e que atue em diversas áreas da economia e da sociedade de modo a promover a superação de desigualdades históricas”, afirma o documento produzido pelos dois jornalistas, que são integrantes do coletivo de comunicação social Intervozes.Em sua análise, Charão e Biondi também chamam a atenção para “o divórcio verificado entre o que a população expressou como opinião e vontade de mudança e o que a grande imprensa buscou reportar em relação ao plebiscito”. O desejo da grande mídia, segundo eles, era claramente o de adulterar o verdadeiro caráter do plebiscito: “Apesar de a mídia corporativa não ter a capacidade de inventar de fato um outro povo e um outro país, a cobertura da mobilização sobre a Vale foi mais uma tentativa de criar uma versão dos fatos e da história em evidente desacordo com a realidade”.Quando citou a consulta popular, a maior parte da cobertura feita pela grande imprensa, segundo o documento, “se limitou a usar o plebiscito como mote para criar uma confusão de identidade entre os movimentos populares e o governo e buscou oferecer claramente argumentos que apontam que a privatização foi responsável pela modernização da empresa”. A análise é concluída com a afirmação de que “de maneira geral, a imagem construída pela mídia sobre o plebiscito foi a de que se tratava de iniciativa anacrônica e restrita a uma pequena e pouco representativa parcela da sociedade, que seriam os movimentos sociais ou os setores de uma esquerda mais radical”.
Carta Capital

Violência no campo

Carta Capital

outubro 15, 2007

Escola, mudar é preciso

precisamos demonstrar que respeitamos as crianças, suas professoras, sua escola, seus pais, sua comunidade, que respeitamos a coisa pública, tratando-a com decência. Só assim podemos cobrar de todos o respeito também às carteiras escolares, às paredes da escola, às suas portas. Só assim podemos falar de princípios, de valores. O ético está muito ligado ao estético. Não podemos falar da boniteza do processo de conhecer se sua sala de aula está invadida de água, se o vento frio entra decidido e malvado sala a dentro e corta seus corpos pouco abrigados. Neste sentido é que reparar rapidamente as escolas é já mudar um pouco sua cara, não só do ponto de vista material, mas, sobretudo, de sua ‘alma’ (...) Reparar, com rapidez, as escolas é um ato político que precisa ser vivido com consciência e eficácia.

Paulo Freire

outubro 13, 2007

Trabalho




Reflexões

Uma das condições necessárias para que nos tornemos um intelectual que não teme a mudança é a percepção e a aceitação de que não há progresso na estagnação; de que, se sou, na verdade, social e politicamente responsável, não posso me acomodar às estruturas injustas da sociedade. Não posso, traindo a vida, bendizê-las.
Paulo Freire

outubro 12, 2007

Caras e bundas

"Quem lê caras não vê bundas". Essa foi a marca da revista alternativa bundas, que infelizmente não sobreviveu no mercado, pois a alienação existente na sociedade brasileira é muito forte. A bundas se contrapunha à caras, posto que tinha um homor inteligente, para pessoas também inteligente.
Quem sabe, os editores da bundas possam voltar a editá-las para nossa alegria.
Viva a bundas!

Mídia sem controle

O ataque da mídia sobre Renan tem como objetivo desviar a atenção da sociedade sobre o mensalão mineiro, posto que envolve o governador Aécio Neves, futuro candidato à presidência nas eleições de 2010. É visível o casamento inseparável da mídia com o PSDB, DEM, pois o silêncio é geral quando envolve Estados e Municípios administrados por esses partidos. É mensalão Mineiro, É metrô em São Paulo, é merenda escolar... o silêncio é geral.
O governo precisa abrir as telecomunicações a grupos alternativos, partidos, sindicatos... democratizar o debate ideológico posto na sociedade.

Mídia e perguntas

E o golpe se confirmou. A mídia tanto fez que conseguiu. Renan pediu licença. Será que vai para o ataque? E a mídia, amiga e aliada do PSDB, manterá o silêncio sobre o mensalão mineiro? E o meu partido PSOL manterá também o silêncio ou irá propor uma cpi para investigar?

outubro 07, 2007

Por isso eles nos odeiam

O marxismo é a filosofia insuperável do nosso tempo. Ele é insuperável porque as circunstâncias que o engendraram não foram superadas.
SARTRE (Questions de méthode. Marxisme et existencialisme. Critique de la raison dialethique. Paris: Gallimard, 1972, p.29)

A burguesia

A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Cazuza

outubro 03, 2007

Maiakovski

Primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo
arrancam uma flor
e não dizemos nada.
No dia seguinte, já não tomam precauções:
entram no nosso jardim,
pisam nossas flores,
matam nosso cão
e não dizemos nada.
Até que um dia o mais débil dentre eles
entra sozinho em nossa casa,
rouba nossa luz,
arranca a voz de nossa garganta
e já não podemos dizer nada.
CITADO POR MARIO NEGREIROS

Simplesmente, Victor Jarra

O sangrento golpe militar do Chile, em 1973, deixou um saldo de mais de 15 mil mortos, 30 mil prisões e centenas de torturados. Entre as vítimas da barbárie pinochetista, estava Victor Jara, jovem compositor de música popular, líder da Nueva Canción, movimento que pertence à estética da música de protesto.Preso e levado ao estádio de futebol de Santiago, que foi utilizado naqueles dias negros como campo de concentração, Jarra, que não obedeceu a ordem militar de parar de tocar seu violão, teve suas mãos decepadas. Jarra misturou gritos de dor com alguns versos de protesto de sua autoria. Foi o bastante para que um insano militar calasse Jarra com um tiro em sua cabeça, ceifando a jovem vida de um grande talento. O primeiro número desta revista é dedicado a Victor Jarra, esse símbolo da resistência. Essa homenagem se estende a todos os artistas que emprestam ou emprestaram seu talento à luta social, à causa dos trabalhadores e, por esse motivo, foram oprimidos, torturados ou assassinados.


CANTO PARA AS MÃOS PARTIDAS DE VICTOR JARA

Por, Pedro Tierra

Quisera chorar teus dedos dilacerados: raízes do meu canto subterrâneo.

Quisera chamar-te “Hermano” como a infância dos rios lava o rosto da terra, mas minha boca sangrava um silêncio de canções amordaçadas.

De tuas mãos se dirá um dia: geravam pássaros de sangue como as primaveras da lua.

Tuas mãos, tristes descendentes das canções araucanas, tuas mãos mortas, casa de canções decepadas, tuas mãos rotas, últimas filhas do vento, guitarras enterradas sem canto, sementes de fuzis, seara de sangue.Quisera entregar minhas mãos inúteis ao cepo de teus carrascos.

Ilha das flores

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