Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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maio 31, 2009

Desencanto, by José Saramago

Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo.

maio 30, 2009

"O Operário Em Construção", com Taiguara - Parte 1

"O Operário em Construção", com Taiguara

Entrevista com Francisco de Oliveira: Cientista político eleitor de Lula diz que a disputa de 2010 será "esvaziada de política e regionalista"

1.Valor: Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula, já em seu penúltimo ano? O senhor rompeu publicamente com o PT em 2003, mas depois declarou voto pela reeleição de Lula em 2006...
Francisco de Oliveira : A minha declaração de voto em 2006 foi uma atitude política. Lula estava sob ataque de forças opositoras naquele momento e havia a esperança, uma palavra que nem gosto de usar, de que um segundo mandato fosse promotor de mudanças, mas hoje podemos ver que não houve nenhuma mudança e essa chance passou. O governo de Lula, concretamente, não demonstrou nenhum avanço social no plano dos direitos. Do ponto de vista da condução econômica é uma administração medíocre, que pensou que se salvaria da crise global e percebe-se que não tem nenhum domínio da situação. Economicamente o governo Lula é um barco à deriva, que se as ondas forem boas chega a um bom porto, e caso contrário, não.

2;Valor: Que comparação pode-se fazer com o governo FHC?
Oliveira: Lula está à direita de Fernando Henrique [Cardoso] ao não recompor as estruturas do Estado e não avançar na ampliação de direitos. O presidente tenta se legitimar promovendo consensos que passam pela cooptação dos mais pobres. O Bolsa Família não é um direito, mas uma dádiva. Neste sentido, vivemos na gestão dele uma regressão política, porque no governo Lula houve uma diminuição do grau de participação popular na esfera pública. E quando se projeta o cenário de 2010 percebe-se como Lula resulta regressivo. Com a força perdida pelo PT e a ausência de alternativas de Lula, uma vez que a doença de sua candidata mostra sinais de gravidade, aparece o terceiro mandato.

3.Valor: O senhor acha que o governo está criando um caldo de cultura para o terceiro mandato?
Oliveira: Sim, porque Lula aparece, para os olhos de determinados segmentos do meio político e popular, como o homem providencial. E neste sentido a possibilidade de um terceiro mandato é perigosa. Getúlio [Vargas] ensaiou isso com o queremismo, em 1945. Agora, pode muito bem surgir um queremismo lulista: o povo ir às ruas para pedir a continuidade do governo.

4.Valor: E o senhor acha que o povo irá às ruas?
Oliveira: Não digo o povo, uma categoria imprecisa, mas o PT e a CUT ainda têm capacidade para promover barulho, e barulho é o que é decisivo em uma questão como essa.

5.Valor: Porque no campo da esquerda nem o P-SOL, nem outras siglas conseguiram se firmar como alternativas a Lula?
Oliveira: Nada surgiu porque, ao tornar-se um mito popular, Lula tornou-se infuso à política. Ele produz um consenso de forças sociais, que estão todas muito contentes com o governo, e assim torna impossível ao eleitorado fazer escolhas reais. Isto explica porque Heloísa Helena, apesar do apelo popular que teve e tem, não se tornar uma alternativa. Vivemos um consenso conservador, no sentido de não se transformar nada, mesmo com a presença das massas populares neste consenso.

6.Valor: Ao romper com o PT, o senhor disse que o partido poderia ter o mesmo destino do peronismo, tornando-se uma força política que não consegue ter referências ideológicas e prende-se ao espólio de uma liderança...
Oliveira: Se fiz esta aproximação, foi um equívoco meu. A mídia brasileira por vezes passa uma ideia equivocada do que foi [Juan Domingo] Perón na Argentina. O Perón não despolitizou o país. Sob o vezo do autoritarismo, em seu período se produziu uma ampliação de direitos tal que a tradicional oligarquia argentina jamais se recuperou. No caso de Lula, está ocorrendo exatamente o contrário, a diminuição do espaço da política na sociedade.

7.Valor: O governo Lula não investiu na inclusão de minorias nos espaços de poder, por meio de políticas de ação afirmativas para negros e mulheres?
Oliveira: Ele tomou os vestígios de um discurso sociológico fajuto para negar o conflito de classes. Veja, com a análise da questão das classes se mata as charadas no Brasil. Quando a gente pensa a sociedade por meio destas clivagens de gênero e raça, não se mata charada nenhuma. O problema do Brasil é de uma grande maioria, virtual totalidade mulata, e não pode ser resolvido por políticas afirmativas étnicas, diferentemente do que ocorre na Bolívia e na Venezuela, onde a chave étnica é decisiva. Para resolver os problemas de exclusão social no Brasil, é preciso enfrentar problemas de classe. A política de cotas só faz reafirmar a exclusão. Qual as chances concretas que um negro com grau universitário obtido graças às cotas ampliação de direitos combatem a discriminação.

8.Valor: O senhor analisa o governo Lula como o autor de uma guinada conservadora, mas, com instrumentos como a Carta ao Povo Brasileiro, Lula já não se elegeu sob este signo?
Oliveira: Pelo contrário, Lula foi eleito em um processo de força popular crescente de um movimento político, que acumulou energia de eleição em eleição desde os anos 80. Não foi um episódio que se resume à crônica de 2002, foi um processo longo. Lula foi eleito com uma base progressista. Não houve nenhuma chancela do eleitorado para o que ele faria a seguir.

9.Valor: Além de sua gestão econômica até certo ponto surpreendente, o primeiro mandato de Lula foi marcado pelos escândalos na área ética, dos quais o do mensalão foi o mais emblemático. Por que a ressonância popular destes problemas foi zero?
Oliveira: Há uma tendência popular de nivelar a todos. Historicamente, a questão ética só estigmatiza políticos de estatura menor, como os exemplos recentes de [Paulo] Maluf e [Orestes] Quércia. Gostaria que tivesse sido diferente, mas este fator jamais foi decisivo em eleições brasileiras e não será na próxima.

10.Valor: Qual o balanço que o senhor faz da oposição brasileira nestes últimos sete anos?
Oliveira: Que crítica a oposição pode fazer ao governo Lula? Objetivamente nenhuma. Os governadores José Serra e Aécio Neves estão do mesmo lado. Em termos concretos, já há tempos a oposição deixou de existir. Isto porque a política no Brasil perdeu a capacidade decisória.

11.Valor: Que diferenças o senhor identifica entre Serra e Aécio?
Oliveira: Rejeito ambos por motivos diferentes. Aécio parece mais um político superficial que se faz sob a herança política familiar. Nunca vi uma opinião dele que impressionasse. Serra é uma surpresa. Faz um governo gerencial e até reacionário, ao lidar com o funcionalismo e com a universidade pública. É um político que gradualmente se converteu, quando vemos o passado dele e o local onde atua agora. É o grande líder conservador.

12.Valor: Sob que signo será disputada a eleição presidencial do próximo ano?
Oliveira: A eleição de 2010 será despolitizada e regionalista. Vejo agora a articulação entre São Paulo e Minas. Antes era o café com leite, hoje talvez seja o café com leite de um lado, a cana e a indústria do outro... a eleição caminha para ser uma disputa entre a confluência de São Paulo com Minas em contraposição à confluência do Nordeste e do Norte. É uma disputa que se dá em termos regionais, sem nenhum ponto político, nenhuma discussão de concepção propriamente política. Ao criar um consenso, Lula foi fortemente despolitizador. É uma dinâmica diferente do tempo de Fernando Henrique. Fernando Henrique buscou subjugar as forças contrárias, Lula as desmobiliza.

13.Valor: E que papel jogam atualmente os movimentos sociais?
Oliveira: Os movimentos sociais estão apagados, porque tratam-se em sua maioria de articulações em torno de objetivos pontuais, o que tornam limitadas as possibilidades de crescimento. O mais importante deles, que é o MST, busca saídas para a sobrevivência.

14.Valor: Esta desmobilização política não é um fenômeno global?
Oliveira: Ela é um fenômeno mundial. A França elegeu [Nicolas] Sarkozy, um direitista que se disfarça. Nos Estados Unidos, temos [Barack] Obama, que está recuando de suas posições iniciais. Na Alemanha, Ângela Merkel faz uma conciliação que junta sociais democratas e conservadores. E na Rússia, há um florescer do autocratismo. Todo mundo está convergindo para um ponto médio, que é uma espécie de anulação das posições. Mas no Brasil é mais grave, porque aqui a desigualdade é muito maior.

Loucura no ar de Piracicaba

Hoje (27/5) o jornal de Piracicaba reportou que a câmara municipal de Piracicaba, na figura do vereador José Aparecido Longatto (PSDB) quer incinerar 25 mil processos históricos do município para liberar espaço no prédio....

http://www.bancadigital.com.br/jpiracicaba/reader2/

Famílias, poder e riqueza: redes políticas no Paraná em 2007

A estrutura de poder não é uma abstração, ela se materializa em situações objetivas de posse de riqueza, se reproduz e se consolida graças a redes políticas, sociais e de parentesco. As redes políticas de poder são definidas neste artigo como conexões de interesses envolvendo, basicamente, empresários e cargos políticos no aparelho de Estado, no executivo, legislativo e no judiciário e, também, em outros espaços de poder buscando assegurar vantagens e privilégios para os participantes. Além da ideologia que lhe reforça a legitimidade, as redes podem utilizar artifícios tais como o nepotismo, o clientelismo e a corrupção.
O estado do Paraná é apresentado como exemplo de modernidade, de racionalidade, de adesão aos valores e às práticas de um capitalismo regido pelos princípios de impessoalidade e de eficiência. Neste artigo mostraremos que isso é um mito. Para tanto, procederemos à genealogia de famílias que detêm poder e riqueza na atualidade, mas que estão associadas aos interesses dominantes há quase 300 anos. Nomes ilustres da política e da economia compõem uma surpreendente e intricada rede de relações familiares, de parentesco e de privilegiamento que assegura a estrutura do poder nas mais diversas conjunturas econômicas e políticas.
Resumo do artigo do professor Ricardo Costa de Oliveira
trabalho completo: http://jornalismofm.com.br/2009/05/carli-e-as-redes-politicas/

maio 27, 2009

Colômbia: projeto para terceiro mandato de Uribe é aprovado pelo senado e vai a referendo

No último dia 19, o senado colombiano votou e aprovou o projeto de lei que convoca um referendo para legitimar democraticamente o terceiro mandato do presidente Álvaro Uribe. Para a aprovação do projeto seria necessária uma maioria simples no senado, ou seja, 52 votos. O projeto obteve 62 votos e passará por mais uma avaliação antes de se determinar a data do referendo.

Uribe foi eleito presidente da Colômbia em 2002, já em 2005 uma emenda constitucional permitiu sua reeleição. Agora, Uribe busca legitimar um terceiro mandato. Ainda em 2008, Uribe liderou uma campanha de assinaturas para que a constituição fosse mudada e permitisse sua segunda reeleição consecutiva. No ano passado, foram recolhidas pelo menos 5 milhões de assinaturas. No entanto, a oposição denuncia uma série de irregularidades durante o processo de recolhimento dessas assinaturas.

Denuncias afirmam que a base governamental utilizou mais verbas do que a legislação permite, a oposição ainda pede explicações sobre a origem de 1,9 milhões de pesos que não foram devidamente declarados, mas utilizados no processo de recolhimento das assinaturas.

Depois de recolhidas as assinaturas que cumpriram o papel de demonstrar o anseio popular por um terceiro mandato de Uribe, o projeto de lei foi encaminhado dia 11 de setembro de 2008 ao legislativo e aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro. Agora, o projeto acabou de ser aprovado também pelo senado. Nos próximos dias será anunciada a data da realização do referendo, que se aprovado mudará novamente a constituição colombiana e permitirá a perpetuação de Uribe no poder.

As próximas eleições para presidente estão marcadas para maio de 2010 e pesquisas apontam que o terceiro mandato será aprovado no referendo e nas eleições do próximo ano Uribe vencerá com facilidade. O presidente Colombiano tem os maiores índices de aprovação da América Latina, mantendo uma média acima de 70%. Em 2004, sua aprovação era de 74% e, em julho do ano passado, chegou a atingir 91%.

Esse alto índice de popularidade se deve em primeiro lugar aos programas assistencialistas desenvolvidos nesses 7 anos de governo. O Programa de Atendimento à População Miserável atende milhares de pessoas e, semelhante aos programas desenvolvidos por Lula, serve apenas para manter essa população na miséria, não apresentando nenhuma perspectiva verdadeira para uma transformação na estrutura social do país.

Uribe também ganhou muita popularidade combatendo as FARC e com slogans “contra o terrorismo”. Defendendo a segurança nacional, aumentou a militarização no país. Seu governo também é marcado por escândalos de milícias paramilitares e envolvimento com o narcotráfico colombiano (como o falecido Pablo Escobar).

A cada dia fica mais claro que governos ditos de esquerda, como o de Chávez na Venezuela ou de Lula no Brasil em nada se diferenciam do governo de direita de Uribe na Colômbia. Mediante programas assistencialistas e aliados às empresas privadas, esses governos possuem um amplo apoio da sociedade e buscam se perpetuar no poder. Primeiro foi Chávez que conseguiu a aprovação do terceiro mandato; Uribe já caminha a passos largos para uma nova reeleição, será Lula o próximo?
por Roger Silva

Nasceu a corrente LSR - ‘Liberdade, Socialismo e Revolução’

André Ferrari, Comitê Nacional da LSR - Liberdade, Socialismo e Revolução - 26 de Maio de 2009


A leitura das estrofes de “Vamos juntos”, poema do recém falecido escritor uruguaio Mario Benedetti, deu o tom do Ato político de abertura do Congresso de Unificação entre o Coletivo Liberdade Socialista (CLS) e o Socialismo Revolucionário (SR), realizado na noite de 22 de maio, em São Paulo. A marca da unidade em meio a tanta dispersão e fragmentação da esquerda foi saudada por todos os presentes.
Além dos militantes do SR e CLS, participaram do Ato muitos convidados, uma representação da direção da Conlutas, do PSOL, intelectuais militantes como Oswaldo Coggiola e Plínio Sampaio Júnior e outras correntes como o C-SOL e a Conspiração Socialista.
O destaque entre os convidados foi a presença do velho militante de esquerda Plínio de Arruda Sampaio que saudou a unidade das duas organizações. Diante da impossibilidade da presença física, Tony Saunois, do Secretariado Internacional do CIT, saudou os presentes através de um vídeo enviado especialmente para o Ato. Outros convidados nacionais e muitas das seções do CIT em várias partes do mundo também enviaram sua saudação por escrito ao Congresso.
Os militantes do SR e CLS nos dois dias seguintes ao Ato deliberaram pela constituição de uma nova corrente socialista unificada, a LSR – Liberdade, Socialismo e Revolução. A nova organização já nasce com presença em oito estados brasileiros e com atuação no movimento sindical, popular, sem-terra, estudantil, de mulheres e LGBTT.
Depois de ampla discussão o Congresso votou os documentos básicos para a constituição da nova organização: uma Carta de Princípios, um Documento Programático, um Estatuto e uma resolução internacional que deliberou pela filiação da LSR ao Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores - CIT, passando a ser sua nova seção brasileira.
O Congresso também reafirmou a política de participação ativa na Conlutas e nos esforços pela construção de uma nova central sindical e popular no país, além de posicionar a nova corrente como ala esquerda revolucionária no PSOL. Em ambas as frentes de atuação, Conlutas e PSOL, a LSR atuará como parte do Bloco de Resistência Socialista que reúne outros três agrupamentos de esquerda, a Alternativa Socialista (AS), Alternativa Revolucionária Socialista (ARS) e o Reage Socialista.
A LSR também declara seu apoio político ao ‘Terra Livre’, movimento popular do campo e da cidade, respeitando sua autonomia como movimento e ao mesmo tempo esforçando-se para ajudar seu fortalecimento e construção.
Os militantes socialistas presentes ao Congresso buscaram fazer com que as deliberações estivessem à altura do novo momento histórico marcado pela crise capitalista mundial e a necessidade de reorganização e fortalecimento de uma esquerda socialista conseqüente, capaz de responder aos enormes desafios do próximo período.
O ânimo e entusiasmo da militância diante da unificação das forças do SR e CLS e das oportunidades para um crescimento rápido e sólido da nova organização, marcaram todo o Congresso.
A LSR nasce em meio à luta
A mais importante crise do capitalismo internacional desde os anos 30 afeta duramente a classe trabalhadora brasileira apesar de todo o discurso triunfalista de Lula. A onda de demissões em massa na indústria e outros setores nos últimos meses está longe de terminar. Basta ver as ameaças que pairam sobre a Vale. Novas demissões massivas deverão acontecer assim como cortes nos gastos com salário do funcionalismo. Governo e patrões tentam evitar a todo custo reajustes salariais usando o argumento da crise. As campanhas salariais junto com novas demissões e o desespero dos trabalhadores demitidos no início do ano que já perderam o seguro-desemprego podem provocar mobilizações radicalizadas.
Mas, o processo de tomada de consciência sobre as saídas da crise depende em grande parte da ação dos socialistas. As lutas em curso, as perspectivas de mais mobilizações no segundo semestre e as eleições gerais de 2010 serão espaços fundamentais para o fortalecimento de uma alternativa classista e socialista para a crise.
A LSR já nasceu diretamente inserida nesses processos. Os companheiros de Goiás chegaram ao Congresso depois de uma vitoriosa mobilização onde centenas de trabalhadores sem-terra organizados no movimento ‘Terra Livre’ ocuparam por cinco dias as sedes do INCRA em Goiânia.
Os militantes da LSR que atuam na Oposição ‘Alternativa de Luta’ do Sintaema já saíram do Congresso para construir a greve dos trabalhadores da Sabesp em todo o estado de São Paulo, iniciada no dia 26 de maio. Os trabalhadores lutam por reajuste salarial e contra as demissões na empresa.
Na USP, onde a greve dos funcionários já ultrapassava os 20 dias quando realizávamos o Congresso, os militantes da LSR ajudaram a construir no dia 25/05 um grande Ato das universidades estaduais paulistas diante da reunião do CRUESP na reitoria da USP.
Militantes da LSR na região do Vale do Paraíba (SP), palco de lutas importantes contra as demissões na GM e Embraer, estavam se preparando durante o Congresso para a luta contra o Banco de Horas e outros ataques nas indústrias do setor de alimentação da região, como é o caso da AmBev.
Alguns companheiros não puderam participar do Congresso em razão das mobilizações em curso, como foi o caso dos companheiros envolvidos na construção da greve dos funcionários públicos municipais de Hortolândia (SP), onde uma nova camada de trabalhadores entra na luta direta pela primeira vez dando um sinal do que pode acontecer em vários municípios. A greve dos funcionários de Campinas, Limeira e Taubaté também são exemplos desse processo.
Os militantes da LSR na Apeoesp (professores de SP) em várias subsedes do sindicato estão diretamente envolvidos na construção da greve marcada para o dia 29 de maio.
Militantes da LSR no movimento estudantil em várias universidades estão envolvidos na eleição de delegados ao Congresso Nacional dos Estudantes que se realizará entre 11 e 14 de junho e também ao Congresso da UNE que acontecerá em julho. Em ambos os espaços, os militantes da LSR defenderão uma política de oposição aos setores governistas do movimento estudantil e a necessidade da unidade de todos os setores independentes do governo na luta contras as políticas neoliberais na educação.
Construindo a unidade
O caminho que resultou na formação da LSR é parte de um processo mais amplo de reorganização da esquerda socialista depois da perda do PT como partido de luta dos trabalhadores.
A formação do PSOL aglutinou a maior parte dos setores da esquerda organizada que não capitularam às benesses do poder. Mas, o giro à uma política mais moderada que tendia a repetir erros cometidos pelo PT no passado, provocou novos deslocamentos internos. Praticamente todas as tendências nacionais do partido sofreram rupturas e novas correntes surgiram tirando conclusões de sua experiência.
Dessa experiência junto com a atuação prática comum em meio a um processo de reorganização do movimento sindical e popular, surgiram as possibilidades de uma aproximação política entre o SR e o CLS, além do processo que veio a constituir o Bloco de Resistência Socialista.
Depois de pelo menos três anos de discussões, iniciativas comuns e a construção de uma relação de confiança política, o Congresso de Unificação do SR e CLS resultou na construção de uma síntese política e organizativa superior às antigas organizações. A LSR tem potencial para ser um pólo de atração para amplos setores da militância de esquerda e dos movimentos sociais que buscam uma bandeira limpa, socialista, de luta, democrática e coerente.
A unificação foi a conclusão de uma etapa importante na luta da LSR pela construção de uma nova esquerda socialista que tire as lições dos erros do passado.
Bases políticas sólidas
As resoluções votadas pelo Congresso forneceram bases políticas sólidas para a constituição de uma nova corrente unificada. A LSR se apresenta como uma alternativa política socialista e revolucionária, baseada na luta independente dos trabalhadores, claramente internacionalista e comprometida com a construção de espaços amplos de recomposição das forças de nossa classe.
Mas, além disso, o processo de unificação demonstrou o compromisso com a construção de uma nova cultura política democrática, franca, honesta e tolerante em relação ao debate político. Na crítica e combate ao burocratismo e sectarismo presentes na esquerda brasileira, a nova corrente busca extirpar os resquícios de práticas stalinistas que afetaram até mesmo aqueles que se colocam no campo anti-burocrático.
O Estatuto votado define uma concepção de organização militante, democrática, organizada pela base e voltada para a atuação na luta de classes. O Estatuto se preocupa com a formação e renovação dos quadros políticos e uma dinâmica saudável de debate interno.
A decisão unânime de filiação da nova organização ao Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT) reflete um compromisso com uma prática internacionalista e a reivindicação dessa organização internacional como uma ferramenta importante na luta estratégica por uma Internacional revolucionária de massas. As trajetórias diferenciadas do passado não impedem que se construa um projeto internacional comum no presente e no futuro.
O Congresso de Unificação foi o cenário de um debate franco e aberto que coroou os esforços de elaboração e discussão do período anterior.
O nome da organização foi decidido a partir de várias possibilidades que conjugavam os três elementos que expressavam a idéia de um socialismo distinto do reformismo e também claramente diferenciado das terríveis práticas stalinistas. ‘Liberdade, Socialismo e Revolução - LSR’ foi a opção votada e recebida com entusiasmo por todos os delegados e observadores do Congresso.
Os planos traçados apontam para a publicação de um jornal chamado “Ofensiva Socialista” que tem a meta de ser regularmente mensal já no início do próximo ano. Mas, além disso, traçaram-se planos para uma ousada ofensiva de comunicação, usando a internet, para chegar a setores amplos.
As metas de crescimento visam consolidar bases fortes no sul, no nordeste e em Brasília, além de fazer crescer nosso trabalho no eixo São Paulo, Rio, Minas Gerais. O Congresso encaminhou uma política de formação dos militantes, incluindo uma Escola Nacional de Formação de quadros em conjunto com uma Escola Latino-Americana do CIT no início do próximo ano.
As finanças da nova organização refletem o caráter militante e classista da LSR. Ao contrário do que é prática corrente na esquerda brasileira, nossa fonte de recursos é a contribuição militante e as campanhas feitas entre os trabalhadores.
A nova corrente também atuará na disputa política do II Congresso do PSOL através da Tese “Colocar o socialismo na ordem do dia – colocar o PSOL à altura do momento histórico”. Lutaremos por um programa socialista para o PSOL, sua inserção nas lutas sociais, pela democracia interna e por uma política baseada na independência de classe para o partido. Da mesma forma, jogaremos peso no fortalecimento e desenvolvimento do Bloco de Resistência Socialista estimulando um debate estratégico sobre o futuro do Bloco.
Nossa atuação na Conlutas visará à construção da nova central unificada com outros setores até o primeiro semestre de 2010. Defenderemos o caráter não apenas sindical da nova central, mas também incorporando todas as organizações de luta dos trabalhadores, os movimentos populares e o movimento estudantil de orientação classista.
Ao encerrar o Congresso cantando ‘A Internacional’, os companheiros e companheiras presentes tinham clareza de ter dado um passo importante não apenas para suas trajetórias militantes mas para a reconstrução de uma alternativa socialista conseqüente no Brasil.
con tu puedo y con mi quiero

vamos juntos compañero

la muerte mata y escucha

la vida viene después

la unidad que sirve es

la que nos une en la lucha


(Vamos juntos, Mario Benedetti)

maio 24, 2009

Colóquio 200 Anos de Proudhon: 26 e 27 de maio / 2009

Há dois séculos atrás, em 15 de janeiro de 1809, na cidade de Besançon na França, nasce Pierre-Joseph Proudhon, um menino que no seio simples de uma família de artesãos, trabalhou como vaqueiro, saiu do campo ainda jovem para o oficio de tipógrafo, onde daria início a suas leituras, ganhou uma espécie de bolsa de estudos, mas foi duramente perseguido por sua produção intelectual.

O que é a Propriedade?, publicado em 1840, foi o primeiro ensaio entre muitas outras obras polêmicas escritas por esse pensador, que influenciou grupos de trabalhadores na luta em defesa da Autogestão,do Federalismo e da Liberdade.

Passados 200 anos seus escritos continuam servindo de ferramenta para a emancipação social, para aqueles que reconhecem esse homem como “O Pai da Anarquia”. A realização de um “COLÓQUIO 200 ANOS DE PROUDHON” visa apresentar este pensador aos setores dos movimentos sociais e comunidades acadêmicas que se interessem por ter contato com a vida e a obra de Proudhon, explorando diversos temas como: “Proudhon e a Dialética”, “O mito da classe produtiva em Proudhon”, “A Contribuição de Proudhon para o Brasil”, “Crítica à Propriedade pelo Movimentos Sociais”, “Proudhon e a Franco-Maçonaria”, “Proudhon e Educação”.

INFORMAÇÕES

Arquivo de Memória Operária do Rio de Janeiro

Tel: 2224-8965 r. 250 (Marcos Santana)

E-mail: amorj@ifcs.ufrj.br

UM EX-FAXINEIRO NEGRO VENCE PRECONCEITO E QUER “LIMPAR” A IMAGEM DO STF

O "bate-boca" entre o presidente do STF, Gilmar Mendes (dono de uma biografia repleta de denúncias de corrupção) e o ministro Joaquim Barbosa (dono de uma biografia invejável) traz a necessidade de esclarecer quem é quem no Judiciário brasileiro.

Um ex-torneiro mecânico pernambucano indicou um ex-faxineiro mineiro para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O presidente Lula escolheu o doutor da Universidade da Sorbonne e procurador do Ministério Público Federal, Joaquim Benedito Barbosa Gomes, para ocupar uma vaga entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. O jovem negro que cuidava da limpeza do Tribunal Regional Eleitoral de Brasília está prestes a chegar ao topo da carreira da Justiça após quatro décadas de vitórias contra desigualdades sociais e raciais.

A primeira foi em Paracatu, interior de Minas, onde nasceu numa família de sete irmãos, com a mãe dona-de-casa e o pai pedreiro e, mais tarde, dono de uma olaria. Lá, percebeu que só o estudo poderia mudar a sua história. Já aos 10 anos dividia o tempo entre o trabalho na microempresa da família e a escola. O saber era quase uma obsessão.

- Uma das piores lembranças da minha infância foi o ano em que fiquei longe da escola porque a diretora baixou uma norma cobrando mensalidade. No ano seguinte, a exigência caiu e voltei à sala de aula. Estudar era a minha vida e conhecer o mundo o meu sonho. Adorava aprender outras línguas – contou Joaquim Barbosa numa entrevista em agosto de 2002 para o projeto de um vídeo sobre a mobilidade social dos negros no Brasil.

O domínio de línguas estrangeiras foi a engrenagem para mobilidade social de Joaquim Barbosa. Aos 16 anos, deixou a família e a infância em Minas e foi atrás de emprego e educação em Brasília. Dividia o tempo entre os bancos escolares e a faxina no TRE do Distrito Federal. Um dia, o mineiro, na certeza da solidão, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE. Naquele momento, um diretor do tribunal entrou e achou curioso uma pessoa da faxina ter fluência em outro idioma. A estranheza se transformou em admiração e, na prática, abriu caminho para outras funções. Primeiro como contínuo e, mais tarde, como compositor de máquina off set da gráfica do Correio Brasiliense. A conquista não sairia barato.

- Lembro de uma chefe que me humilhava na frente dos companheiros de trabalho e questionava minha capacidade. No início, foi difícil, mas acabei me estabilizando no emprego e mostrando o quanto era profissional.

A renda aumentou, mas ainda era pouca para ele e a família lá em Minas. Foi trabalhar também no Jornal de Brasília acumulando dois empregos e jornada de 12 horas. Mais tarde, trocou os dois por um. Foi para Gráfica do Senado trabalhar das 23h às 6h da manhã. Depois do trabalho, a Universidade de Brasília. O único aluno negro do curso de direito da UnB tinha que brigar contra o sono e a intolerância.

- Havia um professor que, ao me ver cochilando, me tirava da sala.

Joaquim Barbosa continuava sonhando acordado. Prestou prova para oficial da chancelaria do Itamaraty e passou. Trocou o bem remunerado emprego do Senado por um, que pagava bem menos. Mas o novo trabalho tinha uma vantagem incalculável: poder viajar para a Europa. Durante seis meses, conheceu países como Finlândia e Inglaterra. De volta ao Brasil, prestou concurso para carreira diplomática. Foi aprovado em todas as etapas e ficou na entrevista: a única na qual a cor de sua pele era identificada.

Após esse episódio, a consciência racial de Joaquim Barbosa, que começou a ser desenhada na adolescência, ganhou contornos mais fortes. Ganhou novas cores, quando, já como jurista do Serpro, conheceu o país, especialmente o Nordeste e, em particular, Salvador. Bahia foi uma paixão a primeira vista do mineiro. Foi lá onde Joaquim Barbosa teve um contato maior com o que ele chama de "Negritude".

A percepção de ser minoria entre as elites ficou ainda mais nítida fora do país. O jurista explica que o sentimento de isolamento e solidão é muito forte num "ambiente branco" da Europa. Ser uma exceção aqui e no além mar ficou ainda mais forte após o doutorado na Universidade de Sorbonne. Nessa época já acumulava títulos pouco comuns para maioria das pessoas com a mesma cor de pele: Procurador do Ministério Público e professor universitário. Antes, já tinha passado pela assessoria jurídica do Ministério da Saúde.

O exercício de vencer barreira, de alguma forma, está em sua tese de doutorado, publicada em francês. O doutor explica que o seu objeto de estudo foi o direito público em diferentes países, como os EUA e a França.

- A minha intenção foi ultrapassar limites geográficos, políticos e culturais. Quero um conhecimento que vá além da fronteiras dos países – disse.

"Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite", reagiu Barbosa.

Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, em artigo publicado na Folha de São Paulo, o professor da Faculdade de Direito da USP, Dalmo Dallari, professor catedrático da UNESCO na cadeira Educação para a paz, Direitos Humanos e Democracia e Tolerância, declarou:

Se essa indicação (de Gilmar Mendes) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (...) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

O empresário Gilmar Mendes carrega em sua biografia a denúncia de que foi favorecido com “incentivo” do poder executivo para fundar, em 1998, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma escola privada que oferece cursos de graduação e pós-graduação em Brasília. Desde 2003, conforme consta das informações do "Portal da Transparência" da Controladoria Geral da União, esse Instituto faturou cerca de R$ 1,6 milhão em convênios com a União. De seus nove colegas no STF, seis são professores desse Instituto, além de outras figuras importantes nos poderes executivo e judiciário (não é à toa que ele contou com tanta “solidariedade” no episódio que envolveu a discussão com o ministro Joaquim Barbosa). O Instituto se localiza em terreno adquirido com 80% de desconto no seu valor graças a um programa do Distrito Federal de incentivo ao desenvolvimento do setor produtivo. O subsecretário do programa, Endels Rego, não sabe explicar como o IDP foi enquadrado no programa. O belíssimo prédio do Instituto foi erguido graças a um empréstimo conseguido junto ao Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), gerido pelo Banco do Brasil, cuja prioridade de investimento é o meio rural. Entre os seus maiores clientes estão a União, o STJ e o Congresso Nacional.

Dr. Eduardo Diatahy B. de Menezes
Professor Emérito da Universidade Federal do Ceará
Professor Titular do Doutorado e Mestrado em Sociologia - UFC

maio 19, 2009

Socorro ao professor - Folha de São Paulo, 17/05/09.

Debate pedagógico passa ao largo da questão disciplinar, um equívoco grave diante da violência crescente nas escolas A EDUCAÇÃO básica no Brasil ainda é precária, em particular nas redes oficiais de ensino. Mediocridade e letargia se patenteiam a cada resultado da pletora de exames e índices surgidos na última década. Bem encaminhada a meta da universalização do acesso e superada a controvérsia sobre avaliações de desempenho, resta roer o caroço duro do próprio aprendizado.
A batalha terá de ser vencida com uma estratégia de requalificar professores e remunerá-los melhor. Essa classe desprestigiada já se vê, contudo, acossada por outra conflagração: a indisciplina, quando não a agressão praticada por uma parcela dos alunos.
O aumento da violência juvenil é um problema das sociedades contemporâneas que não afeta apenas a escola. Agrava-se conforme pais de todos os estratos se omitem e transferem a responsabilidade primeira pela socialização de crianças e jovens ao educador.
O tumulto de quinta-feira entre policiais militares e estudantes numa escola estadual da capital paulista constitui apenas mais um episódio a lamentar, não exceção. Após erupção semelhante em novembro, o governo estadual prometera um plano antiviolência, que até hoje não veio a público. Levantamento do sindicato de diretores Udemo indicou que 86% das 683 escolas que responderam a questionário (de um total de 5.300) tinham vivido casos de violência.
Combater a escalada implica afrontar a mescla de democratismo e leniência que tomou de assalto o aparelho educacional brasileiro. Tornou-se pedagogicamente incorreto lançar mão de medidas disciplinares. O diálogo por certo representa o melhor caminho, mas não quando se trata de ameaça ou desrespeito ao professor.
Em nome de incentivar a afirmação da individualidade do aluno, tolera-se todo tipo de abuso. Não é só de guias curriculares que necessita o docente, mas de orientação prática e eficaz sobre como proceder em casos disciplinares, dos simples aos graves. Todo projeto pedagógico tem de implementar medidas para assegurar a tranquilidade e a concentração sem as quais não há aprendizado possível.
É injusto deixar só com os professores mais essa responsabilidade. Eles em geral figuram entre as vítimas dessa deterioração no convívio. Para reconquistar o prestígio em erosão, não é só de salários, carreiras e bônus que precisam, mas da intervenção decidida das autoridades educacionais na questão da disciplina.
Cabe a elas rever gradação, condições e limites das punições aplicáveis, criar procedimentos para situações excepcionais e também serviços especializados de assistência ao professor ameaçado. Sem esse mínimo de garantias, cada vez menos talentos estarão dispostos a seguir a carreira de professor, decisiva para reduzir a iniquidade social no país.

maio 18, 2009

Nova rua será D. Helder


Na incessante luta pelo aprofundamento da democracia política no Brasil, os vereadores de São Carlos, São Paulo, foram responsáveis por uma decisão histórica: na tarde do dia de 12 maio, por unanimidade, os vereadores dessa cidade aprovaram um Projeto de Lei que altera o nome da rua Sérgio Paranhos Fleury. A partir dos próximos dias, com a sanção da lei pelo prefeito municipal, a rua passará a se denominar D. Hélder Pessoa Câmara.
Por Caio Navarro de Toledo*


Nova rua será D. Helder
Certamente, este ato em nada mudará o cotidiano dos moradores da rua nem dos demais habitantes da cidade. No entanto, na batalha em defesa do “direito à memória e do direito à verdade” sobre os fatos ocorridos durante a ditadura militar, a decisão dos vereadores de São Carlos tem um inestimável valor simbólico. Por meio deste ato, um dos mais violentos e sádicos torturadores da ditadura militar – cujo nome foi imposto à cidade por meio de decreto de um obscuro prefeito, no ano de 1980 – em breve, deixará de ser lembrado pelos habitantes de São Carlos: pelos que transitam pela rua, pelos registros dos imóveis, pelas correspondências recebidas por seus moradores etc.
Mais do que isso: todos progressistas e democratas do país que conheceram a brutal atuação desse policial – sempre acobertado e respaldado pelos altos escalões militares –, ficarão aliviados com este ato de justiça reparatória. Depois de quase 29 anos, a vexatória homenagem – conferida ao policial que comandava sessões de torturas nos sinistros porões da Oban/DOI/Codi e que foi agente direto em ações que resultaram nas mortes de combatentes da ditadura – será, finalmente, varrida da cidade.
Simbólica e singular vitória dos democratas e progressistas que reconhecem e respeitam a memória de brasileiros e brasileiras que tiveram suas vidas sacrificadas no combate à ditadura militar. Dupla derrota dos que ainda hoje cultuam a ditadura militar: é escorraçado da cidade de São Carlos o nome de um de seus “heróis”; em seu lugar entra o pequeno e frágil, mas, sempre destemido, “bispo vermelho”, D. Helder Pessoa Câmara.
A decisão dos vereadores de São Carlos – tendo à frente o presidente da Câmara, Lineu Navarro (PT), e apoiada vivamente por entidades em defesa dos direitos humanos, por acadêmicos de várias partes do país, estudante, artistas, jornalistas etc. – deveria se constituir em exemplo para todos legislativos brasileiros. A defesa do “direito à memória e à verdade” deve implicar também a luta pela ressignificação dos nomes de nossas ruas, praças, edificações públicas etc. que hoje cultuam os “heróis” e os patronos da ditadura militar de triste memória no Brasil.
*Professor colaborador da Unicamp

"O PSDB não gosta da Petrobras. Nem do Brasil"


maio 09, 2009

Ahmadinejad e a histeria da direita

Serra atribui falhas no ensino a faculdades de pedagogia

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atribuiu hoje uma cota de responsabilidade pelas falhas no ensino no Estado à "inadequação das faculdades de pedagogia", que, para ele, falham na formação de docentes. Ao anunciar a criação da Escola de Formação de Professores do Estado, Serra criticou o excesso de teoria no currículo do curso. "Onde menos se avançou (na rede pública) foi no aprendizado", disse o governador. "Nas teses de faculdades de pedagogia há pouca coisa útil para melhorar o ensino."

Serra chegou a sugerir um tema para trabalhos acadêmicos na área: "Por que ninguém sabe a tabuada no final da 4ª série?". O governador disse que a tese ajudaria também a averiguar o conhecimento dos professores sobre matemática. "Eu já peguei professor que não sabia a tabuada", disse. O governador recomendou ainda que as instituições privadas de ensino estimulem com bolsas de estudos os alunos que queiram pesquisar "sobre a sala de aula".

Ao discursar sobre a rede de escolas técnicas do Estado, o governador tucano voltou a mirar nas faculdades de pedagogia. "Ninguém vai ter ideia de fazer (uma tese sobre o ensino técnico) porque seria demasiado útil e banal." O secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza, disse esperar que a recém-criada Escola de Formação inspire mudanças nos cursos de pedagogia. "A escola vai influenciar as faculdades de educação", afirmou. "Os professores têm muita teoria e pouca prática."

Ensino técnico

Em meio a elogios a uma das principais bandeiras de seu governo, o ensino técnico profissionalizante, Serra parafraseou o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Na área de ensino técnico e tecnológico estamos fazendo a maior expansão da história de São Paulo. Se fosse o Maluf, diria assim: 'Fizemos mais Fatecs (Faculdades de Tecnologia) do que tudo o que foi feito desde o descobrimento até 2007", disse ele, para depois brincar com uma frase usual de Lula: "Nunca antes na história deste Estado se fez tanta escola".

O governador afirmou ainda que mudará o nome do Centro Paula Souza, que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e Fatecs do Estado. Segundo Serra, o centro ganhará "um nome mais forte", SP Tec. "O pessoal pensa que Paula Souza é uma senhora benemérita, a Tia Paula, que recebe dinheiro de fundações suíças, dinamarquesas, alemãs para ensinar", disse. "Tem de ter um nome mais forte, que é SP Tec. Vai ser (esse o nome) daqui em diante." O centro recebeu esse nome em abril de 1971, em homenagem ao engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza (1893-1917), fundador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
http://br.noticias.yahoo.com/s/05052009/25/manchetes-serra-atribui-falhas-no-ensino.html

A esquerda e a crise


Quilapayún (con Victor Jara) - Plegaria a un labrador

maio 03, 2009

Taiguara - Que as Crianças Cantem Livres

Os russos estão voltando (II)

O nexo entre teoria e prática no marxismo

Verde que te quero verde

A beleza da floresta dentro e fora do Brasil. No Brasil estão 65% da selva. Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa também se orgulham do encanto da floresta. Sua preservação é a garantia da sobrevivência do bicho homem na terra.

Verde que te quero verde

Preservar a floresta amazônica é preservar a vida humana na terra. É uma condição inadiável, frente ao futuro da humanidade. Nas basta somente a intervenção estatal, é preciso uma consciência ecológica e ações de todos, no sentido de preservar o patrimônio de todo a humanidade.

Ilha das flores

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