Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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novembro 29, 2008

Tucanos dão exemplo de ética na Paraíba

É impressionante como a ética tucana é algo muito especial. Vejam o caso do governador Cássio Cunha Lima, filho de Ronaldo Cunha Lima, que também foi governador do Estado e que como maior legado nos deixou o atentado a tiros que praticou contra Tarcisio Burity, seu antecessor. O Cunha Lima pai entrou num restaurante e deu três tiros à queima roupa em Burity. E ainda continua por aí livrinho da silva.

Seu filho, que eu saiba, ainda não deu tiros em ninguém. Mas fez uma campanha de reeleição onde distribuiu mais de 30 mil cheques de um programa social durante o período eleitoral. O que todos os tribunais estão considerando uso da máquina pública. Por isso, está sendo cassado.

Mas com a ajuda da “ética” direção nacional do seu partido e com um jeitinho aqui e outro ali, tem escapado. Agora mesmo, conseguiu mais uma liminar para se manter no cargo.

Além disso, quando achou que estava na “roça”, Cunha Lima (o filho) articulou seus aliados na Assembléia Legislativa e aprovou aumento para boa parte dos servidores. Tudo para inviabilizar o governo de seu sucessor.

Mas, isso está sendo tratado como um problema local. E no limite como notícia. Sem a indignação que costuma invadir a pena de alguns articulistas quando se trata de um petista ou comunista. A indignação seletiva da mídia é algo comovente.

do blog do Rovai

Tucano acusado de chacina de Unaí (MG) é condecorado

O atual prefeito de Unai (MG), Antério Mânica (PSDB) é um dos acusados do assassinato de três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho.

Pra relembrar a história, os auditores estavam investigando a fazenda dos Mânica, que desrespeitavam inúmeras leis trabalhistas. Dessas investigações, já haviam sido emitidas multas de aproximadamente 2 milhões de reais. Ao irem a Unaí para novas investigações, os auditores acabaram sofreram a emboscada que lhes levou à morte.

O motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local com o carro. Mas, no Hospital de Base de Brasília, não resistiu e faleceu. Antes, porém, de morrer, declarou que o carro onde estavam havia sido interceptado por um automóvel com homens fortemente armados que teriam descido e fuzilado os fiscais. Eram eles: Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages.

Em julho de 2004, apenas seis meses após o crime, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deram por encerradas as investigações. Elas levaram ao indiciamento de nove pessoas acusadas de envolvimento. Alguns como mandantes e outros como intermediários e executores. Entre eles, o atual prefeito de Aguaí, Antério Mânica, e seu irmão Norberto, que estão entre os maiores produtores de feijão do Brasil e do mundo.

Para ter imunidade no processo, Antério se candidatou a prefeito em 2004 pelo PSDB, o partido da mídia e de Aécio em Minas. E se elegeu. Agora, em outubro último, com bem menos votos do que da primeira vez, reelegeu-se.

E pelos bons serviços prestados ao tucanato e por conta de sua conduta ilibada foi condecorado na segunda-feira passada com medalha de honra legislativa pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Trata-se de uma história asquerosa que deveria provocar indignação coletiva na mídia. Claro, se tivéssemos uma mídia que não fosse absolutamente comprometida com um segmento da política, no caso específico, com o PSDB.

Aliás, falando em PSDB, o candidato a prefeito dos tucanos de Jundiaí foi cassado em cinco processos na justiça por uso da máquina pública. Você leu isso nos jornalecos?

E, venhamos, a cassação de Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, também está sendo tratada de uma forma tão carinhosa, mas tão carinhosa, que até parece que ele vem sendo vítima de perseguição judicial. Cassação, aliás, que se deu por unanimidade no STF.

PS: Meu colega blogueiro e, mineiro, Hudson Lacerda alerta que a medalha contribui para reduzir a pena no caso da condenação do Antério. É o crime sendo premiado da forma mais escrota possível.
Do Blog do Rovai

novembro 28, 2008

Bancos recebem ajuda de US$ 4 trilhões. E o resto do planeta?

Estudo destaca que já foram empregados, para o auxílio às instituições financeiras, mais de quatro trilhões de dólares, um valor quarenta vezes superior ao que se investe para combater a pobreza e a mudança climática. Os US$ 152,5 bilhões investidos pelos EUA para o resgate de uma só empresa, a AIG, supera longe os 90,7 bilhões de dólares que esse país e os europeus destinaram à ajuda para o desenvolvimento em 2007.

novembro 22, 2008

Éric Toussaint analisa a interligação das crises

Menos lucros, mais salários

Obama e a mídia: quanta bobagem dita!

Meu Deus, quanta bobagem vi na mídia sobre a vitória de Obama. Que finalmente se tornou realidade o sonho de Martin Luther King e até que a vitória de Obama sepultou o racismo nos Estados Unidos. Houve a exaltação da democracia americana e não faltou quem comparasse Obama a Lula, os dois pobres que fizeram sucesso. Para boa parte da mídia, Obama é o verdadeiro salvador, aquele que vai pôr ordem na casa. Infelizmente, o sonho de Martin Luther King ainda não se realizou, o racismo está longe de terminar na América, a democracia americana não tem nada de democracia verdadeira, os mercados não acham Obama o salvador (as bolsas caíram ontem) e Barak tem muito pouco do presidente Lula.

Tenho de dar a mão à palmatória: a mídia brasileira esteve entre as melhores, embora também tenha falado muita besteira (se bem que ainda falta a Veja, com as suas pérolas). O The New York Times, que apoiou Obama, ficou com a medalha de ouro. Entre outras, o colunista Thomas L. Friedman disse ontem, em artigo, que a vitória de Barak decretou o fim da Guerra Civil que, no século 19, de cunho abolicionista, ainda não era questão resolvida na América. Outros, entre os quais nossos analistas políticos, como Merval Pereira, fizeram coro a isso e também exaltaram a democracia americana, que, segundo ele, provou ser a única verdadeira e onde tudo e possível. Bobagens da mídia que não se sustentam.

O racismo está mais do que vivo, vai incomodar muito ainda, e a democracia americana é uma ficção presente apenas no imaginário popular. A maioria branca votou em Obama porque quer se livrar dessa desgraça que viu cair sobre sua cabeça, com a crise financeira, ameaçando usurpar-lhe aquilo que ela tem de mais precioso, os bens e suas propriedades. Quando viu que o branco McCain era continuação de Bush, o americano branco, assaltado nos bolsos, não hesitou em apostar todas as fichas num negro, naquele momento a única esperança de salvá-lo.

Não há um branco nos Estados Unidos que, ao estar se afogando, hesite em agarrar a mão de um negro que lhe seja estendida para salvá-lo. Nessa hora, não existe preconceito racial. Foi assim que a América Branca agarrou-se a Obama: para se salvar. Em resumo, não foi Obama quem venceu a eleição, mas sim a Cruzada AntiBush, que quer salvar a América da crise. Os Estados Unidos vão continuar sendo, por muito tempo, o país mais preconceituoso do planeta.

Afinal, fora Bush quem deixara a coisa chegar a esse ponto, principalmente porque não entende nada de economia e não soube nem mesmo acender o pisca-alerta quando preciso. Permitiu que baladas financeiras corressem soltas em plena luz do dia, cego para o que estava acontecendo. E o capitalismo norte-americano entrou então em colapso, não vai ser nada fácil resolver a parada.

Está claro que, se Obama não der conta do recado e não salvar a pele do americano, será execrado duplamente, por ser negro e incompetente. Você ainda tem dúvida?

E Obama não tem nada de Lula. Se há alguma semelhança nas carreiras, ela está no que acaba de acontecer na recente eleição municipal de São Paulo, em que tivemos a derrota de Marta Suplicy. Da mesma forma que não foi Obama quem ganhou, mas sim a Cruzada AntiBush, também não foi Gilberto Kassab quem ganhou em São Paulo, mas sim a rejeição a Lula e ao PT.

Não no ABC, mas na Capital, existe um antipetismo desenfreado. Os patrões das grandes indústrias do ABC, bem como os executivos de primeiro e segundo escalão (enfim, a classe dominante), moram em Sampa, com seus carrões, apartamentos e casas de luxo. E sempre odiaram Lula por ele ter feito as célebres greves que desestabilizaram a produção, nos anos 70 e 80. Desde aquela época, Lula é mais odiado do que amado pelos paulistanos. Já os trabalhadores do ABC moram mais no ABC, onde o apoio a Lula é muito grande, a rejeição é bem menor.

Na verdade, Lula é o pai do grande movimento sindical dos anos 70, que encheu muito o saco das classes dominantes. O preconceito emergiu justamente daí. Como têm a grande mídia a seu lado, as classes dominantes disseminaram entre os paulistanos, em que predomina a classe média, a idéia de que Lula, socialista e ainda por cima nordestino, desestabilizou o setor industrial do ABC com suas greves. Como essa faixa é altamente preconceituosa, forjou-se um antipetismo, ou melhor, um anti-lulismo que acabou se tornando crônico na Capital e até hoje é muito forte.

De repente, entra em cena uma sexóloga que, rica e burguesa, prometia esvaziar esse antipetismo: Marta Suplicy. Para chegar lá, precisava fazer uma brilhante administração na Prefeitura, sepultando finalmente o preconceito contra Lula. Mas, sem dinheiro para fazer obras e ingênua em matéria de política, instituiu o imposto do lixo. E, arrogante, começou a falar muita abobrinha, tornando-se antipática, até chegar ao indefectível “relaxe e goze”, durante a crise no setor aéreo. Resumo da ópera: em vez de diluir o antipetismo na Capital, acirrou-o ainda mais.

Aí, Marta volta para tentar a reeleição e toma de lavada. Não foi Gilberto Kassab quem ganhou e acabou guindado a político de primeira linha, com pretensões a se tornar presidenciável. Foi o antipetismo que a população paulistana tornou vitorioso mais uma vez nas urnas, tanto que o apoio rasgado de Lula a Marta, principalmente no segundo turno, só ajudou a derrubar ainda mais a candidatura dela. Por que Alckmin nem chegou perto? Porque o paulistano tem raiva dele, por não ter dado nem pro cheiro, contra Lula, na última eleição presidencial. Alckmin simplesmente deixou de atender ao maior anseio da maioria da população paulistana, que era ver Lula longe do poder.

Enfim, é só nisso que Obama e Lula se assemelham. Ele não foi o primeiro negro que se tornou presidente dos EUA, foi o branco Bush que saiu escorraçado dela, da mesma forma que não foi Kassab o vitorioso, mas sim o petismo que se viu banido de São Paulo, até quando não sei. É preciso aceitar isto: o sonho de Luther King ainda não se realizou. Realizar-se-á só no dia em que, no pau-a-pau, um negro bater um branco e chegar à presidência dos EUA, sem crise para ajudar.

E agora Obama tem essa difícil missão de salvar o capitalismo americano sem arranhar o restante do mundo. Quero ver como vai se sair dessa. Era o meu candidato (também sou cidadão estadunidense), mas, qualquer que fosse, branco ou negro, teria esse mesmo rojão pela frente, uma parada pra lá de indigesta. Abraços a todos, Tom Capri.

novembro 18, 2008

Roda Viva, TV Cultura

Veja no endereço http://www.rodaviva .fapesp.br o projeto "Memória Roda Viva", uma iniciativa conjunta do Labjor/Unicamp, Fapesp, Fundação Padre Anchieta e Nepp/Unicamp que disponibilizará , na íntegra, todas as
entrevistas feitas pelo programa "Roda Viva" da TV Cultura. O programa, no ar desde 1986, apresenta semanalmente entrevistas com personalidades, brasileiras e estrangeiras, de diferentes áreas e tendências político/ideoló
gica, com total liberdade de opinião e de escolha dos entrevistados e entrevistadores, só possível numa emissora pública como
a TV Cultura, o que transformou o "Roda Viva" num importante painel do pensamento contemporâneo. O projeto prevê, além de finalizar a inclusão de todas as entrevistas feitas nesses 21 anos, a atualização constante do site com as novas entrevistas, e tem como objetivo disponibilizar o conteúdo - textos integrais acrescidos de verbetes, referências, fotos e pequeno vídeo - possibilitando acesso livre para pesquisadores, estudantes e interessados em geral, num sistema de fácil navegação. Objetiva-se, também, criar um registro importante da história recente,
assegurando sua preservação definitiva.

Tem muita coisa boa mesmo...
Destaque para "Dona Zica da Mangueira", "Octavio Ianni", "Mészaros", "Aziz Ab'Saber", "Celso Furtado", "Dom Tomás Baduíno", "Dom Pedro Casaldáliga", "Fabio Konder Comparato", entre outros.


Boa leitura e análise,

novembro 15, 2008

Darfur : Genocide in face

Uma carta de agradecimento do Darfur


Nyala, South Darfur, 20 de Abril de 2008

Saudações a todos amigos e colaboradores:

A escola básica, construída com ajudas dos colaboradores da Campanha porDarfur, das Revistas Além Mar e Audácia e dos grupos de jovens Combonianos, está agora a funcionar com 294 alunos – cristãos, muçulmanos e animistas, do 1º ao 5º ano. Os quatro professores foram escolhidos com base no seu empenho de serviço voluntário e suas qualificações de estudos da escola secundária. São eles os responsáveis pelo projecto escolar, que engloba não só o ensino mas também a refeição (sandes) e limpeza diária. A modo de voluntários, não recebem salário oficial mas sim um incentivo. São eles Santino Wol, Leila Younis, Michael Ayat, William Dhel (casado e 2 filhos), com idades compreendidas entre os 25 e 35 anos.

A população de Bileil expressa a sua profunda gratidão por ter, finalmente, uma escola a funcionar "não só por fora mas também por dentro" – como me dizia o Khamis, aluno do 4º ano que, deixou o seu agradecimento de uma forma que me impressionou. "Muitos de nós temos experiência da escola debaixo de uma árvore e a escrever com o dedo na areia, mas desta vez vai ser diferente, graças à Igreja e aos missionários, – disse.

Penso que ninguém discordará da atitude do Khmais. De facto, uma escola com bancos, livros, quadro preto, lápis, etc, oferece mais possibilidades, em todos os sentidos. Estas três centenas de alunos sabem que esta nova possibilidade lhes vem, graças ao apoio solidário da "Campanha porDarfur" e dos grupos de jovens e leitores das revistas combonianas Audácia e Além Mar.

O pai do Juma, aluno do 1º ano, veio trazer o seu agradecimento: "ainda bem que a gente da tua terra é rica para nos poder ajudar". Do modo como me olhou, sei que não ficou convencido quando eu lhe tentei explicar que as pessoas que os estão a ajudar, não são tão ricas de dinheiro quanto de coração. No entanto, os pais desses mesmos alunos também dão mostras de que, não sendo ricos de dinheiro são ricos de coração. De facto, eles contribuem com o que lhes está a ser pedido, compromentendo-se a pagar quase um quarto do pão da sandes diária que os seus filhos comem na escola. Nós chamamos-lhe um contributo simbólico; no entanto, para eles é realidade. E para muitos deles – diga-se de passagem – será a única refeição do dia.

Até à poucos anos povoado por darfurianos de tribos misturadas, Bileil era uma aldeia de 1.700 habitantes.

Actualmente Bileil confina com Kalma, actualmente um dos maiores campos de desalojados no mundo, com dezenas de milhares de refugiados do Darfur.

Há Janjaweed por todo o lado e a segurança é nula. A maioria das pessoas já não estar interessada em continuar a fugir para o Sul. Não há garantias de nada. "Se não podemos continuar – diz o Majok, resignado – tentaremos resolver vida aqui em Bileil, mesmo com a morte constantemente à nossa frente". »

Feliz da Costa Martins, Missionário Comboniano

Nyala, South Darfur

novembro 09, 2008

O circulo vicioso do sistema bancário

A política ficou maior que o mercado. Até quando?

O sonho americano perdeu o crédito bancário e foi buscar amparo nas urnas: os norte-americanos elegeram Barack Obama com a responsabilidade de tornar a política maior que o mercado. Sobretudo, maior que os interesses condensados pela agenda neoliberal predominante no país e no mundo nos últimos 30 anos e que agora se esfarelou.

FRANÇOIS CHESNAIS

Escola e democracia

A escola pública é o espaço da criação e do exercício da democracia. Democracia essa que se abre ao seu entorno para a participação da comunidade nas decisões diretas da escolha de seu dirigente máximo: o diretor. Sem lista tríplice, o mais votado é designado diretor para um mandato de 3 anos. A comunidade, nesse exercício de cidadania pode ampliar sua participação direta, de forma efetiva, nos conselho de escola e decidir os rumos que a escola vai ter. Basta ter consciência e atitude política para tal fim. Afinal, a escola está localizada em uma determinada comunidade, onde os moradores podem e devem somar nas decisões da escola. Feliz a escola que se abre a essa comunidade.

novembro 06, 2008

julgamento para os torturadores‏

Foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF) a polêmica sobre os agentes da ditadura de 1964-1985 que cometeram torturas e assassinatos. O ministro Eros Grau é o relator na Arguição apresentada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. A consciência democrática brasileira espera que não prevaleça a visão do recente parecer da AGU (Advocacia Geral da União), que advogou em favor de acusdados de tortura.
O parecer da Advocacia foi apresentado na Justiça de São Paulo, em processo onde o Ministério Público Federal (MPF) acusa os coronéis da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel de comandar a tortura, morte e ''desaparecimento'' de 64 pessoas, quando chefiavam o DOI-Codi de São Paulo, de sinistra memória, no início dos anos 70. Os advogados da AGU alegaram que eram crimes prescritos, além de cobertos pela Lei de Anistia de 1979.
Logo se ergueram numerosas vozes em contrário, na sociedade e dentro do próprio governo – como as dos ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Tarso Genro (Justiça) e Dilma Rousseff (Casa Civil). A Advocacia Geral, um órgão do Executivo Federal, tentou uma canhestra defesa de si própria com a nota intitulada ''AGU não defende coronéis acusados de tortura em ação do MPF''.
Melhor será que o órgão conduzido por José Antônio Dias Toffoli dê a mão à palmatória e recolha o parecer infeliz. Compete à Advocacia Geral da União advogar as causas da República democrática, jamais as tenebrosas e indefensáveis causas da ditadura.
Crimes de lesa-humanidade como a tortura e assassinato de prisioneiros – às vezes com requintes de selvageria, como a degola de guerrilheiros do Araguaia – não prescrevem. Quanto à Lei de Anistia de 1979, da lavra do governo do último ditador, general João Batista Figueiredo, é certo que tratou de proteger os torturadores e assassinos ao estender seus efeitos aos ''crimes conexos''. Mas, ao livrar os crimes de punição, não apaga os fatos criminosos.
Ora, o que o MPF reclama da Justiça de São Paulo e a OAB argui junto ao Supremo é tão somente o reconhecimento dos crimes dos agentes do regime mais liberticida. Não se pretende encarcerar o coronel Ustra e seus homens mas apenas proclamar que cometeram crimes, repugnantes, que o Brasil democrático repudia e não esquece, ainda que não os castigue.
Este clamor é justo e oportuno. Faz quase um quarto de século que a ditadura sucumbiu, na esteira da extraordinária Campanha das Diretas Já. O Brasil formou uma outra geração de militares, com outra concepção estratégica e outras prioridades que nada têm em comum com a faina horrenda dos DOI-Codis. Para os brasileiros deste século, todos eles, importa que os horrores dos anos de chumbo venham à tona, os arquivos sejam abertos; que os combatentes antiditatoriais tenham a sepultura e a reverência que merecem, que seus carrascos, expostos à luz como o vampiro da fábula, deixem de nos assombrar. É o que se espera e se reclama da Justiça.
In, O Vermelho.

O Juiz e o roubo das melancias

Despacho de um Juiz de Palmas, Tocantins Interessante......
Vejam o caso do despacho deste Juiz de Palmas, Tocantins: A Escola Nacional de Magistratura incluiu, nesta sexta feira (30/06), em seu banco de sentenças, o despacho pouco comum do Juiz Rafael Gonçalves de Paula, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas, em Tocantins. A entidade considerou de bom senso a decisão de seu associado, mandando soltar Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, detidos sob acusação de furtarem duas melancias:

DECISÃO 'Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha,que foram detidos em virtude do suposto roubo de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça opinou pela manutenção dos indiciados na prisão. Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Gandhi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito Alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados e dos políticos do mensalão deste governo, que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional)... Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário, apesar da promessa deste Presidente que muito fala, nada sabe e pouco faz. Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia... Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra... E aí? Cadê a Justiça nesse mundo? Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas. Não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.... SIMPLESMENTE MANDAREI SOLTAR OS INDICIADOS... QUEM QUISER QUE ESCOLHA O MOTIVO!
Expeçam-se os alvarás de soltura. Intimem-se'.
RAFAEL GONÇALVES DE PAULA
Juiz de Direito

novembro 03, 2008

As eleições e a responsabilidade do intelectual para com a verdade – Doze razões para rejeitar Obama e apoiar Nader/McKinney

Doze razões para rejeitar Obama

1- Obama pública e reiteradamente promete escalar a intervenção militar dos EUA nos Afeganistão, aumentando o número das tropas estado-unidenses, expandindo as suas operações e empenhando-se em sistemáticos ataques trans-fronteiriços. Por outras palavras, Obama é mais fomentador da guerra do que Bush.

2- Obama declarou publicamente que o seu regime estendera a "guerra contra o terrorismo" através sistemáticos ataques em grande escala, por terra e por ar, ao Paquistão, portanto escalando a guerra para incluir aldeias e cidades consideradas simpáticas à resistência afegã.

3- Obama opõe-se à retirada das tropas estado-unidenses no Iraque preferindo a sua redisposição; a relocalização das tropas dos EUA das zonas de combate para posições de treino e logística, condicionada à capacidade militar do exército iraquiano para derrotar a resistência. Obama opõe-se a uma data claramente definida para a retirada das forças estado-unidenses no Iraque porque estas tropas são essenciais para prosseguir suas políticas gerais no Médio Oriente, as quais incluem confrontações militares com o Irão, Síria e Sul do Líbano.

4- Obama declarou seu apoio incondicional à posição do lobby pró Israel e às políticas de expansionismo colonial e belicosas do estado judeu. Ele prometeu apoiar ataques militares israelenses seja qual for o custo para os EUA. O seu abjecto servilismo a Israel foi evidente no seu discurso na conferência anual da AIPAC, em Washington, 2008. Conselheiros principais que têm antigas e notórias ligações aos escalões de topo das fábricas de propaganda sionista e aos presidentes da Leading Jewish American Organizations escreveram o discurso e formularam a sua política para o Médio Oriente.

5- Obama prometeu atacar o Irão se este continuar a processar urânio para os seus programas nucleares. Por duas vezes, poucas semanas antes das eleições, o candidato companheiro de Obama, Joseph Biden, explicou uma série de "pontos de conflito" (incluindo Irão, Afeganistão, Paquistão, Rússia e Coreia do Norte) enfatizando que Obama "responderia vigorosamente". Entre os conselheiros senior de Obama para o Médio Oriente incluem-se sionistas importantes como Dennis Ross, estreitamente ligado ao "Bipartisan Policy Center", o qual publicou um relatório que serve como um plano para a guerra contra o Irão. A oferta de Obama para negociar com o Irão é pouco mais do que um pretexto para a emissão de uma ultimatum ao Irão para abdicar da sua soberania ou enfrentar um assalto militar maciço.

6. Obama apoia incondicionalmente a expulsão de palestinos cometida por Israel e a expansão de colonatos judeus na Cisjordânia, a principal causa da hostilidade, guerra e descrédito da política estado-unidense na Médio Oriente. Com três dúzias de "Israel em primeiro lugar" (Israel-Firsters) entre os principais organizadores da sua campanha, conselheiros políticos de topo, redactores de discursos e entre os prováveis candidatos para posições ministeriais, não há virtualmente nenhuma esperança de "influenciar a partir de dentro" ou de "aplicar pressão popular" para mudar a servil submissão de Obama à Configuração do Poder Sionista. Ao apoiar Obama, os "intelectuais progressistas" são, com efeito, aliados dos seus mentores sionistas.

7- Na frente interna, os conselheiros económicos chave de Obama têm credenciais da Wall Street impecáveis. Ele deu endosso cego e imediato ao salvamento de US$700 mil milhões com dinheiro dos contribuintes, do secretário do Tesouro Paulson, aos mais ricos bancos de investimento dos EUA. Obama sequer desafiou Paulson ou os bancos quanto à utilização dos fundos federais para buyouts e aquisições ao invés de serem usados para empréstimos e créditos a produtores e proprietários de casas. O endosso de Obama ao salvamento de Paulson e da Wall Street é equivalente às suas misérrimas propostas para suspender arrestos por um período de três meses, durante as re-negociações dos pagamentos de juros. Obama propõe aumentar as transferências de fundos do governo para instituições financeiras mal administradas e corporações capitalistas em bancarrota, em esforços para salvar o capitalismo fracassado ao invés de defender quaisquer novos programas de investimento público em grande escala e a longo prazo os quais gerariam empregos bem pagos para os trabalhadores.

8- A equipe económica de Obama declarou abertamente abraçar e praticar a ideologia do "mercado livre" e a sua oposição a qualquer esforço para aplicar injecções de fundos governamentais em grande escala em actividade produtivos do sector público e em serviços sociais diante do fracasso generalizado, a corrupção e o colapso do sector privado.

9- Obama abraça os fracassados planos de saúde do sector privado, dirigidos e controlados por companhias corporativas de seguros, médicos conservadores, associações de hospitais e a grande indústria farmacêutica. Ele rejeita publicamente um programa universal nacional de saúde modelado de acordo o bem sucedido programa Federal Medicare, preferindo os ineficientes planos privados lucrativos subsidiados pelo estado que são custosos e para além dos meios de um terço das famílias dos EUA.

10- Obama é e continua a ser um advogado da Big Agro e do seus altamente subsidiados e lucrativo programa etanol, o qual aumentou os preços dos alimentos para milhões nos EUA e para centenas de milhões no mundo.

11- Obama advoga a continuidade do embargo criminoso contra Cuba, a confrontação hostil contra o populista presidente Chávez da Venezuela e outros reformadores da América Latina e a política dúplice de promover o proteccionismo internamente e o acesso ao livre mercado na América Latina. Seus conselheiros políticos chave sobre a América Latina propõem mudanças cosméticas no estilo e na diplomacia mas um apoio implacável para a reafirmação da hegemonia dos EUA.

12- Obama não propôs, nem tão pouco seus conselheiros de livre mercado e os multimilionários das finanças que o apoiam, qualquer plano abrangente ou estratégia para escaparmos ao aprofundamento da recessão. Ao contrário, o rol de medidas fragmentárias apresentadas por Obama não têm consistência interna. A austeridade fiscal é incompatível com a criação de empregos; o salvamento da Wall Street drena fundos do investimento produtivo; e prosseguir novas guerra mina a recuperação interna.
Por James Petras
O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=10749

Linguagem acadêmica

QUANDO SE TEM DOUTORADO

O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea accharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e restas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilasgustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da altaviscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apismellifera. (Linneu, 1758) No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.

QUANDO SE TEM MESTRADO

A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando- se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO

O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando- se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.

QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.

QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.

QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO
Rapadura é doce, mas não é mole, não!

novembro 01, 2008

O Estado: novamente salvador?

Depois que também esta ilusão estourou e o mercado falhou grandiosamente, repentinamente pretende-se que o Estado seja novamente o salvador. Só que o problema não pode mais ser resolvido com nova inundação monetária por parte dos bancos centrais estatais, mediante uma convencional redução da taxa de juros. Acontece que esse tipo de inundação monetária sempre ainda pressupõe a ficção de uma "cobertura" por processos reais de valorização, a qual já se tornou ilusória. Os bancos comerciais somente ainda conseguem depositar nos bancos centrais "garantias" que deixaram de sê-lo, porque consistem em grande parte de títulos podres. Isto impede que se inflem novas bolhas financeiras da forma convencional. O colapso dos créditos hipotecários somente foi o catalisador de um processo de desvalorização de todo o capital financeiro, que vai muito além. Por isso, agora, a crise é elevada ao nível da "última instância", isto é, das próprias finanças públicas. Só que o Estado não é um demiurgo independente das leis da valorização do capital. Já no ano fiscal recém-passado, a dívida pública dos Estados Unidos triplicou ainda antes da recente crise dramática; e, no caso de se invocarem as garantias estatais concedidas em todo o mundo, o resultado somente pode ser uma grande crise das finanças públicas. O Estado não pode estancar a desvalorização, mas apenas administrá-la; ou em forma de deflação, caso ponha limite em seu próprio endividamento, ou em forma de inflação, caso saia imprimindo cédulas sem toda e qualquer "cobertura". Nesta situação nova na História, talvez até ocorram processos deflacionários e inflacionários em paralelo. (Robert Kurz)

Dinheiro x Dólar

No século XX, o dinheiro e todo o sistema monetário emanciparam-se definitivamente do ouro como mercadoria monetária real – na aparência; o último lance dessa emancipação foi o abandono da convertibilidade do dólar em ouro em 1973. Isto se correlaciona com o fato de que, no período subseqüente, o capital monetário também se desacoplou cada vez mais da real produção de mercadorias. O crédito inflado gerou não só formidáveis montanhas de dívidas, que sempre precisavam ser "roladas", mas adquiriu uma forma de circulação independente de títulos financeiros (ações, títulos hipotecários, derivativos), onde se criaram valores fictícios de dimensões astronômicas. Na ótica positivista, tratava-se simplesmente de "fatos" que pareciam fundamentar-se a si próprios. Até mesmo teóricos da esquerda explícita ou implicitamente abandonaram a teoria marxista do dinheiro e do crédito, porque na aparência ela estava refutada empiricamente.

(Robert Kurz)

A questão do crédito e dos juros

O crédito emana da subdivisão do capital em capital de produção ou capital-mercadoria, por um lado, e capital monetário ou capital-que-rende-juros, por outro. A duplicação da mercadoria em "mercadoria vulgar" (gemeiner Warenpöpel) e dinheiro como "mercadoria régia" repete-se no nível do capital. Na economia burguesa, não existe conexão sistemática entre teoria monetária e teoria do crédito. A noção do dinheiro como "véu" e mero signo encontra-se em contradição com a noção do capital monetário a gerar lucros, como uma espécie de produção sui generis de mercadoria. Grosso modo, fazem de conta que a "indústria financeira" seria uma produção de mercadorias tão real quanto, por exemplo, a indústria automotiva. O juro parece uma forma independente de valor agregado. Marx, em contrapartida, mostra o caráter ilusório dessa noção. Ele comprova que o crédito, ou capital que gera lucros, é apenas uma forma derivada, sem formação própria de valor. O juro é o preço da função capitalista do crédito, preço este que precisa ser subtraído do valor social agregado da real produção de mercadorias. Na estatística burguesa, em contrapartida, os "produtos" do capital monetário são somados ao produto social, com o que se distorce o quadro real de valores.

(Robert Kurz)

A questão do crédito e dos juros

O crédito emana da subdivisão do capital em capital de produção ou capital-mercadoria, por um lado, e capital monetário ou capital-que-rende-juros, por outro. A duplicação da mercadoria em "mercadoria vulgar" (gemeiner Warenpöpel) e dinheiro como "mercadoria régia" repete-se no nível do capital. Na economia burguesa, não existe conexão sistemática entre teoria monetária e teoria do crédito. A noção do dinheiro como "véu" e mero signo encontra-se em contradição com a noção do capital monetário a gerar lucros, como uma espécie de produção sui generis de mercadoria. Grosso modo, fazem de conta que a "indústria financeira" seria uma produção de mercadorias tão real quanto, por exemplo, a indústria automotiva. O juro parece uma forma independente de valor agregado. Marx, em contrapartida, mostra o caráter ilusório dessa noção. Ele comprova que o crédito, ou capital que gera lucros, é apenas uma forma derivada, sem formação própria de valor. O juro é o preço da função capitalista do crédito, preço este que precisa ser subtraído do valor social agregado da real produção de mercadorias. Na estatística burguesa, em contrapartida, os "produtos" do capital monetário são somados ao produto social, com o que se distorce o quadro real de valores.

(Robert Kurz)

Pinturas na calçada

Ilha das flores

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