Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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janeiro 31, 2009

“Se um outro mundo possível é com Barack Obama, então não há outro mundo”

Por Glauco Faria, Revista Fórum

A atual crise econômica resultará em uma saída socialista ou bastará uma maior intervenção do Estado para resolvê-la? Para o sociólogo belga Eric Toussaint, o momento atual exige uma resposta rápida da esquerda mundial.“É uma crise do sistema capitalista, não do modo neoliberal capitalista. E identificar isso é um ponto fundamental para definir uma estratégia de ação, que é um debate crescente no FSM”, argumenta..
Presente na mesa "A convergência das crises e a crise de civilização", Toussaint discordou ainda de um dos criadores do FSM, Oded Grajew, que declarou a um jornal do Pará que o presidente estadunidense Barack Obama poderia participar do Fórum e seria bem vindo. “Parece que existe uma confusão total sobre a caracterização do governo Obama, do tipo de crise que enfrentamos e da solução que a humanidade precisa”, pondera. “Se um outro mundo possível é com Barack Obama, então não há outro mundo. É necessário uma ruptura com o sistema capitalista, um retorno a mais regulação do Estado na economia é o que pretende quem quer salvar o capitalismo”, completa.
O sociólogo também criticou o fato da crise alimentar iniciada em 2007 ter tido tão pouco destaque de parte da mídia em relação à crise financeira. “Nos meios de comunicação do norte é a crise financeira que tem prioridade, mas para a maioria dos povos do sul é a alimentar, já queaa maioria da população mundial gasta 70% de seu salário para se alimentar. Passaram de 800 milhões pra mais de 960 milhões sofrendo fome no mundo e essa crise é ligada ao sistema capitalista”, esclarece.

janeiro 29, 2009

Democracia aberta

A mídia brasileira tem feito duras críticas ao processo democrático constituído na Venezuela e na Bolívia no tocante à mudança constitucional, que permite aos presidentes dessas nações concorrerem a novo pleito. No Brasil, Fernando Henrique “negociou” com o Congresso Nacional uma emenda constitucional que permitisse a reeleição. Lá, os processos de mudanças constitucionais foram submetidos a referendo popular, aqui, a lei foi sancionada sem o mesmo. Lá, os interesses foram populares, aqui, os interesses foi privado e, isso explica a atuação da mídia.

janeiro 28, 2009

A PALAVRA: INDÚSTRIA BÉLICA X EMPREENDIMENTO CONSTRUTOR

Será que o mundo não viveria melhor se fosse mudo?... melhor dizendo... não o mundo mudo, mas as pessoas. Os sons seriam os das águas correntes nos rios, os das ondas arrebentando na praia, o canto dos pássaros e o uivo dos ventos com o sacudido das copas das árvores respondendo.

A palavra, seja ela escrita ou falada é uma faca de dois gumes. Com ela, poderemos ser vítima ou algoz. Nunca tinha antes confrontado a palavra peito-a-peito, a não ser em minhas reservadas escritas caseiras ou em meu meio de convivência, no qual eu jamais imaginaria que alguém pudesse usá-la contra mim. Acreditava que a palavra era um elemento construtor e disseminador de idéias (desde que usada com responsabilidade), até chegar a uma situação de quase morrer feito peixe: pela boca!

Após um bom tempo de minha vida dominado pela timidez, percebi que o acúmulo de experiência é diretamente proporcional à perda da noção do perigo. Ficamos mais velhos e perdemos o medo de nos expormos. Falamos com convicção e encaramos as situações fazendo uso da palavra como se ela fosse nossa única arma. Esquecemos que o silêncio também fala muito.

Nos filmes policiais sempre tem um que termina ouvindo aquela célebre frase: "Você tem o direito de ficar calado, qualquer coisa que disser poderá ser usada contra você". Eu achava que era coisa de filme, até porque na prática não falam frase alguma, a lei que se aplica é outra.

Por diversas vezes me senti na pele de um bandido de filme... falei coisas inocentemente, sem imaginar que um dia seria o alvo de minhas próprias palavras. O que falamos pode ser facilmente distorcido e usado contra nós mesmos. Se a palavra falada já nos compromete assim, imaginem a palavra escrita... é criar documentos comprobatórios de nosso delito: dizer o que pensamos. Isso não seria um crime em um país onde teoricamente existe a liberdade de expressão, mas esse mesmo país também garante uma democracia para que entendam o que escrevemos de acordo com a conveniência de cada um. Existem pessoas que usam a palavra para destruição. A palavra proferida pode ter o poder de uma bomba com conseqüências devastadoras e pode sofrer um efeito bumerangue. É preciso ter cuidado com o que se diz ou se escreve!

Não podemos esquecer, porém, os poderes virtuosos da palavra. Aquela que chega na hora certa, que abre caminhos, que esclarece e que leva alento a quem precisa. Se lançada para o bem, constrói e o efeito bumerangue que sofre, pode ser um sorriso que recebemos de volta.

(...)

A palavra, assim como o tijolo, pode ser um elemento que constrói, que edifica, mas também pode ser um projétil que atinge a cabeça de uma pessoa e a destrói por completo. Seu uso tem que ser bem pensado, na dúvida, melhor é ficar calado... ao som das águas dos rios.

Do blog de TK Freire

janeiro 27, 2009

"A produção capitalista produz, com a inexorabilidade de um processo natural, sua

própria negação. É a negação da negação." (Marx, O Capital. Livro I - Cap. XXIV)

Tortura e detenção indefinida em Guantánamo se mantêm intactas após medidas de Obama

Publicado em 25.01.2009
por Tom Eley, do wsws.org

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, emitiu ordens para o fechamento da prisão de Guantánamo (em Cuba) por pelo menos um ano, pedindo à Central Intelligence Agency (CIA) e aos militares que seguissem as proibições do Manual do Exército a respeito das torturas e fechando prisões secretas da CIA por todo o mundo.

Enquanto toda a mídia retrata tais medidas como um repúdio às detenções e interrogações policiais feitas pela administração Bush, tais ordens, na verdade, mudam em praticamente nada a situação. Essencialmente, representam apenas um esforço das relações públicas para renovar a imagem dos EUA no exterior, depois de anos de tortura, e uma tentaiva de impedir que um grande número de oficiais do exército sofram processos criminais.

De forma covarde, Obama encenou, ao assinar tais ordens, que assim buscava aplacar os direitos políticos dos defensores da tortura em Guantánamo – ao mesmo tempo em que sublinhava sua intenção de levar adiante a "guerra ao terror" da administração Bush. Estava acompannhado por 16 generais aposentados e almirantes que reivindicaram o fechamento da prisão em Cuba com o argumento de que tal prisão impedia o desenvolvimento da “guerra” no resto do mundo. Em seguida, reiterou sua intenção de seguir o quadro político básico da política externa da administração Bush.

A continuidade dos mesmos pretextos ideológicos para a manutenção e ampliação das guerras e para o ataque aos direitos democráticos evidencia que a estrutura policial do Estado erigida na administração Bush permanecerá intacta. Na verdade, é ainda mais reforçada pelas garantias feitas por Obama de que seu governo não investigará ou julgará os oficiais – incluindo Bush, Cheney, Rumsfeld, Alberto Gonzales e outros – responsáveis pelas políticas de tortura e detenção ilegal.

As medidas de Obama não desfazem os ataques aos direitos constitucionais e às leis internacionais feitos pelo governo Bush. Não foi contestado o suposto direito do presidente de aprisionar arbitrariamente qualquer indivíduo, sem julgamento e sem custódia, declarando-o como um "inimigo de combate". Além disso, não teve fim o procedimento conhecido como "execuções extraordinárias", com o qual supostos terristas foram raptados pelo governo dos EUA, durante os anos Bush, e transportados a países estrangeiros ou prisões secretas da CIA fora os EUA, onde foram submetidos à tortura.

As ordens de Obama também não atingem as centenas de prisioneiros – 600 só na prisão de Bagram, Afeganistão – encarcerados em lugares diferentes de Guantánamo. Se e quando Guantánamo for fechada, o governo dos EUA simplesmente enviará supostos terroristas pegos por sua armadilha internacional a outras prisões no resto do mundo.

Quanto a questão das chamadas "técnicas brutais de interrogatório", ou seja, tortura, as ordens de Obama também deixam intacta a sua continuidade. O cônsul da Casa Branca, Gregory Craig, disse aos jornalistas que a administração estava disposta a acatar as exigências da CIA sobre a continuidade de tais métodos. Obama anunciou a criação de uma força tarefa que estudará novos métodos de interrogatório além dos sancionados pelo Manual do Exército – que agora aceita 19 formas diferentes de interrogatório, bem como práticas extraordinárias de rendição.

O almirante aposentado Dennis Blair, nomeado diretor da inteligência nacional por Obama, disse em uma audiência ao Senado que o Manual do Exército será modificado, potencialmente permitindo formas brutais de interrogatório; mas tais mudanças seriam mantidas em segredo.

Obama também anunciou que a segunda força tarefa considera o destino dos 245 detidos restantes em Guantánamo. No início desta semana, suspendeu os procedimentos da comissão militar da prisão, mas não aboliu as próprias comissões militares.

A administração Obama retirou o único remédio constitucional dos que estiveram submetidos a condições bárbaras por anos – sem libertá-los ou dar-lhes um julgamento num tribunal civil, com todo acompanhamento legal, proteções e garantias. Tem sido alvo de muita especulação a possibilidade do governo Obama estabelecer uma Corte de Segurança Nacional especial dentro de um sistema de tribunal civil para julgar os prisioneiros de Guantánamo e outros supostos terroristas. Isso representaria mais um ataque às liberdades civis, configurando um sistema de tribunal “a toque de caixa” para encaminhar os envolvidos com o “terrorismo” – o que também poderia, no fururo, ser usado para reprimir qualquer oposição política.

Segundo o NBC Nightly News desta quinta-feira (22.01), o novo governo considera manter cerca de 20 detentos de Guatánamo, incluindo 5 supostos organizadores do 11 de Setembro que enfrentam atualmente os julgamentos da comissão militar, encarcerados indefinidamente e sem custódia em um calabouço militar dentro os EUA.

Comentadores têm observado que a administração Obama quer evitar a detenção de não-cidadãos tidos como terroristas, pelo fato de poderem exigir o direito do habeas corpus.

Duas medidas adotadas separadamente por Obama nesta terça-feira e quinta-feira (20 e 22/01) evidenciam claramente a questão que está por trás do fechamento de Guantánamo. Na quinta-feira, Obama pediu uma pausa no pedido de um habeas corpus solicitado ao Supremo Tribunal, alegando unicamente que a pessoa era um “combatentes inimigos” do governo, preso em solo americano (trata-se de Ali al-Marri, do Qatar, a quem Obama chamou de “perigoso”) Os advogados de al-Marri desafiam o direito do presidente em prender indivíduos declarando-os “combatentes inimigos”.

A isto se seguiu o pedido de pausa a recursos semelhantes, feito pela Corte do Distrito Federal, e que poderá mais de 200 prisioneiros de Guantánamo.

Assim, esses dois fatos evidenciam a política de Obama sobre a questão: seu objetivo imediato é travar os processos civis que poderiam revelar-se extremamente prejudiciais ao governo, pois trariam a luz as torturas sistemáticas dos detidos e poderia prejudicar altos oficiais do governo.

[traduzido por movimentonn.org]

janeiro 26, 2009

[2. Premissas da concepção materialista da história]

[p. 3] As premissas com que começamos não são arbitrárias, não são dogmas, são premissas reais, e delas só na imaginação se pode abstrair. São os indivíduos reais, a sua acção e as suas condições materiais de vida, tanto as que encontraram como as que produziram pela sua própria acção. Estas premissas são [p. 4], portanto, constatáveis de um modo puramente empírico.

A primeira premissa de toda a história humana é, naturalmente, a existência de indivíduos humanos vivos (11) primeiro facto a constatar é, portanto, a organização física destes indivíduos e a relação que por isso existe com o resto da natureza. Não podemos entrar aqui, naturalmente, nem na constituição física dos próprios homens, nem nas condições naturais que os homens encontraram — as condições geológicas, oridrográficas, climáticas e outras (12). Toda a historiografia tem de partir destas bases naturais e da sua modificação ao longo da história pela acção dos homens.

Podemos distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião — por tudo o que se quiser. Mas eles começam a distinguir-se dos animais assim que começam a produzir os seus meios de vida, passo este que é condicionado pela sua organização física. Ao produzirem os seus meios de vida, os homens produzem indirectamente a sua própria vida material.

O modo como os homens produzem os seus meios de vida depende, em primeiro lugar, da natureza dos próprios meios de vida encontrados e a reproduzir.

[p. 5] Este modo da produção não deve ser considerado no seu mero aspecto de reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se já, isso sim, de uma forma determinada da actividade destes indivíduos, de uma forma determinada de exprimirem a sua vida, de um determinado modo de vida dos mesmos. Como exprimem a sua vida, assim os indivíduos são. Aquilo que eles são coincide, portanto, com a sua produção, com o que produzem e também com o como produzem. Aquilo que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais da sua produção.

Esta produção só surge com o aumento da população. Ela própria pressupõe, por seu turno, um intercâmbio [Verkehr] dos indivíduos entre si(N7) A forma deste intercâmbio é, por sua vez, condicionada pela produção(13).
Marx, in, A Ideologia Alemã

Revista Veja, acervo digital

A Revista Veja está disponibilizando o acesso aos conteúdos das revistas que foram publicadas.
Excelente fonte de pesquisa disponível agora na internet, no link abaixo.

http://veja.abril.com.br/acervodigital/

janeiro 23, 2009

Operação Chumbo Impune

Quem salvará os palestinos?

Sionismo, as armadilhas de origem

Dois artigos publicados há algum tempo pela Folha de S. Paulo, antagônicos e ambos falhos oferecem, em paralelo, bom ponto de partida para a discussão da ideologia do sionismo territorialista e suas implicações. O do jornalista inglês Daniel Finkelstein, reproduzido do The Times de Londres no suplemento Mais! de 11/01/2008, é uma defesa apaixonada do sionismo; o de Mateus Soares de Azevedo (em Tendências / Debates, de 14.01), uma condenação.

Azevedo falha duplamente. Primeiro, ao afirmar que o sionismo seria “uma ruptura com a tradição judaica”, o que não é de modo algum. Segundo, e mais importante, ao condená-lo por critérios morais, usando o termo “egoísmo coletivo”. Qualquer hobbesiano dirá, coberto de razão, tratar-se de uma tautologia, pois é o egoísmo o móvel fundamental das ações tanto de indivíduos quanto de grupos. O que Azevedo não percebe é que o sionismo só pode ser “condenado” a partir da análise de sua essência.

É essa “essência” que Finkelstein se propõe a defender. Após um longo “nariz de cera” (em que não se peja de apelar à figura emblemática de Anne Frank), passa a historiar o sionismo territorialista moderno, a partir de seu patrono, o jornalista húngaro Theodor Herzl, autor de Der Judenstaat (O Estado Judeu), de 1896.

A premissa de Herzl é que os judeus não podem se fiar na “opinião pública mundial” ou na “comunidade das nações”, que sempre assistiram impassíveis às incontáveis perseguições sofridas pelo povo judeu através dos séculos. Os judeus teriam que assegurar sua sobrevivência, como povo e como indivíduos, por seus próprios meios. O que só seria possível com o estabelecimento de seu Estado nacional soberano, para o que Herzl indica a Palestina (então sob domínio turco), local do último Reino de Israel.

Além do livro, considerado o marco inicial do moderno sionismo político, Herzl foi um ativo militante do ideal sionista, que pregou por toda a Europa, além de, como líder do movimento, conduzir negociações com a Turquia e o Egito.

A ideologia territoralista é excludente. Em momento algum Herzl advoga pública e explicitamente o extermínio ou a expulsão violenta dos palestinos não-judeus. Mas deixa claro, em seus diários, que eles deveriam ser “persuadidos a se retirarem”, por meios econômicos como o confisco de suas terras e outras propriedades e a recusa em lhes dar emprego. Ou seja, em instância final Israel deveria ser o lar exclusivamente dos judeus – e inclusiva e idealmente de todos os judeus do mundo, que só ali teriam assegurada sua sobrevivência.

Herzl tampouco define fronteiras específicas para o Estado judeu, referindo-se genericamente à “Palestina”. Mas da mesma forma antevê o caráter necessariamente expansionista de tal Estado, até mesmo para acomodar a desejada imigração em massa. É significativo que, nos documentos oficiais do governo Israelense, o território de Israel engloba hoje toda a Palestina, Gaza, Cisjordânia e Golan incluídas.

Embora Finkelstein compartilhe do equívoco de Azevedo ao afirmar que “a origem do Estado de Israel não está na religião”, é óbvio que as propostas de Herzl estão imbuídas da visão toráica de “povo escolhido” (à exclusão de todos os demais) e de “destino manifesto” – de resto não diferentes da professada pelos proponentes do PNAC, Plano para um Novo Século Americano, que norteou o “bushismo” nos Estados Unidos – a começar pela escolha da “Terra Prometida” para lar do Estado de Israel.

Mas o discurso herzliano é totalmente laico (o que foi desprezado pela “esquerda sionista”, que acedeu em criar Israel como um Estado confessional, vide a Estrela de David em sua bandeira). E seus objetivos, estritamente materiais: terra e poder.

Quer seu criador estivesse consciente delas ou não, as implicações da ideologia sionista territorialista são inescapáveis. E Finkelstein as explicita: “Assim, quando se pede a Israel que respeite a opinião mundial e confie na comunidade internacional, não se está compreendendo o ponto fundamental. A própria idéia de Israel é uma rejeição dessa opção. Israel só existe porque os judeus não se sentem seguros como tutelados da opinião mundial.”

Daí se depreende inevitavelmente que quaisquer “negociações” ou “acordos” não têm valor para Israel, que os usará se conveniente assim como os ignorará se e quando, a seu exclusivo juízo, for necessário para sua segurança. Finkelstein continua sua explanação sem se dar conta de que explicita o que a propaganda sionista tenta ocultar: “Israel entregará suas armas quando os judeus estiverem em segurança, mas não o fará enquanto não estiverem.” E só a Israel compete dizer se a “segurança” foi alcançada ou não, bem como até onde o Grande Israel terá que se estender até então.

Mas o sionismo não recorreu à comunidade internacional, representada pela ONU, para formalizar a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel? Sim, mas por mero oportunismo, valendo-se da “consciência culpada” dos gentios face ao Holocausto e explorando as tensões geopolíticas entre as antigas potências coloniais européias, Inglaterra (já detentora do “mandato palestino”) e França à frente, Estados Unidos e União Soviética, além da divisão entre os países árabes. E só o fez por constatar que o caminho da violência e do terrorismo não levaria à consecução de seus objetivos.

Portanto, por sua própria origem e seu cerne ideológico, o Estado de Israel se definiu como uma nação que despreza a opinião mundial, não reconhece a comunidade internacional e ignora quaisquer decisões colegiadas que não lhe pareçam convenientes.

É por isso que Israel jamais concordará com a criação de um Estado Palestino, que o obrigue a ceder parte de “sua” terra (como na canção-tema do filme Exodus, “Esta terra é minha / Deus deu esta terra para mim”). Certamente é esse o motivo pelo qual Israel nunca hesitou, e nunca hesitará, em promover “limpezas étnicas” e guerras de extermínio, pelas armas ou pelo boicote, assim como não hesita em atacar instalações e veículos da ONU e da Cruz Vermelha Internacional, “intruso” na “minha terra".

Um Estado que nunca acatou uma resolução da ONU, que viola sistematicamente o Direito Internacional, só pode ser convencido por uma política de contenção de força. Dado o poder de veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da Organização, essa é uma proposta impossível, mas o que é a história senão a concretização de impossibilidades? Um jogo vital que põe por terra as certezas positivistas

Em 2004, numa decisão histórica, a Corte Internacional das Nações Unidas, em Haia, decidiu que a parte da barreira de 685 quilômetros que Israel estava começando a construir nos territórios palestinos violava a lei internacional. O então ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, foi categórico: ”O que vai acontecer agora é o seguinte: o assunto vai para a Assembléia-Geral da ONU. Eles podem decidir qualquer coisa. Podem dizer que a Terra é chata. Isto não fará com que a decisão seja legal, verdadeira e justa".

Como se vê, na melhor das hipóteses, o que Israel aceitará como “solução palestina” será um gueto, um território sem soberania, definido pelas alegadas necessidades de segurança e seus imperativos nacionais. Como alternativa à desocupação de Gaza, um Estado virtual? É isso o que propõe o colossal aparato político-midiático sionista? Sujeitar a humanidade a seu planisfério?

Ainda está longe o dia da coexistência de dois Estados na Palestina. Atualmente há uma geração, em Gaza e na Cisjordânia, que conhece apenas a vida no gueto. Jovens que aprenderam, com a última ofensiva israelense, que a existência dos filhos de Ismael só é possível sob o refúgio incerto de uma barricada.

Carlos Eduardo Alcântara Martins é economista.e pesquisador. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.
Artigo publicado em Agência Carta Maior

janeiro 20, 2009

Ma-ringá dos buracos

As eleições se passaram, as coisas estão se acomodando às estruturas do poder público, mas os buracos nas ruas... esses estão cada vez maior. Sem contar as ondulações na malha viária que existe em diversos pontos da cidade, o que provoca desgastes nos carros. Isso é uma vergonha.

O negro em "caminho das índias"

Caminho das Índias começou com a negação do negro. Tão logo apareceu em cena o negro já o foi como um "debilóide", que subiu em uma árvore que e o Dr. ameaçou cortá-la com uma gilete, caso o mesmo não descesse. É, a degradação do negro continua firme no Brasil. É precisa dar um basta e valorizar todos os povos e cultura que edificaram esse país.

janeiro 19, 2009

Gernika, Bagdad, Gaza


Otra vez el fascismo, otra vez la muerte, otra vez la comunidad internacional, otra vez un crimen contra la humanidad. Gernika fue Bagdad hace bien poco tiempo, y hoy es de nuevo Gaza. Imágenes similares: de un lado el fuego, la sangre, las bombas sobre población civil, la destrucción, la rabia y el dolor de quienes sacan a sus hijos de entre los escombros y del otro, los asesinos desde sus aviones y despachos, en este caso los militares israelíes, los presidentes de gobierno de casi todos los países (con excepciones como el venezolano y el boliviano) y los diplomáticos sonrientes que no engañan ya a casi nadie asegurando hacer todo lo posible por lograr la paz en la región.

El sionismo es en los inicios del siglo XXI una de las formas de fascismo más peligrosas no sólo para el pueblo palestino, sino para toda la humanidad. Se trata de un proyecto político basado en el exterminio de otro pueblo para reafirmar su supremacía sobre territorio palestino y en general, sobre todo el mundo árabe. Pero es que además, el proyecto sionista es la punta de lanza del neoliberalismo en Oriente Medio y eso bien lo saben los gobiernos y agencias internacionales que necesitan de Israel para mantener el orden internacional. Por eso llevan 60 años apoyando a Israel y su política genocida, por eso llevan décadas subvencionando todo tipo de mafias y dictaduras en los países árabes para que en contra de sus pueblos sus dirigentes permitan la masacre contra Palestina, por eso los gobiernos occidentales protestan ahora tímidamente sabiendo de la ineficacia de sus declaraciones, algunas incluso enérgicas.

Reconozcámoslo de una vez, nuestro sistema necesita del fascismo, necesita de la muerte y necesita de los crímenes contra la humanidad para garantizar el buen funcionamiento del mercado, el suministro de petróleo, y por supuesto, para mantener los índices de consumo de las sociedades privilegiadas que vivimos a costa de más de tres cuartas partes de la población mundial. No basta con parar la masacre de la población palestina en Gaza, hay que luchar hasta la victoria contra el proyecto sionista porque Israel ha demostrado durante años que es capaz de seguir exterminando a la población e incrementando su ocupación ilegal de territorio palestino en tiempos de supuesta paz. Gaza, y porque en general todo Palestina hace mucho tiempo que es un campo de concentración en el que se practica el exterminio silencioso de la población civil como lo hizo el embargo norteamericano y de toda la comunidad internacional contra el pueblo iraquí durante más de una década.

Otra vez un pueblo, otra vez la vida, otra vez la dignidad sobre la Tierra. Nadie, salvo los pueblos, hizo nada por Gernika ni por Hiroshima o Bagdad; nadie, salvo los pueblos, puede hacer hoy algo por Gaza. Dentro y fuera, defenderse del ejército israelí, denunciar la masacre en todos los medios a nuestro alcance, practicar el boicot contra Israel, asistir a las movilizaciones, exigir a las instituciones democráticas que por decencia corten relaciones con Israel, enviar besos, abrazos y dinero a Palestina, colgar banderas de las ventanas, hacer murales en clase, colocar pancartas de apoyo a Palestina, colaborar con escuelas y universidades palestinas, consensuar iniciativas judiciales para encerrar a los responsables militares y políticos israelíes, organizar y participar en las brigadas de solidaridad con Palestina, resistir militarmente a los tanques en las calles de Gaza... Cuantas veces nos recuerdan las compañeras a su vuelta de las brigadas que en Palestina el simple hecho de vivir es el acto más heroico de resistencia. Ellos, los sionistas que sueñan con la muerte y con la desolación de un territorio que quieren conquistar a toda costa tienen en la vida y en la sonrisa de un niño palestino la peor de sus pesadillas. Nunca acabarán con su sonrisa porque es el futuro.

Sé que es difícil mantener la esperanza entre los más de 1200 cadáveres- antes vidas de mujeres, hombres y niños llenas precisamente de esperanza- y la desolación que el genocidio israelí ha dejado en Gaza, pero Palestina vencerá, y no por los interesados altos al fuego que se quieren apuntar la hipócrita comunidad internacional, sino porque lo que está en juego es la propia dignidad humana. El bombardeo sobre Gernika y los cuarenta años de dictadura no acabaron con los “rojos separatistas”, tampoco la invasión de Iraq y las posteriores masacres que impunemente han cometido las fuerzas estadounidenses de ocupación doblegarán al pueblo iraquí, y por supuesto, Palestina sobrevivirá a los continuos crímenes contra la humanidad cometidos por Israel. Por eso se llaman así, porque la dimensión de semejantes atrocidades no atentan sólo contra un pueblo concreto, sino que lo hacen contra la humanidad en sí misma, y ¿alguien duda acaso de que la humanidad sobrevivirá a éste u otros fascismos?


Imanol Telleria miembro de Komite Internazionalistak.

janeiro 17, 2009

90 anos de um assassinato impune


Há 90 anos, em 15 de janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram assassinados durante os desdobramentos dos confrontos entre o governo (social democrata) da então nova e emergente república alemã e uma revolta de trabalhadores confusamente liderada pelos comunistas do movimento Spartakista, nome dado em homenagem a Espartaco, o gladiador romano que liderou uma revolta de escravos na antiguidade.

O crime foi inominável, os confrontos foram sangrentos, sobretudo para um dos lados, os trabalhadores revoltados. A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, estava em frangalhos. Da Rússia vinham os ecos da revolta comunista de 1917, bem sucedida. Ao mesmo tempo, os olhos dos socialistas e comunistas do mundo inteiro voltavam-se para a Alemanha, sobretudo para Berlim, coração do movimento revolucionário.

Entre greves e confrontos de rua, um outro movimento sombrio crescia nas dobras das contradições dos social-democratas, de cujo partido Liebknecht fizera parte inclusive como deputado. No poder, tentando se equilibrar entre a queda da monarquia e a emergência da república e da revolta de trabalhadores e marinheiros (como acontecera na Rússia) os social-democratas Friedrich Ebert (Chanceler) e Gustav Nolke (Ministro da Defesa) deram acolhida, luz verde e incentivo para o corpo de paramilitares que se formava com remanescentes e egressos do desmoralizado Exército alemão.

O espírito de corpo da instituição fervia em brios feridos, pois fora não só desmoralizado externamente, pela derrota na guerra, mas também internamente, sendo batido nas tentativas de repressão a movimentos de trabalhadores e marinheiros. Aqueles remanescentes reorganizaram-se como milícias independentes, mercenárias, mas orientadas ideologicamente para a direita, com o nome já tradicional de “Freikorps”, cuja tradução mais adequada não seria a literal “Corpos Livres”, mas sim “Brigadas Livres” ou “da Liberdade”.

Diante do tumulto que tomava conta da capital alemã, a partir do Natal de 1918, dividida entre trabalhadores (mal) armados que tomavam de assalto redações de jornais, delegacias de polícia, promoviam greves e armavam barricadas nas ruas e praticamente dominavam bairros operários, Ebert e Nolke literalmente “soltaram” os Freikorps sobre os revoltosos.

Atribui-se ao sombrio Nolke a frase “alguém tem de bancar o cão de caça”.
Ao contrário dos trabalhadores, os Freikorps eram bem equipados, tinham armamento até então privativo das Forças Armadas, e guardavam, em seu corporativismo, um ódio frontal aos esquerdistas e movimentos operários. De certo modo, eram revanchistas do espírito monárquico, pisoteado pela Guerra e pelas marchas de trabalhadores nas ruas de Berlim e de outras cidades alemãs. O historiador Isaac Deutscher comentou que a repressão dos Freikorps sobre os trabalhadores em 1919, que se desenvolveu de modo extremamente sangrento de janeiro a março, foi “a última vitória dos Hohenzollern [a dinastia do império alemão] e a primeira dos nazistas”.

Com efeito, há dados impressionantes. Muitos membros dos “Freikorps” não só aderiram aos nazistas, mas tornaram-se figuras de proa. (Curiosamente, um deles, Josef Beppo Rommer, depois “converteu-se” ao comunismo, tornou-se membro do partido, e foi morto pelos nazistas em 1944). Dos membros dos Freikorps saíram 7 altos oficiais da SS e das Forças Armadas do 3° Reich, entre eles o general Wilhelm Keitel, condenado e executado em Nuremberg, e Martin Bormann, assessor direto de Hitler que, ao que parece, morreu de fato ao final da Guerra ainda em Berlim, embora durante muito tempo houvesse dúvidas quanto a isso e se suspeitasse que ele tivesse fugido para a América do Sul.

Um dos assassinos diretos de Rosa Luxemburgo, que a interrogou na noite de sua morte, era Hort von Pflugk-Hartung, que mais tarde se tornaria figura proeminente na inteligência e espionagem alemãs na Dinamarca, com serviços prestados também ao regime falangista de Francisco Franco.
Ao contrário de Liebknecht, Rosa Luxemburgo, pelo menos de início, se opôs ao levante de final de dezembro/começo de janeiro. Mesmo Karl, como ela, foi um tanto arrastado pelos acontecimentos. O Movimento Spartakista, como era conhecido o comunismo alemão, depois de sua ruptura com os social-democratas, estava profundamente dividido. Muitos achavam que era necessário negociar com o governo; outros que não, que era chegada a hora de erguer definitivamente as bandeiras vermelhas em Berlim e na Alemanha. Contavam estes com o apoio dos soldados e dos marinheiros revoltados, o que acabou não acontecendo.

A partir da primeira semana de janeiro os liberados Freikorps tomaram de assalto a estratégica Alexanderplatz e suas imediações, quebrando a espinha dorsal da revolta. E num golpe ao mesmo tempo ousado, vingativo e covarde, assassinaram as duas personalidades maiores do movimento revolucionário, que tinham condições de liderá-lo e de talvez melhor organizá-lo, a Rosa Vermelha de Berlim (embora nascida na Polônia, de uma família judia) e Liebknecht, cujo jornal, “A Bandeira Vermelha”, era uma espécie de alma da revolução.

Ambos foram presos, com outros spartakistas, no dia 15 de janeiro, e levados para um hotel, chamado Éden. Lá foram interrogados com requintes de crueldade, e por fim foram mortos. Rosa foi golpeada várias vezes na cabeça e na nuca, e por fim recebeu um tiro pelas costas. Seu corpo foi jogado num dos canais da cidade. Meses depois foi encontrado, e hoje repousa num mausoléu em sua honra no Cemitério de Friedrichsfelde. Além de Hartung, interrogou-a também o Capitão Waldemar Pabst, que sempre afirmou que Nolke e Erbert de tudo sabiam e tudo aprovaram. Liebknecht foi levado para um parque da cidade e lá assassinado com um tiro na nuca.

Na repressão que se seguiu e que se estendeu até março, morreram de 1.200 a 1.500 trabalhadores, spartakistas e revolucionários. As perdas dos Freikorps foram mínimas. Quando a tempestade amainou, a revolução alemã estava prostrada, com consequências gravíssimas até hoje para o mundo todo.

Todos os anos, nesta época do ano, há homenagens a Rosa, Karl e as outras vítimas daquela trágica circunstância. Hoje essas homenagens são lideradas pelo novo partido de esquerda, a Linke, que se propõe herdeiro das lições dos dois grandes revolucionários, cuja sede ocupa o prédio, hoje restaurado, que durante décadas, antes do nazismo, foi sede dos movimentos de esquerda e que leva o nome de Liebknecht. Os nomes de ambos, Rosa e Karl, estão espalhados por Berlim, em memoriais, avenidas e logradouros.

As palavras também. Como homenagem, lembremos as derradeiras que Rosa escreveu, na noite mesmo de seu assassinato:

“A ordem reina em Berlim! Oh, vocês, estúpidos capangas! A “ordem” de vocês está erguida sobre areia. Amanhã a revolução se erguerá com fragor, e proclamar em alto e bom som, para o terror de vocês: eu fui, eu sou, eu serei!”.

Lembremos também que Rosa escreveu que “A liberdade é sempre a liberdade do dissidente”, ao criticar o autoritarismo que pressentia na revolução russa. Talvez uma tradução da frase, a partir de seu sentido de base, dissesse que “o fundamento da liberdade é a liberdade de dissentir”. (Freiheit ist immer Freiheit der Andersdenkenden).

E não esqueçamos que ela e Liebknecht fizeram ingentes esforços para evitar a guerra, em nome da solidariedade internacional e da paz, que sempre foi uma bandeira dos trabalhadores e dos movimentos socialistas.


Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.

janeiro 15, 2009

Norman Filkenstein dá nome aos bois. Amálgama traduz

filkenstein.jpgOs registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do seu ministério das Relações Exteriores. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinos, dia 4/11. Depois, o Hamas respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel, “o Hamas retaliou contra Israel e lançou mísseis.”

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz do dia 12, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março de 2008.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de “capacidade de contenção do exército”, o que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamas: o Hamas começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamas sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como “uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinos”. Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamas.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestina e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamas, e que o Hamas conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamas de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah!, vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamas chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamas.

É Norman Filkenstein, bem no seu estilo, dando nome aos bois no Amálgama.

Do blog "O Biscoito Fino e a Massa"

"Criação de Israel é um ato de ocupação"

Réquiem por Israel?

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada. O artigo é de Boaventura Sousa Santos.

Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas. Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas, o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou. Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um facto consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.

É preciso recuar no tempo. Não ao tempo longínquo da bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro alguma vez escrito. Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa. De um dia para o outro, 750.000 palestinos foram expulsos das suas terras ancestrais e condenados a uma ocupação sangrenta e racista para que a Europa expiasse o crime hediondo do Holocausto contra o povo judeu.

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca.

O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana. A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma; até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo. E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?

É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino. Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinianos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições - e repito, nestas condições - o Estado de Israel tem direito de existir?

Monumento à Palestina

music for Palestina

Palestina...estás en mi corazón

Lapidações e outros horrores

A notícia queima. O mufti da Arábia Saudita, máxima autoridade religiosa do país, acaba de emitir uma fatua que permite (permitir é um eufemismo, a palavra exacta deveria ser impor) o casamento de meninas na idade de 10 anos. O dito mufti (hei-de lembrar-me dele nas minhas orações) explica porquê: porque a decisão é “justa” para as mulheres, ao contrário da fatua anteriormente vigente, que havia fixado em 15 anos a idade mínima para o casamento, o que Abdelaziz Al Sheji (esse é o nome) considerava “injusto”. Sobre as razões deste “justo” e deste “injusto”, nem uma palavra, não se nos diz sequer se as meninas de 10 anos foram consultadas. É certo que a democracia brilha pela inexistência na Arábia Saudita, mas, num caso de tanto melindre, poderia ter-se aberto uma excepção. Enfim, os pedófilos devem estar contentes: a pederastia é legal na Arábia Saudita. Outras notícias que queimam. No Irão foram lapidados dois homens por adultério, no Paquistão cinco mulheres foram enterradas vivas por quererem casar-se pelo civil com homens da sua escolha… Fico por aqui. Não aguento mais.
in, o caderno saramago

janeiro 14, 2009

Holocaust 2008 - Massacre in Gaza

Legislativo em questão

O ano político começou com a eleição de Mario Hossokawa, da sigla e não do PMDB, para e presidência da casa legislativa de Maringá. Começou com a criação do imposto do lixo e do aumento dos cargos comissionados, com a aprovação do legislativo sem meias palavras. 122 cargos comissionados criados para que senhores do legislativo? A conta, é claro, vai para os contribuintes, como presente da nova legislatura. Ganhar a independência política é fundamental para um bom exercício como vereador. Quem os obriga a votar contra os interesses da sociedade? Quem é serviçal de outro poder não ter vontade própria e nem dignidade para exercer um mandato popular e, por isso, não merece o respeito da sociedade. Vai virar chacota no notícias da província.

Com Gaza

As manifestações públicas não são estimadas pelo poder, que não raro as proíbe ou as reprime. Felizmente não é esse o caso de Espanha, onde se têm visto sair à rua algumas das maiores manifestações realizadas na Europa. Honra seja feita por isso aos habitantes de um país em que a solidariedade internacional nunca foi uma palavra vã e que certamente o expressará no acto multitudinário previsto para domingo em Madrid. O objecto imediato desta manifestação é a acção militar indiscriminada, criminosa e atentatória de todos os direitos humanos básicos, desenvolvida pelo governo de Israel contra a população de Gaza, sujeita a um bloqueio implacável, privada dos meios essenciais à vida, desde os alimentos à assistência médica. Objecto imediato, mas não único. Que cada manifestante tenha em mente que já levam sessenta anos sem interrupção a violência, a humilhação e o desprezo de que têm sido vítima os palestinos por parte dos israelitas. E que nas suas vozes, nas vozes da multidão que sem dúvida estará presente, irrompa a indignação pelo genocídio, lento mas sistemático, que Israel tem exercido sobre o martirizado povo palestino. E que essas vozes, ouvidas em toda a Europa, cheguem também à faixa de Gaza e a toda a Cisjordânia. Não esperam menos de nós os que nessas paragens sofrem cada dia e cada noite. Interminavelmente.
in, o cardeno Saramago

Das pedras de David aos tanques de Golias

Também não as usa agora. Nestes últimos cinquenta anos cresceram a tal ponto a David as forças e o tamanho que entre ele e o sobranceiro Golias já não é possível reconhecer qualquer diferença, podendo até dizer-se, sem ofender a ofuscante claridade dos factos, que se tornou num novo Golias. David, hoje, é Golias, mas um Golias que deixou de carregar com pesadas e afinal inúteis armas de bronze. Aquele louro David de antanho sobrevoa de helicóptero as terras palestinas ocupadas e dispara mísseis contra alvos inermes, aquele delicado David de outrora tripula os mais poderosos tanques do mundo e esmaga e rebenta tudo o que encontra na sua frente, aquele lírico David que cantava loas a Betsabé, encarnado agora na figura gargantuesca de um criminoso de guerra chamado Ariel Sharon, lança a “poética” mensagem de que primeiro é necessário esmagar os palestino para depois negociar com o que deles restar. Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, com ligeiras variantes meramente tácticas, a estratégia política israelita. Intoxicados pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada “certeza” de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores do passado e dos medos de hoje, todas as acções próprias resulatantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que sofreram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronómio: “Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago”. Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros.

As pedras de David mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo norte-americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos terroristas suicidas… Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida, mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba.

in, o caderno Saramago

janeiro 13, 2009

FGs X CCs: o fim da democracia escolar.

Com as medidas tomadas pelo executivo de Maringá, as eleições para a escolha de diretores na rede municipal de ensino de Maringá corre perigo, pois as mesmas possibilitam transformar Funções Gratificadas em Cargos Comissionados. Com isso, abre a possibilidade de ter diretores de escolas sem vínculos com a educação. É a gerência externa, a forma democrática do liberalismo burguês em novo tempo. É a máxima que prega que o serviço público precisa ser gerido pelo privado, mas sem os mesmos mecanisnos de controle. Belo presente de início do ano os profissionais da educação receberam, sua desqualificação de gestores.

Poder legislativo. Legislativo?

O presidente da Câmara municipal de Maringá Mário Hossokawa não quer ser mesmo incomodado com "ouvidorias", pois determinou o fechamento da que existia na Casa, "como uma medida de economia?". Para ele, os vereadores são os ouvidores. Será que "eles" vão investigar as irregularidades cometidas pelos seus pares quando houver denúncias? Certamente que sim. Foram eleitos para salvaguardar o erário e a dignidade do poder legislativo, mas isso é outra conversa.

Richa, o senhor dos sindicatos

Foto tirada durante a campanha de Beto Richa na capital do Paraná. Com um time desse jogando com Beto, o legislativo aprova tudo, sem maiores discussões. Primeiro foi aumento da passagem de ônibus... qual o próximo passo para Curitiba não entrar em crise financeira?

janeiro 12, 2009

Gaza e os vestígios de um deus rancoroso e feroz
A mídia em Israel toca as trombetas da guerra
Fim da era Bush e eleição em Israel: uma das faces obscenas do massacre
Israel viola Convenção de Genebra, diz relator da ONU

janeiro 08, 2009

ORIGENS DO TERRORISMO NO MÉDIO ORIENTE

Quem começou o terrorismo no conflito árabe-israelense?
Bombas em cafés:
utilizadas pelos sionistas pela primeira vez na Palestina em 17/Março/1937, em Jaffa.
Bombas em autocarros:
utilizadas primeiro pelos sionistas em 20/Agosto e 26/Setembro/1937.
Bombas em mercados:
utilizadas primeiro pelos sionistas em 06/Julho/1938, em Haifa.
Bombas em hoteis:
utilizadas primeiro pelos sionistas em 22/Julho/1946, em Jerusalém.
Bombas em embaixadas estrangeiras: utilizadas primeiro pelos sionistas em 01/Outubro/1946, em Roma (contra britânicos).
Minagem de ambulâncias:
utilizadas primeiro pelos sionistas em 31/Outubro/1946, em Petah Tikvah.
Cartas bomba: utilizadas primeiro pelos sionistas em Junho/1947 contra alvos britânicos no Reino Unido.

Para documentação, consulte-se The Arab Women's Information Committee e The Institute for Palestine Studies, Who Are the Terrorists? Aspects of Zionist and Israeli Terrorism, (Beirut: Institute for Palestine Studies, 1972).

Gaza Urgente!!!


Jornalista inglês denuncia mentiras de Israel
Em artigo publicado no "The Independent", Robert Fisk acusa governo israelense de contar mentiras para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza. “O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham se preocupado em poupar civis", escreve.

"Quantos mortos ainda para vocês se sentirem cidadãos de Gaza?"
Quem é mais anti-semita, aqueles que viciaram Israel ano após ano durante sessenta anos, até desfigurá-lo ao ponto de fazê-lo o país mais perigoso do mundo para os judeus ou aqueles que os advertem de que o Muro marca um gueto de dois lados? É anti-semita reler Hannah Arendt hoje, em que nós, os palestinos, somos a escória da terra, é anti-semita voltar a iluminar essas páginas sobre o poder e a violência? O artigo é de Mustapha Barghouthi, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina.

Estudantes israelenses presos por rejeitar alistamento pedem ajuda
No dia 18 de dezembro de 2008 foi iniciada uma campanha mundial em apoio aos estudantes israelenses presos por rejeitarem o alistamento no exército, por objeção de consciência. Os Shministim defendem um futuro de paz entre israelenses e palestinos e criticam a ação de seu país nos territórios ocupados. Eles esperam receber centenas de milhares de mensagens de apoio que serão entregues ao ministro da Defesa de Israel.

Gaza: o novo Gueto de Varsóvia

É necessário lembrar, não só aos judeus e aos israelenses, mas a todos os povos do mundo, que permitir que o governo israelense transforme a Faixa de Gaza numa espécie de Gueto de Varsóvia redivivo, é a pior afronta que se pode fazer à própria história do povo judeu que durante séculos foi um dos alvos da intolerância e da construção da desigualdade.
Nos comentários e análises que correm sobre a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, fica mais ou menos claro o que está por trás dela. Aqueles e aquelas podem ser mais ou menos acendrados em defesa da causa palestina, do Hamás (podem até ser bem críticos em relação a esse agrupamento político), mas retira-se, mais ou menos por consenso, as seguintes motivações para a brutal carnificina aérea que vem se processando, agora desdobrada e agravada pela invasão por terra:

1) Há um claro intuito eleitoral, uma vez que a coalizão conservadora no poder, liderada por Tzipi Livin, está ameaçada pelos ultra-conservadores liderados por Benyamin Netanhyau, no pleito antecipado para o próximo 10 de fevereiro.

2) Para as intenções de voto é crucial cortejar os colonos israelenses assentados ao sul de Israel, na região próxima à Faixa de Gaza.

3) Para isso é necessário elevar o moral militar de Israel, combalido depois da fracassada campanha contra o Hizbollah no Líbano, em 2006.

4) Para esses objetivos, o Hamás é um alvo político conveniente, por várias razões: é fraco militarmente; não tem apoio no mundo árabe; não tem o apoio nem mesmo da Fatah, sua co-irmã e rival. Politicamente, embora tenha o apoio até agora da população de Gaza, a posição do Hamás também é frágil e padece de inconsistências, pois sua política de lançar foguetes sobre Israel, mesmo como retaliação pelo bloqueio econômico, político, social e cultural sobre a Faixa, aproxima-se da temeridade de “cutucar a onça com vara curta”. É evidente que o objetivo imediato dessa política é diferenciar-se da Fatah, não ameaçar de fato Israel.

5) Além disso, há um objetivo de ganhar tempo. Apesar de não se esperar mudanças significativas na política externa norte-americana em relação ao Oriente Médio com a posse próxima de Barack Obama, é evidente que o governo israelense se sentia muito mais confortável com a dupla Bush Filho – Condoleezza Rice no poder. Trata-se de agir agora, antes que qualquer surpresa, mesmo completamente inesperada, possa se armar.
leia mais in Carta Maior

janeiro 07, 2009

Artigo - Gaza: perguntas e respostas, por Emir Sader

1) A questão de fundo dos conflitos na Palestina é o veto dos EUA e a oposição militar de Israel contra a resolução da ONU do direito de existência de um Estado de Israel e de um Estado Palestino. O Estado israelense existe, porém os EUA – com seu veto no Conselho de Segurança – e Israel, com a ocupação dos territórios palestinos, impedem que a resolução da ONU seja posta em prática – única solução justa e com possibilidade de promover uma paz duradoura na região.

2) Nas eleições mais democráticas de toda a região - conforme atestado da própria Fundação Carter – o Hamas foi eleito. As potências ocidentais promoveram o boicote, junto com Israel, desconhecendo a vontade expressa dos palestinos. Essa é a raiz mais imediata dos conflitos atuais.

3) Se o Hamas é considerado uma organização terrorista e nunca invadiu territórios israelenses, como deve ser considerado o Exército de ocupação israelense?

4) A teoria das “guerras humanitárias” da Otan, formulada por Tony Blair, promoveu o bombardeio e a intervenção na Iugoslávia, acusada de promover uma limpeza étnica. Não se aplica a mesmíssima teoria a Israel?

5) O que se deve fazer para que Israel pare a “carnificina” – a expressão é do Lula – em Gaza?

6) A ruptura da trégua não foi feita pelo Hamas, mas por Israel, que em novembro matou a 6 dirigentes da organização.

7) O presidente da União Européia, presidente da República Checa, disse que “a ação de Israel é defensiva” (sic). Argumento similar utiliza a corrente revisionista da história alemã, que alega que os campos de concentração do nazismo foram uma ação preventiva (sic) em relação à repressão bolchevique na URSS.

8) A tese central do sionismo é a de que Israel é um povo escolhido, segundo sua interpretação dos textos religiosos. Ela vem de muito antes do nazismo. Daí que o holocausto sofrido na Alemanha não poderia ser comparado com nada. Isto é, o sofrimento alheio, inclusive o perpetrado por eles, nunca é igual ao deles. Têm em comum com os EUA a tese de que seria um poço predestinado para resgatar a humanidade da barbárie, impondo-lhe seu sistema político, fundado supostamente na liberdade.

9) Israel justifica o bombardeio indiscriminado de todos os lugares de Gaza, porque em qualquer lugar, segundo eles, - nas mesquitas, nas escolas, nos hospitais, etc. – poderiam estar escondidas bombas e militantes do Hamas. A Universidade atacada seria antro de professores e estudantes do Hamas. Atacam tudo com a mesma visão norte-americana no Vietnã: haveria que tirar a água (o povo) do peixe (os militantes). Assim buscaram destruir o Vietnã inteiro, com bombas napalm e bombas terrestres, que até hoje os vietnamitas ainda estão retirando.

10) Corre por ai um argumento envergonhado de defender a carnificina israelense, perguntando o que faria o Brasil se um país fronteiriço – alguns se atrevem a mencionar o Uruguai – ameaçasse a existência do Brasil, sugerindo que deveríamos fazer com nosso vizinho do sul o que Israel faz com os palestinos em Gaze: uma guerra de extermínio. Em primeiro lugar, o Brasil não ocupa nenhum outro país e se algum governo aventureiro tentasse fazê-lo, não teria nenhuma possibilidade de conseguir o consenso interno que Israel obtêm para fazer a guerra contra os palestinos, há forças democráticas internas que impediriam. Foi preciso uma feroz ditadura militar para poder mandar tropas para a República Dominicana, junto com as dos EUA, para afogar um movimento democrático naquele país. Em segundo lugar, o Uruguai, país de muito longa tradição democrática, nunca significaria riscos de extinção para o Brasil, nem nenhum outro vizinho.

É um sofisma esse argumento, da mesma forma que o do Obama visitando Israel na campanha eleitoral, quando disse que se ameaçassem suas filhas dormindo na sua casa, se permitiria qualquer ato de agressão para defendê-las. Seu silêncio atual demonstra como as filhas de israelenses são privilegiadas em relação às dos palestinos, que ocupam diariamente a imprensa, feridas, aterrorizadas ou nas morgues, esperando lugar para serem enterradas. Quem hoje não se indigna diante do massacre israelense e se refugia no silencia ou em sofismas, perdeu a humanidade há muito tempo.

11) Pode-se fazer tudo com os mísseis, menos sentar em cima deles (para adaptar a fórmula clássica à época dos mísseis, antes eram baionetas). Isto é, uma vitória militar pode ser perdida politicamente por Israel. No Vietnã também a proporção era de uma vítima norte-americana por 10 ou 100 vietnamitas (lá também se matava indiscriminadamente e se dizia que eram guerrilheiros; todo morto virava guerrilheiro). Em algum momento se terá que estabelecer um novo acordo político e que acordo Israel acredita possível com o ódio que gera a carnificina que está produzindo e com o repúdio da opinião pública internacional?

12) Nenhum povo do mundo que oprime um outro, poderá viver em paz. Israel nunca terá paz, antes dos palestinos terem o mesmo direito deles – possuir um Estado soberano.

13) Mais do que nunca os judeus de esquerda, progressistas ou simplesmente pacificas, os que não estão de acordo com o massacre de Israel contra o povo de Gaza, tem que se manifestar, para que não se generalize a justa condenação de Israel e do sionismo, com a totalidade dos judeus.

14) Eu não tenho raízes islâmicas, apesar do meu nome. Sou filho de libaneses maronitas/católicos. Minha identificação com os palestinos hoje é a mesma que tive – como tantos – com os vietnamitas. Hoje, SOMOS TODOS PALESTINOS.

Texto publicado na Agência Carta Maior

Mortes aumentam e Israel diz que ataque progride “segundo os planos"‏

por Michelle Amaral da Silva última modificação 07/01/2009 13:12

No total, esta ofensiva militar já matou mais de 555 palestinos e feriu mais de 2,7 mil até esta terça-feira (6)

No total, esta ofensiva militar já matou mais de 555 palestinos e feriu mais de 2,7 mil até esta terça-feira (6)

07/01/2008 -Vinicius Mansur, de São Paulo (Radioagência NP)


O Exército de Israel informou que matou 130 militantes do partido palestino Hamas desde o início da invasão terrestre à Faixa de Gaza. No total, esta ofensiva militar já matou mais de 555 palestinos e feriu mais de 2,7 mil até esta terça-feira (6). Mesmo com o alto número de civis mortos, o general chefe do Estado-Maior de Israel, Gaby Ashkenazi, afirmou que os "soldados atuam perfeitamente e progridem segundo os planos".

Na madrugada desta terça-feira, um dos alvos atingidos pelo ataque aéreo foi a escola Asma. Três pessoas foram mortas. A instituição localizada em Gaza pertence à Organização das Nações Unidas (ONU) e abriga refugiados palestinos. Estavam na escola 450 pessoas, que se protegiam dos bombardeios em outros bairros da cidade.

Segundo o porta voz da ONU, Adnan Abu Hasna, Israel sabia o que estava bombardeando porque todas as instalações da entidade são conhecidas pelo exército israelense, justamente para prevenir ataques.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que os feridos estão morrendo à espera das ambulâncias que não podem se aproximar por causa dos combates. A ONU pediu a abertura das fronteiras para permitir a fuga dos palestinos que desejarem sair.

A entrada de jornalistas na Faixa de Gaza segue proibida por Israel.

Invasão da Palestina segue para fase ainda mais sangrenta.

por Michelle Amaral da Silva última modificação 07/01/2009 12:57

A situação em Gaza vem se agravando a cada dia também pela falta de alimentos e suprimentos médicos sem os quais os hospitais não podem funcionar

A situação em Gaza vem se agravando a cada dia também pela falta de alimentos e suprimentos médicos sem os quais os hospitais não podem funcionar

07/01/2009 - Juliano Domingues, de São Paulo (Radioagência NP)

A invasão da Palestina por Israel segue para outra fase que pode resultar em mais destruição e mortes de civis. As forças israelenses se preparam nesta segunda-feira (05) para entrar nas áreas urbanas e mais populosas da Faixa de Gaza. Após dez dias consecutivos da ofensiva militar, mais de 500 palestinos foram mortos e cerca de 2,5 mil pessoas estão feridas.

O confronto é mais uma ofensiva de Israel contra o território palestino sob o argumento de liquidar com as forças do Hamas responsáveis pelo lançamento de mísseis sobre o sul do território israelense.

Segundo a agência internacional de notícias Efe, apenas nesta segunda-feira (05), ao menos 23 palestinos, todos eles civis, morreram nos diferentes bombardeios israelenses. Já o ministério da Saúde palestino afirma que desde o início dos ataques terrestres - iniciados há três dias - mais de 70 palestinos morreram, entre eles 21 crianças. Do lado israelense, foi confirmada a morte de um soldado desde o início da ação terrestre.

A situação em Gaza vem se agravando a cada dia também pela falta de alimentos e suprimentos médicos sem os quais os hospitais não podem funcionar. Membros da União Européia e das Nações Unidas pedem pelo menos que Israel facilite a entrada destes suprimentos no território palestino.

Ilha das flores

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