Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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novembro 18, 2007

Imagens das lutas dos estudantes franceses



França, a luta contra as reformas liberais


Na França, paralela às greves contra as reformas neoliberais do governo Sarkozy, há 47 Universidades ocupadas pelos estudantes franceses em protesto contra leis aprovadas pelo parlamento que modificam a estrutura universitária. Elas reduzem o investimento público nas universidades (permitindo a contrapartida privada de fundações), degrada a autonomia universitária e diminui a representação estudantil de 25% para 10% nos conselhos superiores.

novembro 15, 2007

São Petersburgo: Fragmentos da Revolução.


Carta Maior apresenta esta matéria especial sobre São Petersburgo, o berço da revolução de 1917, evocando as reminiscências, que ainda se encontram na cidade, dos acontecimentos que levaram à criação da primeira sociedade socialista do século XX. Na medida em que o leitor for lendo a matéria, e clicando sobre as palavras marcadas, aparecerão fotos atuais dos cenários referidos.

São Petersburgo é a cidade mais romântica que já visitei. O cenário é ideal para almas apaixonadas: muita água, pontes, prédios baixos para o padrão de uma metrópole contemporânea, horizontes amplos. Não raro vêem-se pescadores tentando a sorte nas geladas águas do rio Neva, que abraça a cidade.

No final de setembro, quando lá estive, as árvores já estão tomadas pelas suaves cores do outono europeu. Mas a principal propaganda da cidade é feita em torno de suas “noites brancas”, no verão, quando as noites são curtíssimas e deixam o céu apenas esmaecido. São Petersburgo, com 6 milhões de habitantes, é a metrópole mais próxima do Pólo Norte.

São Petersburgo foi fundada em 1703 pelo czar Pedro, O Grande. Pedro foi grande em todos os sentidos: tinha 2m04 de altura, e idealizou modernizar a Rússia. Para tanto quis esta nova cidade, como símbolo de seu poder e de uma nova era para seu país. Contou com um arquiteto de gênio, Bartolomeo Francesco Rastrelli, italiano, que veio para São Pertersburgo em 1716 com seu pai, em grande parte das principais construções da cidade. Quase ao fim do século XVIII, outro italiano, Carlo Rossi, acrescentou novos prédios aos de Rastrelli.

Na construção da cidade morreram muitos trabalhadores, vitimados pelas más condições de vida e particularmente de saúde, pois o lugar era pantanoso e completamente gelado no longo inverno. Além disso, São Petersburgo suportou um cerco de 900 dias durante a Segunda Guerra Mundial, mas não foi ocupada nem bombardeada. Sua arquitetura dos séculos XVIII e XIX está intacta, apesar de muitos prédios estarem em mau estado de conservação. A população, no entanto, sofreu demais com o cerco. A luta chegou a poucos quilômetros da cidade, e a fome e as doenças também provocaram mortes aos milhares. O resultado disso é que São Petersburgo tem hoje o maior cemitério do mundo.

Aliás, tudo é grande nesta cidade. Sempre pensei que o estilo monumental na arquitetura e na escultura fosse uma das marcas do regime comunista, o que o aproximava esteticamente do estilo preferido pelos nazistas. Era, é verdade. Mas visitando São Petersburgo me dei conta que essa preferência pelo monumental já existia no tempo dos czares. Os portais são enormes, as praças são enormes, os prédios são gigantescos. O Palácio de Inverno, hoje museu Ermitage, obra de Rastrelli, tem 400 salas, distribuídas em 3 andares de um prédio que tem, sozinho, o tamanho de um quarteirão. Tudo é incrivelmente belo, mas ao mesmo tempo vê-se que esse estilo provocava uma sensação de esmagamento do indivíduo frente ao poderio e a magnificência da monarquia. A arquitetura do regime comunista não rompeu com esse estilo.Tornou-o mais sóbrio, mais “funcional” e até mesmo menos bonito.

Desejando reencontrar símbolos da grande revolução de 1917, eu esperava na verdade me deparar com uma devastação. Não foi o que aconteceu. Andando um pouco a esmo pela cidade, logo depois de atravessar uma das principais e mais belas pontes da cidade (são 500!), logo eu e minha companheira Zinka nos deparamos com uma praça enorme, e bem à sua frente, com um quadrilátero cercado por bandeiras vermelhas, com flores da mesma cor e um fogo simbólico ao centro. As informações para o viajante estrangeiro não são abundantes. Mas decifrando o russo escrito em alfabeto cirílico, foi possível descobrir que a praça chamava-se Marsowo Pole, Campo de Marte. O parque foi inaugurado no século XIX, e desde 1919 abriga, na praça, um memorial onde estão enterrados os revolucionários que morreram durante a revolução de outubro/novembro de 1917 (outubro pelo calendário Juliano, novembro pelo Gregoriano, que hoje é o adotado também na Rússia).

Da praça já se avistam as torres da Igreja da Ressurreição, hoje um dos cartões postais da cidade. Essa igreja é parecida com a de São Basílio, na Praça Vermelha, em Moscou, e de fato a teve por modelo. A de Moscou foi terminada em 1560, enquanto a de São Petersburgo foi construída de 1883 a 1907. O estilo imitativo lhe dá uma natureza kitsch, mas isso não lhe diminui a estranha beleza, ainda mais se emoldurada pelas árvores cobertas pelas cores outonais.

Erigiu-se a igreja em homenagem ao czar Alexandre II, no local onde ele morreu, vítima de um atentado à bomba. Os autores do atentado pertenciam à organização “Vontade do Povo”, e muitos deles foram presos e fuzilados ou deportados na seqüência. Os comunistas foram muito críticos em relação a essas práticas, que julgavam incoerentes e inconseqüentes.

Voltando em direção ao Rio Neva e acompanhando-o para o Oeste, em direção da baía da Finlândia, chega-se ao mítico Palácio de Inverno, para quem, como eu, tenha se formado politicamente, pelo menos em parte, estudando eventos como a Revolução Francesa de 1789 e a Russa de 1917. O Palácio de Inverno, monumental como quase tudo nesta cidade, foi tomado pelos revolucionários no lance capital do início da grande revolução. Também se pode ver e visitar, ancorado no rio Neva, o encouraçado Aurora, cujo tiro de seu canhão frontal foi a senha que desencadeou os acontecimentos na segunda quinzena de outubro, pelo calendário Juliano, primeira de novembro pelo Gregoriano.

O palácio fica em frente a uma praça também monumental, onde se concentraram os atacantes. Ali, naquela praça e em seus arredores, também se deu o chamado Domingo Sangrento, no inverno de 1905. Nesse dia uma marcha pacífica de trabalhadores e familiares famintos foi reprimida pela guarda do czar com uma fuzilaria que deixou centenas de mortos e milhares de feridos. Hoje em dia esta praça é palco de desfiles militares, cerimônias patrióticas e manifestações de protesto de todo o tipo.

O Palácio foi construído por Rastrelli entre 1754 e 1762. Hoje abriga o museu Ermitage, cuja coleção de pinturas foi iniciada pela czarina Katarina II com 225 quadros de mestres holandeses e flamengos pertencentes ao “marchand” berlinense, Johann Ernst Gotzkowsky. Este acervo fora reunido primeiramente com a idéia de passar às mãos do rei da Prússia, Frederico II. Katarina II continuou a comprar obras de arte e , como seu antecessor Pedro, Grande, objetos da antiguidade e curiosidades. Seus sucessores continuaram essa prática, que o regime comunista, a partir de 1917, apesar da severidade das guerras contra-revolucionárias e da Segunda Guerra, não interrompeu. Aliás, pelas datas das compras dos quadros pode-se ver que, pelo menos dentro do museu, a propalada hostilidade entre comunistas e vanguardas não existiu.

Katarina II queixava-se de que ninguém apreciava seus quadros. Hoje o acervo do museu é visitado todos os anos por hordas e mais hordas de amantes das artes e de turistas de todos os rincões do mundo. Eu me pergunto o que ela diria a esse respeito.

Ao entrar no museu... Bem, viajante, visitador, turista, peregrino da revolução e/ou das artes, se és cristão, persigna-te, se muçulmano vira para Meca e faz a oração, se és judeu lê um salmo de Davi ou algo assim, e daí por diante em todas as religiões e em todos os ateísmos. O que vais ver não tem igual no mundo.

Em termos de tamanho, o Ermitage só tem pares no Louvre francês, no Metropolitan de Nova Iorque e no Prado de Madri. Nem o Museu Britânico nem o Pérgamon de Berlim se lhe comparam. São 400 salas com 4 milhões de peças. Mas não é só isso. É que tudo, absolutamente tudo, é do bom e do melhor. Não há uma única peça de se possa dizer: “ah, este quadro é daquela fase menor do pintor X e foi comprado para cobrir uma lacuna”. Não há lacunas no Ermitage. E cada quadro, cada um deles, tem uma moldura que lhe vai perfeitamente. Não se pode dizer: “ah, esta moldura ficaria melhor no quadro ao lado, naquele da outra sala, etc.”. Vê-se que cada moldura foi pensada especificamente para cada quadro. É tudo muito bom, mas ressalto que os acervos do Renascimento, do Impressionismo e da Vanguarda do século XX são grandiosos.

Quase em frente ao Ermitage, do outro lado do rio, está a Fortaleza de São Pedro e São Paulo, em cujo interior fica a Catedral do mesmo nome, onde estão os túmulos dos czares da dinastia dos Romanov (diz-se Románov, eu aprendi). Tirei uma foto da entrada com alegres cadetes de academias militares da cidade, no portão principal

No interior da Catedral ortodoxa está um dos mais eloqüentes ícones (o nome vem a propósito...) da restauração simbólica do czarismo por que passa a Rússia depois da queda do comunismo. Há um mausoléu especial para os restos mortais do czar Nicolau II, deposto e morto com seus familiares pelos revolucionários, num dos episódios até hoje mais polêmicos da revolução. Até aí, tudo bem, digamos. Mas paira no lugar uma atmosfera de culto à continuidade da dinastia, que inclui as fotos dos atuais descendentes dos Romanov, que dá o que pensar.

Mais ou menos entre a fortaleza e o lugar onde está o encouraçado Aurora, pode-se visitar o hoje chamado Museu da História Política da Rússia. Antigamente, ele chamava-se Museu da Grande Revolução. Os atuais curadores garantem que deixaram tudo como estava antes da queda do comunismo. São duas casas. A primeira pertencia a um barão da nobreza russa e é basicamente um museu da luta política soviética depois da morte de Lenine. É, portanto, um memorial anti-stalinista, mas que chega, laudatoriamente, ao dias de Putin, que têm algo de neo-czarismo. Aliás, este museu abriga os únicos vestígios de Leon Trotski que vi na cidade, com fotos e documentos do grande revolucionário. Nas ruas, por exemplo, encontra-se Lenine por todo lado. Entre as Matrioshkas, aquelas simpáticas bonequinhas russas, encontram-se bonecos com rostos de tudo: Lênin, Stalin, Kruschev, Brezhnev, Putin, Gagarin, George Bush, jogadores de futebol, de futebol americano, etc. De Trotski, nem a sombra do bigode. Nada. Não existe.

A segunda casa é uma “villa”magnífica, que pertenceu a uma bailarina, Matilda Kichensssiskaja, que, a julgar pelas fotos, era tão bela quanto a residência, concluída em 1902, em estilo Art Nouveau. Nesta casa está o acervo referente a 1917. A casa serviu de QG para o comitê central dos comunistas em 17 e abrigava a sala de reuniões. Destaques: o gabinete de Lenine, intacto, e a vista da sacada de onde ele seguidamente discursava para as massas reunidas embaixo.

Em matéria de gabinetes, pego uma linha transversal para dizer que também se pode visitar o gabinete do grande Fiodor Dostoievski, na casa que leva o nome do escritor e hoje é um museu aberto à visitação. Na verdade, essa é a última casa do escritor na cidade, onde ele morou em várias. Era muito metódico, escrevia à noite, dormia até tarde. Consta que no dia anterior ao de sua morte foi à igreja e pediu ao padre que viesse até sua casa para lhe dar a bênção. Morreu pela manhã do dia seguinte e também consta que o relógio em seu gabinete parou nesse mesmo momento, e guarda até hoje a hora de sua morte.

Voltando à revolução: pude visitar também a famosíssima Estação Finlândia, que tem esse nome porque dela partia o trem que ia para o país vizinho. Nela Lenine chegou de trem, do exílio, em fevereiro de 1917 (sempre é bom lembrar que essas datas são do calendário Juliano e há uma diferença de uns 15 dias entre ele e o Gregoriano). Logo em seguida Lenine teve de fugir para novo exílio, desta vez curto, na Finlândia. A locomotiva que o levou nesta viagem ainda está lá na estação, numa autêntica redoma de vidro.

Quase ao lado da estação há uma outra, esta de Metrô, a Leninaskaja, onde se encontra um mural em homenagem ao líder da revolução. Em outra estação (Ploschad Wosstanija) encontram-se medalhões incrustados na parede, que lembram momentos da revolução. Ao lado desta fica a Maiakovskaja, belíssima, em homenagem ao extraordinário poeta revolucionário. O próprio metrô, ainda muito eficiente e barato, não deixa de ser uma lembrança do regime desaparecido, pois é evidente que ele foi construído para beneficiar a enorme massa de trabalhadores que viveu e vive na cidade. Ele é dos mais profundos que existem, suas escadas são enormes e nelas vêem-se pessoas lendo livros, jornais, fazendo palavras cruzadas, tal o tamanho da viagem.

Para completar esta magnífica visita às reminiscências da Grande Revolução em São Petersburgo, fomos eu e Zinka a uma cidade próxima, onde fica o suntuoso e belíssimo palácio de Katarina, mandado construir por Pedro, o Grande, onde de novo vê-se o gênio de Rastrelli. O estilo se repete: é tudo monumental, o magnífico parque, o palácio enorme, os salões internos. O de baile tem 900 metros quadrados, por exemplo. Dentro dele há o resquício de um dos maiores mistérios da Segunda Guerra. O rei Frederico II da Prússia deu de presente ao seu colega russo uma sala, ou seja, pagou sua construção e seus materiais: é o Salão Âmbar, cuja decoração é toda nesta cor, além de abrigar diversas peças desse material. Em retribuição o czar enviou um regimento militar para seu colega prussiano.

Pois bem, durante a Segunda Guerra, o salão foi desmontado e levado pelos nazistas, que ocuparam a cidade como parte do cerco a S. Petersburgo, para outro local. E ali tudo desapareceu. Ninguém sabe até hoje o que aconteceu com o salão, se ele foi destruído, ou se está escondido em algum sítio privado de colecionador. Recentemente, com base em fotografias, o salão foi reconstruído.

A visita a este palácio completa uma visão, a de que pode-se compreender ao mesmo tempo tanto a grandeza, o bom gosto e o poderio do czariato russo, quanto os motivos e a necessidade da Grande Revolução. É tudo ao mesmo tempo muito bonito e muito acintoso. E não se pense que aqui fala algum iconoclasta que prega a destruição destes símbolos. Pelo contrário. Sua conservação é necessária, assim como sua contemplação, porque são cicatrizes do tempo, e são também, além de uma homenagem ao gênio de seus construtores, uma homenagem ao sacrifício de seus trabalhadores.

Se São Petersburgo (que se chamou sucessivamente Petrogrado e Leningrado antes de voltar ao nome original) é uma cidade romântica pelo ambiente, também o é porque abrigou uma das grandes revoluções românticas da humanidade. Sei que algum marxista enragé poderá me atacar por dizer isso eu de uma revolução que apelava para uma leitura científica da história. Mas lhe apelarei: vá a São Petersburgo, e contemple o que ficou da revolução. De científico, é verdade, ficou o estro inspirador do método marxista, que foi e é dos mais fecundos do pensamento humano. Mas ao lado disso ficou aquele gigantesco esforço para, em meio aos escombros de tantas guerras, construir uma nova humanidade. Não deu certo. Nas ruas de S. Petersburgo por vezes hoje se encontram exemplos que reúnem em si o pior das formas de controle que o regime autoritário com que se construiu o comunismo deixou como herança. Na Rússia há pequenas e grandes máfias para tudo. E isso convive com a pior barbárie do capitalismo vencedor, que trouxe um individualismo feroz e desabrido que beira a anomia (por exemplo, no tráfego de automóveis, que é dos mais violentos e agressivos que já vi). Mas tudo isso só ressalta a grandeza daqueles sonhos e daquelas utopias, e daqueles que lhes dedicaram suas vidas e por vezes a sua morte. Eles, tais heróis e tais sonhos, seguem na memória grávida de futuro, não pelas estatuárias, mas pelas cicatrizes da passagem daquelas e daqueles que romanticamente soltaram sua imaginação e seu amor pela solidariedade e pela liberdade.
da imensa fortaleza, onde esteve preso Máximo Gorki durante o regime czarista. A fortaleza também foi um bastião dos revoltosos de 17, tomada pelos soldados amotinados.

ISTVÁN MÉSZÁROS NO BRASIL

O desafio e o fardo do tempo histórico
Coleção Mundo do Trabalho

Neste livro, István Mészáros mostra que o sistema do capital
manifesta profunda aversão ao planejamento. O resultado é um
máximo de desperdício e destruição, parasitismo financeiro,
aumento da barbárie e aceleração da catástrofe ecológica.
Eis o que representa o desafio e o fardo do tempo histórico:
o surgimento de uma nova força material conforme
a teoria se apodera das massas.
John Bellamy Foster, sociólogo norte-americano


Em tempos de reflexão minimalista, István Mészáros é um pensador fundamental. Em seu novo livro, O desafio e o fardo do tempo histórico, o filósofo hungáro destrincha o caráter imperativo e destrutivo das positivações atuais do capital e aprofunda a análise do significado histórico de sua crise estrutural à luz de manifestações cada vez mais irracionais e perigosas para o futuro da humanidade. É a partir da análise de como a “ordem estabelecida” do capital produz destruição – do tempo livre, da educação, das pessoas, da cultura, da natureza, da vida – que Mészáros reafirma a necessidade do socialismo no século XXI.

Mészáros virá ao Brasil para proferir duas conferências de lançamento do livro, em Florianópolis (20/11) e São Paulo (21/11). O autor cedeu à Boitempo os direitos mundiais deste seu novo livro, que sai publicado no Brasil antes mesmo do lançamento das edições inglesa e espanhola.

Dotado de erudição rara, István Mészáros domina filosofia, economia política e teoria social como poucos. Seus textos dialogam criticamente com os principais pensadores deste século e navegam dos clássicos aos contemporâneos, sempre com rigor e criativiade. Sua obra enfrenta com determinação os desafios e as dificuldades para a superação da vida regulada pelo capital, em direção a uma existência humana verdadeira e fundada na igualdade substantiva.

Na contracorrente dos niilistas e dos acomodados à ordem, que proclamam não existir alternativa para o sistema de domínio social do capital, esse filósofo que não se furta ao embate ideológico vaticina que não há arremedo capaz de mitigar a gravidade extrema de suas contradições, permanentemente criadas e insolventes. A “não-alternativa” ao capital, denuncia, significa a “não-alternativa” para a sobreviência da própria humanidade. Sendo assim, a disputa no planeta hoje não se daria mais entre socialismo ou barbárie, mas entre socialismo ou extinção.

CONFERÊNCIA
Florianópolis
20 de novembro, terça-feira, 18h30
Comentários: Ricardo Antunes (IFCH-Unicamp)
Auditório da Reitoria da UFSC
Campus Universitário Trindade - UFSC
Organização: Cláudia Mazzei Nogueira (dss-ufsc), Paulo Tumolo (ced-ufsc), Fernando Ponte (cfh-ufsc) e Boitempo Editorial
Apoios: DSS/CSE/NETeG/PPGSP/PPGE/PPGSS/Coordenação de Extensão




novembro 10, 2007

Milton Santos, uma simples homenagem

O novo não se inventa, descobre-se

Por Glauco Faria [Quarta-Feira, 7 de Novembro de 2007 às 21:31hs]

“Ele representava nas Ciências Humanas o que se pode chamar de ala combatente. O que Florestan Fernandes foi na Sociologia, ele foi na Geografia. Nos seus trabalhos, o rigor científico nunca foi obstáculo a uma consciência social desenvolvida e profundamente arraigada nos problemas do Brasil.” Foi assim que um dos grandes intelectuais brasileiros, Antonio Candido, definiu o geógrafo Milton Santos, que foi seu colega na Universidade de São Paulo (USP).

Baiano de Brotas de Macaúbas, Milton Santos cursou Direito em Salvador, embora quando jovem tivesse dado aulas na área que verdadeiramente o apaixonava, a Geografia. Na universidade, envolveu-se com a política estudantil e chegou a ser eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Mas as letras da lei não foram suficientes para seduzi-lo e, concluída a graduação, Milton tornou-se professor de Geografia do Instituto Central de Educação Isaías Alves (Iceia) e do Colégio Central. Levou a concurso sua tese Povoamento da Bahia, e passou a ocupar a cadeira de Geografia Humana do Ginásio Municipal de Ilhéus. E foi ali que escreveu seu primeiro livro, A Zona do Cacau, que tratava da monocultura na região. A obra já alertava para os riscos que poderiam advir da adoção de tal prática.

No ano de 1956, foi convidado pelo professor Jean Tricart, uma de suas principais influências, a realizar seu doutorado em Estrasburgo, na França. Sobre o orientando, escreveu Tricart: “O humor, a alegria, e o sorriso de Milton, classificado como inimitável, conquistaram a simpatia de toda a equipe da Universidade”. Após viajar pelos continentes europeu e africano, publicou em 1960 o estudo Mariana em Preto e Branco e, depois de apresentar sua tese de doutorado, O Centro da Cidade de Salvador, regressou ao Brasil.

Mas os périplos de Milton Santos pelo mundo não pararam. Logo após o golpe militar de 1964, foi exilado e retornou à França, onde lecionou na Universidade de Toulouse por três anos. Seguiu para Bordeaux e, até voltar ao Brasil em 1977, passou por diversas universidades do mundo. Deu aulas na Venezuela, no Peru, e no Massachusetts Institute of Technology (MIT) dos Estados Unidos.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1395

PSBD à prova. Denúncias de corrupção sacodem cenário político no RS

Juíza federal divulgou documento com detalhes da operação desencadeada contra quadrilha especializada em fraudes no Detran. Políticos do PP, PSDB e PMDB foram presos. Um dos coordenadores da campanha de Yeda Crusius é apontado como lobista e envolvido com empresas laranjas.

PORTO ALEGRE - A juíza Simone Barbizan Fortes, da 3ª Vara Federal e Juizado Especial Criminal da Subseção Judiciária de Santa Maria, divulgou documento à imprensa apresentando detalhes sobre a Operação Rodin, desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para desbaratar uma quadrilha especializada em fraudes no Departamento Estadual de Trânsito do RS (Detran). A ação sacudiu o ambiente político gaúcho, pois o esquema de fraudes envolve figuras importantes do governo estadual, entre elas, um dos coordenadores da campanha de Yeda Crusius (PSDB) na campanha eleitoral de 2006, Lair Ferst.

Segundo a nota, encontra-se em tramitação inquérito policial para apurar a ocorrência dos seguintes crimes:

Indevida dispensa de licitação e locupletamento ilícito por conta dessa dispensa; corrupção ativa e passiva; crimes contra a ordem tributária (sonegação fiscal); advocacia administrativa; tráfico de influência, organização criminosa, crime de formação de quadrilha.

O inquérito, por conter informações bancárias e fiscais, além de registros de interceptações telefônicas, tramita em segredo de justiça. No curso das investigações, verificou-se o envolvimento de diversas pessoas físicas e jurídicas, dentre elas as que foram presas e tiveram bens apreendidos.

A Operação Rodin
Na Operação Rodin, desencadeada pela Polícia Federal na madrugada de terça-feira, foram presos, entre outros, o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito do RS (Detran), Flavio Vaz Netto, o ex-diretor-presidente do órgão e atual diretor financeiro do Trensurb, Carlos Ubiratan dos Santos (ambos integrantes do Diretório Estadual do PP), o empresário Lair Antonio Ferst (integrante do Diretório Estadual do PSDB e um dos coordenadores da campanha de Yeda Crusius), e o ex-diretor-geral da Assembléia Legislativa, Antonio Dorneu Maciel, integrante da executiva estadual do PP e atual diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

Dos presos terça-feira pela PF, quatro já foram liberados: Patrícia Bado, mulher do ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan, Flavio Vaz Netto, presidente do Detran (agora afastado), Luciana Cordeiro, funcionária da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Rosana Ferst, que teria ligação com empresas terceirizadas investigadas pela polícia.

A Operação Rodin, explicou a juíza, “foi iniciada em maio de 2007, a partir de procedimento criminal diverso em que se deferiu monitoramento telefônico e posteriormente também telemático, de diversas pessoas físicas e jurídicas supostamente integrantes de grupo criminoso com atuação especialmente no RS, que se utilizaria das Fundações de apoio vinculada à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - Fundação de Apoio, Ciência e Tecnologia (FATEC) e Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (FUNDAE) - para a prática de diversos crimes”.

A investigação teve como foco principal averiguar a supostas irregularidades ocorridas no âmbito das relações contratuais entabuladas entre as fundações e o DetranRS, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no RS.

Segundo a juíza, as condutas ilícitas giram em torno de uma fraude central: a contratação, por órgãos públicos, mediante dispensa de licitação, das Fundações de Apoio vinculadas à UFSM, para a realização de atividades diversas. Essa realização, porém, “é incumbida a terceiros, aos quais se repassa praticamente toda a remuneração percebida, em contrapartida por serviços pífios, (a indicar superfaturamento), repasse este que beneficia financeiramente, de forma direta ou indireta, os próprios responsáveis pela contratação (titulares ou responsáveis pelos órgãos públicos) e subcontratação (integrantes das fundações) e, ainda lobistas que conseguem obter o contrato”.

Na investigação relevou-se que, possivelmente o esquema foi posto em operação pelas mesmas pessoas físicas e jurídicas em relação a outros contratos públicos, por exemplo no projeto "Pró-Jovem", desenvolvido junto a Municípios.

Empresas laranjas
A nota divulgada pela Justiça Federal de Santa Maria também traz informações sobre o envolvimento de Lair Ferst (um dos coordenadores da campanha eleitoral de Yeda Crusius) no caso. Segundo o documento, até 2003, o Detran/RS realizava seus exames por intermédio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), contratada para prestar serviços de exames práticos e teóricos de direção veicular. “Todavia”, prossegue a nota, “mesmo na iminência do término do contrato, e tendo sido instado pela própria FGV a indicar quando se daria o novo certame, deixou de efetivar o devido procedimento licitatório”. Às vésperas do término do contrato, o Detran/RS, que na época tinha como Presidente Carlos Ubiratan dos Santos, e como diretor administrativo-ficanceiro Hermínio Gomes Junior, contrata emergencialmente, com dispensa de licitação, a FATEC.

Naquele ano, Paulo Jorge Sarkis era o Reitor da UFSM, possuindo papel relevante no âmbito da FATEC. Segundo as investigações, ele teria se valido das forças políticas a que tinha acesso, especialmente os lobistas da família Fernandes (chefiada por José Antônio Fernandes) e de Lair Ferst para a obtenção do contrato do Detran. Ferst tinha grande poder junto ao Detran, possuindo um vínculo especial com seu presidente, Carlos Ubiratan dos Santos. A empresa Newmark Tecnologia, Informática, Logística e Marketing, cujos sócios são parentes de Ferst, é sócia da empresa NT Pereira administrada por Patrícia Jonara dos Santos (esposa de Carlos Ubiratan dos Santos). Ao que tudo indica, diz a nota, “o verdadeiro dono da Newmark é o próprio Lair Ferst; figurando seus parentes como laranjas, situação similar a da empresa NT Pereira, que de fato seria de Carlos Ubiratan dos Santos, sendo titularizada por um laranja”.

Os sócios da empresa New Mark, pertence a parentes de Lair Ferst, tem outra empresa da família, a Newmark Serviços da Informação e Inteligência. Esta, por sua vez, é sócia da empresa NT Pereira, administrada pela esposa de Carlos Ubiratan dos Santos - “ao que tudo indica, como mais adiante se verá, seus verdadeiros donos”, avaliou a investigação. A NT Pereira, em 2006, concedeu um empréstimo, sem garantias, a Carlos Ubiratan dos Santos, no valor de R$ 500.000,00, “ao que tudo indica pagamento de propina com valores obtidos no contrato Detran, que teriam circulado por intermédio de uma das empresas sistemistas, a New Mark Tecnologia da Informação e Marketing, seguindo por empresa-irmã, a New Mark Serviços, ambas da família do lobista Lair Ferst, chegando finalmente às mãos do servidor público”.

"Conheço a ficha do Lair"
Membro titular do diretório estadual do PSDB, Lair Ferst foi um dos coordenadores financeiros da campanha de Yeda Crusius ao governo do Estado, nas eleições de 2006. Na manhã desta quinta-feira, o ex-vice-governador Antonio Hohlfeldt, que até o ano passado era filiado ao PSDB e hoje está no PMDB, declarou ao jornalista Diego Casagrande: “Conheço a ficha do Lair. Quando eu estava no Palacinho ele era proibido de entrar. Jamais o recebi”.

Hohlfeldt não explicou por que Lair era proibido de entrar no Palacinho (escritório do vice-governador). Até agora, nem a governadora nem o PSDB se pronunciaram sobre a prisão de uma das lideranças do partido no Estado. Considerando as informações preliminares disponibilizadas pela Justiça Federal, a governadora já está sendo cobrada a explicar o que é mesmo que Lair Ferst fazia na sua campanha eleitoral, no ano passado.

Batalhão de Choque desocupa reitoria da PUC-SP

Com um mandado judicial e uma ordem de esvaziar a reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o 3º Batalhão de Choque da Polícia Militar desocupou o prédio, em Perdizes, zona oeste da capital, por volta das 3 h deste sábado, segundo informações da rádio CBN.

A operação foi realizada por 109 policiais. Cerca de 200 estudantes deixaram o prédio pacificamente, em pouco mais de 40 minutos. Os alunos ocupavam a reitoria desde a segunda-feira.

novembro 04, 2007

Palestina: un león en Gaza


Hace apenas tres días que una delegación de miembros de distintas ONG's de Andalucía llegamos de Palestina y aún seguimos bastante impresionados por lo que hemos visto durante la pasada semana y, especialmente, por la única zona que no pudimos visitar la Franja de Gaza. La situación de pobreza en Nablus, Belén, Jerusalén, Ramallah, Jenín o Hebrón, es alarmante, así como la aberrante construcción del muro y el aislamiento de miles de personas en estas ciudades son un atentado contra la humanidad. El régimen racista de apartheid que ejecuta Israel incluso contra sus propios ciudadanos (es el caso de los árabes israelíes) es realmente escandaloso y todo ello configura un panorama terrorífico y desesperanzador, aún peor de lo que creíamos y de lo que nos llega a través de los medios de comunicación. Sin embargo, a muchos de nosotros, nos impactó especialmente nuestra experiencia en la entrada a la franja de Gaza, tras ser rechazados una y otra vez durante más de seis horas por el ejercito israelí, a pesar de disponer de todos lo permisos requeridos. Un suceso del que informaron diversos medios de comunicación nacional e incluso internacional. durante la pasada semana.

En la franja de Gaza, viven más de un millón y medio de personas hacinadas en un territorio minúsculo. El irracional bloqueo emprendido por Israel y avalado por la comunidad internacional, ha dado lugar a una situación de extrema pobreza, hasta tal punto que hace dos semanas algunos medios señalaron que la situación era peor que la de Somalia. Este bloqueo, ha conllevado que durante tres meses no hayan entrado apenas mercancías a la franja de Gaza, únicamente algo de combustible, agua y un reducida cantidad de alimentos a través de la Cruz Roja Internacional, sólo aquellos considerados imprescindibles (por Israel). Ni siquiera semillas para posibilitar la agricultura de subsistencia, o cuadernos de papel para que los niños puedan acudir a clase, cualquiera de estos objetos son considerados como innecesarios y "potenciales armas terroristas" por parte de Israel, a pesar de las fuertes críticas de diversos organismos internacionales y ONG's.

Cuando preparamos nuestro viaje, realizamos con antelación todos lo trámites con la oficina técnica de cooperación del consulado español, y preparamos el material que íbamos a aportar a las organizaciones humanitarias con las que trabajamos en Gaza desde hace años: el Instituto Pedagógico Cana'an, que trabaja en el ámbito educativo con los niños de Gaza, intentando alejarlos de la violencia; y el Centro Palestino de Derechos Humanos (una de las organizaciones más valoradas, con numerosos premios y prestigio a nivel internacional, miembro de la Federación Internacional de Derechos Humanos y con estatus consultivo en el Consejo Económicoy Social de Naciones Unidas - ECOSOC), que fue noticia recientemente cuando su célebre y premiado presidenten Raji Al Sourani, fue convocado en Jerusalén por el enviado de la UE a oriente próximo, Tony Blair, a un encuentro al que nunca pudo acudir, Israel tampoco le permitió salir.

Gabriel Ruiz Noviembre 2007
(Coordinador de Proyectos de Cooperación de la Asociación Al Quds de Solidaridad con los Pueblos del Mundo Árabe de Málaga, participante en las cuatro delegaciones de Andalucía con Palestina)

Venezuela aprova reeleição presidencial ilimitada

O Parlamento da Venezuela sancionou nesta sexta-feira a reforma da Constituição bolivariana de 1999, destinada a reforçar o poder do presidente e a implantar o socialismo; o texto será submetido a referendo dentro de um mês. Os parlamentares já haviam aprovado o documento no dia 25 de outubro. A reforma, cujo referendo deve acontecer no dia 2 de dezembro, modifica 69 artigos da Constituição bolivariana de 1999, que conta com um total de 350.

O presidente Hugo Chávez propôs modificações em 33 artigos, como o que amplia o mandato presidencial de seis para sete anos e o que estabelece a reeleição indefinida. O Parlamento - controlado por deputados da base do governo - incorporou mais 36 artigos ao pacote de mudanças, entre eles o que regula estados de exceção.

Com a reforma, haverá um aumento dos poderes do presidente para decidir promoções militares, gerenciar as reservas internacionais e a política monetária junto ao Banco Central, como cortar zeros da moeda bolívar.

Além disso, o presidente poderá nomear vice-presidentes para governar novas regiões e províncias - que agora poderão ser criadas por meio de decretos do Executivo - e estabelecer estatutos federais a cidades.

A modificação do artigo sobre os estados de exceção, que suspende os direitos a um julgamento justo e à informação nestas situações, foi criticada pelo promotor Isaías Rodríguez e pelo defensor público Germán Mundaraín, além de vários legisladores e da oposição.

O Parlamento decidiu manter quatro atributos do direito ao julgamento justo - o direito à plena defesa, à integridade pessoal, a ser julgado por juizes naturais e a não ser condenado a penas de mais de 30 anos -, mas manteve a restrição ao direito à informação durante os estados de exceção, que não terão limite de tempo.

Além do estabelecimento de um quinto do poder do Estado - o poder popular - e de uma nova divisão política territorial, foi aprovada também a redução da idade mínima para o voto, de 18 para 16 anos, o limite de 36 horas para a jornada de trabalho semanal e a criação de um sistema de assistência social para os trabalhadores informais.

novembro 02, 2007

CPMF a quem interessa seu fim?

A defesa do fim da CPMF, que setores conservadores da sociedade fazem, através de seus representantes no Senado Federal, nos mostra a miséria política que estamos vivendo. Eles não querem um país rico, forte, soberano e popular que a esquerda está construindo. Eles estavam acostumados com a fraqueza do Estado, com uma Polícia Federal subserviente aos seus interesses. O Senado, essa "CASA DE LEIS" está enfraquecida, pois não reage contra o Supremo Tribunal Federal que estão "regulamentando" leis, como se fossem "legisladores" e não juristas. Só falta o STF aplicar o fim da CPMF nesse ano.
Senhores senadores, parem de empurrar o Brasil ladeira abaixo, como se fosse um bêbado que não tem rumo. Olhe para os pedágios e sintam vergonha dos roubos que eles praticam... Olhem para as contas das prefeituras, dos Estados e sintam vergonha pela omissão da sua não fiscalização... olhem para as escolas públicas e sintam vergonha pelo abandono que elas se encontram... olhem para a saúde e sintam vergonha de seu abandono... Se vocês ainda tem vergonha na cara e dignidade política aumentem para 050% o valor do imposto, o torne definitivo, isentem quem ganha menos de R$ 1.500,00, acabem com o imposto de renda. Pois não os vejo lutarem para por fim ao imposto de renda da pessoa física, que deixa 30% do que ganha de salário ao erário... esse sim, senhores senadores, deveriam ser alvos de discussão. A CPMF paga mais quem pouco paga de impostos nesse país. Essa burguesia que vai à Nova Yorque, Paris, Londres etc fazer comprar para não pagar impostos no Brasil e gerar riquezas aqui dentro... essa gente tem que contribuir mais para que esse país possa de fato ser uma nação no sentido exato da palavra.

Para Sócrates, Copa do Mundo do Brasil será "carnaval de um mês"

Ex-jogador não acredita que projeto trará benefícios ao País e aposta que a China será a sede do próximo Mundial de Futebol a ser definido

Depois que o Brasil recebeu a confirmação da Fifa de que será a sede da Copa do Mundo de 2014, Sócrates, colunista de CartaCapital tem a definição do que representará a organização da competição no país: carnaval.

"Pelo que eu conheço de quem está organizando esse evento, a Copa no Brasil será um carnaval de um mês, com muitos gastos e sem sobrar nada que se aproveite", disse o ex-jogador. "Não dá para acreditar em nada muito diferente disso."

Quando questionado sobre os possíveis benefícios que um evento desse porte poderia trazer para o país, Sócrates foi cético. "Se houvesse coerência no projeto, investimento em infra-estrutura e desenvolvimento social, seria ótimo para o país, sem dúvida. Mas não me parece que seja o caso.”

O colunista citou dois exemplos recentes para jutificar seu ceticismo: "Acabamos de ver o que acontece, com o Pan-americano do Rio de Janeiro. Já há várias instalações que não são mais utilizadas e que não reverteram em nenhum benefício social. E pelo o que as notícias mostram, algo parecido também está acontecendo com Atenas, depois da Olimpíada de 2004."

Copa vai acontecer, seja com o dinheiro de quem for
Para Sócrates, a realização da competição no Brasil agora é irreversível, seja com o dinheiro de quem for. "Agora que o compromisso foi assumido, a Copa terá de ser realizada, seja com do dinheiro de quem for, e muito provavelmente será do contribuinte."

"Se for preciso, o Estado terá que entrar com o grosso do dinheiro, pois não pode deixar o país passar pelo vexame de não conseguir organizar o evento", opina o ex-jogador. "Pode ter certeza que essa Copa vai tomar muito dinheiro de todos."

Sócrates também é contra a construção de novos estádios para receber as partidas do Campeonato Mundial de Futebol. Isso porquê, para o ex-jogador, as novas arenas só serviriam como "mausoléus".

"Para quê construir mais estádios se nem os que estão aí são bem administrados?", questiona Sócrates. "Para desperdiçar mais dinheiro, para ficarmos com mais elefantes brancos, para termos mais campos abandonados e sem uso? Não faz sentido."

CARTA CAPITAL

O oligarca do futebol

Com a confirmação do Brasil como anfitrião do Mundial, o País curva-se ao poderio de Ricardo Teixeira


O anúncio oficial da Fifa, que confirmou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, não foi surpresa. Até porque, graças a um acordo sul-americano, não havia outro concorrente. Ganhar uma disputa sem que haja concorrência é, no entanto, a menor das tortuosidades do processo que mantém o futebol, e também o País, sempre um passo atrás de suas potencialidades. Receber o Mundial de Futebol é uma honra e também uma grande oportunidade de desenvolvimento econômico. Mas, ao mesmo tempo, é capaz de mascarar e aprofundar problemas administrativos, principalmente no que diz respeito ao trato com dinheiro público. Infelizmente, este risco é real.

A confirmação do Brasil como vencedor de uma disputa que não ocorreu, na terça-feira 30, merece observações. A começar pelo tamanho da comitiva, formada por 12 governadores, dois deles presidenciáveis (Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo), o deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE), três ministros (entre eles, Marta Suplicy, do Turismo e provável candidata à prefeitura paulistana em 2008 ou ao governo do estado em 2010) e o presidente da República.

A participação maciça de eleitos incomoda quem constata que a política brasileira ainda aposta na paixão nacional e na capacidade de conquistar o povo brasileiro com a eterna retórica populista.

Também compunham a comitiva Romário, Dunga e o mago Paulo Coelho, a representar a literatura brasileira e, quem sabe, a iluminar os caminhos até 2014, além de duas dezenas de acompanhantes. Literalmente, só faltou Pelé.

http://www.cartacapital.com.br/edicoes/469/o-oligarca-do-futebol

Ilha das flores

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