Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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janeiro 31, 2008

País poupa mais de R$ 100 bi para pagar juros; valor é o maior desde 1991

Da Redação, Em São Paulo
A economia do país para o pagamento de juros (o chamado superávit primário) somou R$ 101,606 bilhões em 2007. Segundo o Banco Central, é o maior valor já registrado desde 1991, quando o levantamento começou a ser feito. O montante superou a meta, que era de R$ 95,9 bilhões, e correspondeu a 3,98% do PIB (Produto Interno Bruto). Em dezembro, os gastos públicos superaram a arrecadação, de modo que houve um déficit de R$ 11,78 bilhões, o maior já registrado pelo BC. O número é 82,6% maior que os R$ 6,453 bilhões registrados em dezembro de 2006. Os dados divulgados hoje referem-se ao setor público consolidado, que inclui as contas dos Estados, municípios e empresas estatais, além da União.O superávit primário tem um lado positivo, que é economizar dinheiro para pagar as dívidas, mas também tem um aspecto ruim: os governos tendem a investir menos e a elevar a carga tributária. "O governo central e os governos regionais registraram participação crescente no resultado alcançado", informou o BC em nota. Segundo a instituição, o desempenho dos Estados e municípios foi influenciado pelo efeito da maior atividade econômica sobre a arrecadação do ICMS e dos impostos compartilhados com a União.Esforço insuficienteApesar de o esforço para pagar os juros em 2007 ter sido o maior já registrado, não foi suficiente para fazer a dívida pública líquida cair. Ela aumentou de R$ 1,067 trilhão em dezembro de 2006 para R$ 1,150 trilhão no mesmo mês do ano passado. Isso ocorre porque ainda há o chamado déficit nominal, ou seja, o dinheiro economizado não foi suficiente para pagar a totalidade dos juros, que somaram R$ 159,5 bilhões. Assim, as contas públicas fecharam o ano com um resultado nominal negativo de R$ 57,926 bilhões, equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto. Endividamento caiMesmo sem ter conseguido juntar dinheiro suficiente para pagar a soma dos juros, a relação entre a dívida e o PIB caiu, devido ao crescimento econômico do país.Em dezembro de 2007, a proporção ficou em 42,8%; um ano antes, era de 44,7%. Em bases anuais, foi a quarta redução consecutiva da relação entre dívida e PIB, "que alcançou o menor percentual desde 1998", de acordo com o BC.
http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/01/30/ult4294u979.jhtm

janeiro 30, 2008

Tucanada, MP Federal diz a Yeda Crusius: "ninguém está acima da lei"

Polícia Federal convidou procuradora do Estado do RS para prestar esclarecimentos relacionados às fraudes no Detran. Governadora disse que não admite ter seu governo investigado. Em nota oficial, MP federal defende ação da PF e diz que ninguém está imune à investigação.
por Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Um novo mundo à nossa espera

Eis o paradoxo dos paradoxos: num mundo que há oitocentos anos se vê cada vez mais presa de potências econômicas e guerreiras, a palavra de transformação e esperança renasce no seu elo mais frágil, a América Latina sempre subalterna e sem vocações hegemônicas de vulto.
por Flávio Aguiar
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14793

A foice e o martelo


Um novo mundo à nossa espera


Eis o paradoxo dos paradoxos: num mundo que há oitocentos anos se vê cada vez mais presa de potências econômicas e guerreiras, a palavra de transformação e esperança renasce no seu elo mais frágil, a América Latina sempre subalterna e sem vocações hegemônicas de vulto.
Por Flávio Aguiar

janeiro 28, 2008

PSOL NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O debate centrando nas eleições municipais de 2008 será um grande marco na história do PSOL. É preciso salientar que o partido tem compromisso com o socialismo e, portanto, o arco de alianças em torno de um projeto comum será com partidos que tem como meta o socialismo. Em Maringá, essa possibilidade está dado com o PSTU e com o PCB. O PSOL entra no debate político de Maringá, como um partido de esquerda, para unir os socialistas e trabalhar para eleger representes ao parlamento municipal.
Mesmo com toda a precariedade do partido hoje, disputar as eleições é fundamental para a solidificação do partido, pois a luta política é uma luta por construção de hegemonia e, essa luta, passa pelo campo da ideologia. O PSOL quer realizar uma hegemonia popular, cuja alicerce reside no fortalecimento dos conselhos, como órgãos de gestão. É preciso imprimir um novo formato na gestão municipal e, isso, o PSOL ´fará.

Bradesco teve lucro de R$ 8 bilhões em 2007

O banco Bradesco encerrou 2007 com um lucro líquido de R$ 8,01 bilhões, 58,5% maior se comparado ao resultado de 2006. Esse valor representou um ganho de R$ 3,97 por ação e uma rentabilidade de 31,4% sobre o patrimônio líquido médio - sem considerar o efeito da marcação a mercado dos títulos disponíveis para venda.

Somente no quarto trimestre de 2007, a instituição teve lucro de R$ 2,193 bilhões, com alta de 21,2% sobre o resultado líquido positivo de R$ 1,81 bilhão do terceiro trimestre.

Segundo comunicado do banco, do lucro líquido total do ano passado, R$ 5,655 bilhões são oriundos de atividades financeiras (71%) e R$ 2,355 bilhões foram gerados pelas atividades de seguros, previdência e capitalização, que representaram 29% o resultado.

O Bradesco informou que seus ativos totais apresentaram saldo de R$ 341,184 bilhões ao final de 2007, com incremento de 28,5% sobre o ano anterior. O retorno anualizado sobre os ativos totais médios foi de 2,7%, superior ao patamar de 2,2% registrado em 2006. O valor de mercado do banco evoluiu 29,1% na mesma base comparativa, para R$ 109,463 bilhões.

Fonte: Agencia Estado - 28/1/2008 7:27

janeiro 27, 2008

Mapa da violência I

Entre 1996 e 2006, os homicídios entre a população jovem, de 15 a 24 anos, tiveram um aumento de 31,3%. Entre 1996 e 2003 foi um período de intenso crescimento da violência letal, porém, a partir de 2003, observam-se quedas significativas, as quais o estudo atribui, novamente, às estratégias de desarmamento.
Fonte: RITLA

Uma radiografia do emprego no mundo


A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou o relatório Tendências Mundiais do Emprego, no qual revela que, dos 3 bilhões de pessoas com emprego no mundo todo, por dia, 1,3 bilhão delas ganha até dois dólares e 489,7 milhões ganham menos de um dólar. De cada dez trabalhadores, quatro são de baixa renda. Segundo o texto, os níveis de ocupação e desocupação têm se mantido estáveis. Em 2007, indica o estudo que o desemprego se manteve em 6%, não obstante o número da mão-de-obra sem trabalho tenha tido um acréscimo de 2,9 milhões, chegando a 189,9 milhões. Todavia, o nível de emprego apresentou o mesmo patamar de 2006, isso se devendo ao crescimento de 5,2% no PIB mundial. Houve a criação de 45 milhões de vagas, com incremento de 1,6% na comparação com 2006.
Por setores, verificou-se o maior crescimento no emprego no setor de serviços, com 42,7%. A agricultura aparece com 34,9%. A indústria tem 22,44% dos postos de trabalho. Na comparação com continentes e regiões, temos disparidades. Na América Latina, o desemprego é de 8,5%. Já o número de trabalhadores que ganham até dois dólares por dia está num percentual de 25,4%. Cerca de 8% recebem menos de 1 dólar diário. Também nessa região encontram-se os empregos vulneráveis, que, de 1997 a 2007, passaram de 31,4% para 33,2%. Pelo fato de o setor de serviços concentrar o maior número de vagas, a OIT vê nesses empregos precariedade nas condições de trabalho e baixa remuneração.
Outra constatação do relatório é que 74,8% dos empregos no setor de serviços são ocupados por trabalhadoras. Para a OIT, a vantagem evidente é que as mulheres deixaram o pesado serviço da agricultura familiar, atuando por conta própria, mas ainda sem renda apropriada. Segundo a OIT, a crise imobiliária nos Estados Unidos e a alta do petróleo podem contribuir para desempregar cerca de 5 milhões de pessoas, elevando o índice de desemprego para 6,1% em 2008. Todavia, cerca de 40 milhões de empregos poderão ser gerados em 2008. Para quem quer conhecer melhor o mapa do emprego no mundo, o estudo da OIT é um subsídio indispensável.


Fonte: Editorial do Correio do Povo, de 25/01/2008

janeiro 26, 2008

Santa Felicidade: resistência ao processo de expulsão social

Santa Felicidade. Que querem a elite maringaense de tí? Causa estranheza que Maringá recebe verba de 20 milhões para combater favelas. A quem querer enganar? Parece que a em curso um processo de expulsão social de uma comunidade que se localiza na zona sul de Maringá, que são os moradores do Santa Felicidade.
Com esses 20 milhões, investidos no Santa Felicidade, provocaria uma verdadeira revolução urbana, pois acabaria com os problemas de infra-estrutura no bairro e traria qualidade de vida a seus moradores. Mas o que querem eles? simplesmente despejá-los, como se não fossem pessoas dignas, trabalhadoras e portadores de direitos sociais e políticos. Resta a resistência e o combate a essa discriminização e marginalição imposta pela sociedade maringaense.
Moradores do Santa Felicidade, vocês têm nosso apoio e solidariedade nessa luta.

PSOL nas eleições 2008



Grupo de professores do PSOL em Congresso da APP-Sindicato. Dentre eles o futuro candidato do Partido a Prefeito de Maringá. É a construção de uma nova identidade política para Maringá, que temos certeza, não desviará de seu compromisso político com a transformação social, afinal a luta política é uma luta ideológica que passa no terreno das lutas sociais. É a velha e presente luta de classes.
A luta para conquistar o poder político em Maringá é grande, mas sabemos enfrentar o desafio.

Mídia e poder absoluto no Brasil

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasi.
Do Conversa Afiada

janeiro 25, 2008

Mundos Possíveis


O berço do FSM é governado hoje pelo espírito de Davos
A terra que serviu de inspiração para o Fórum Social Mundial e que acolheu suas primeiras edições hoje é governada por um núcleo político conservador, adepto dos padrões da iniciativa privada e dos choques de gestão. O espírito de Davos baixou em Porto Alegre e no RS. O que aconteceu?,
Por Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior

Forum Social Mundial

A barbárie está em Davos
Este ano o Forum Social Mundial será marcado por mobilizações simultâneas em todo o mundo como um contraponto ao Fórum de Davos. A luta contra a primazia do cálculo financista sobre a vida e da compreensão desta como mero apêndice do lucro é crucial para o futuro da humanidade.
A análise é de Gilson Caroni Filho.

Decisão do TSE apimenta sucessão municipal no Paraná

A resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à consulta do deputado federal Ratinho Júnior (PSC) pode mudar o rumo das eleições municipais em diversas cidades brasileiras, inclusive, Curitiba.
O TSE respondeu negativamente ao questionamento sobre a possibilidade de um vice-prefeito que tenha substituído o titular no curso do mandato e eleito no mandato imediatamente subseqüente para o cargo de prefeito ser candidato à reeleição. Esse seria o caso do prefeito Beto Richa (PSDB), que antes das eleições de 2004 foi vice-prefeito de Cássio Taniguchi, assumindo, em ocasiões esporádicas a administração da capital.
Em votação ocorrida em 18 de dezembro do ano passado, o plenário do TSE decidiu, por unanimidade, que isto não é permitido, por força da Constituição Federal que diz que quem tenha sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos, tomando essa substituição como uma eleição. "O presidente da República, os governadores de estado e do Distrito Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso do mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente ao da substituição", diz dispositivo da Constituição.
De acordo com o ministro Marco Aurélio, a Constituição Federal criou uma ficção jurídica. "Quem haja substituído é como se tivesse sido eleito para aquele período. Pode concorrer a um novo, mas não pode concorrer ao que seria o terceiro mandato."
Como o julgamento da consulta ocorreu na última semana de trabalhos dos ministros do TSE o acórdão da decisão ainda não foi publicado. Segundo o tribunal, o processo está aguardando relatório, o que deverá ocorrer em fevereiro, com o retorno dos ministros às atividades.
A assessoria jurídica do PSDB informou que aguardará a publicação do relatório para apreciá-lo e discutir suas conseqüências. Por enquanto, o partido trabalha com a situação de que apenas os vices que assumiram o cargo definitivamente, por conta de morte ou renúncia do titular e que foram eleitos posteriormente é que estão impedidos de disputar a reeleição, como ocorreu com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que assumiu o governo do estado com a morte de Mário Covas, em 2001, foi reeleito em 2002 e não pôde disputar nova eleição em 2006, quando disputou a Presidência da República.
Por Roger Pereira

janeiro 23, 2008

Roraima, a próximo guerra de ocupação estadunidense

Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata-se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.
Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com a terra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro.. Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando-se os rios
e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades. (Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam
incomodados.
Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.
Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e
joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia...
Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: É os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.
A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por
falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático)... Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios.. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.
Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de Socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma utoridade do sul que vá fazer alguma coisa. É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma coisa???
Acho que sim.
Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.
Mara Silvia Alexandre Costa Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.
Patog. FMRP - USP
Opinião pessoal:
Gostaria que você, especialmente que recebeu este e-mail, o repasse para o maior número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.
Afinal foi um momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao mundo a fim de antecipar a próxima guerra. Conto com sua participação, no envio deste e-mail..
Por Celso Luiz Borges de Oliveira
Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP
Tel: (19) 3233-1840 Celular: (19) 9136-6472 e-mail´s:
Celso@ufba.br; celso@agr.unicamp.br; celsoborges@gmail.com

janeiro 22, 2008

As fábricas da ideologia

Dentre as instituições que influenciam e moldam as "reformas" efectuadas através do mundo todo, o Banco Mundial contribuiu para forjar um dogma aplicado universalmente. Ele acaba de ser posto seriamente contestado num relatório de avaliação elaborado por um grupo de economistas reconhecidos [1] . Após umas pinceladas, os avaliadores passam aos assuntos sérios: "uma grande parte da investigação é medíocre" ou "tecnicamente deficiente" e o Banco errou ao fundamentar suas tomadas de posições sobre tais "não-demonstrações". Muitos investigadores do Banco "parecem pensar que ferramentas técnicas são suficientes para estabelecer um nexo de causalidade". Muito poucos estudos são conduzidos com investigadores dos países em desenvolvimento não pertencentes ao Banco. O resto impressiona. Primeiro exemplo destas derivas: as reformas. Toda a argumentação liberal em favor dos fundos de pensão repousa num teorema desta espécie: "uma vez que em geral se espera uma taxa de rendimento financeiro superior à taxa de crescimento, as reformas pela Segurança Social têm necessidade de contribuições mais elevadas para assegurar o mesmo nível de reformas dos fundos de pensões". Conclusão: o sistema pela Segurança Social é menos eficaz. Mas este tipo de raciocínio repousa, segundo o avaliador que o cita, sobre um "erro grosseiro" que nem "um estudante do primeiro ano" cometeria: as reformas mais elevadas que os fundos de pensão poderiam almejar à partida seriam em seguida pagas pela "baixa das reformas daqueles que virão mais tarde". Segundo exemplo: os trabalhos de David Dollar. Este economista do Banco Mundial é o co-autor de um artigo famoso estabelecendo que o crescimento é bom para os pobres (Growth is good for the poor). O comentário é severo: "Uma boa parte desta linha de investigação sofre de deficiências são graves que os seus resultados estão muito longe de poderem ser considerados como fiáveis". Se esta tese foi avançada é porque ela ia no sentido das posições do Banco ao passo que outros trabalhos, como por exemplo aqueles de Branko Milanovic, outro investigador do Banco Mundial, eram "ignorados". Com certeza: eles mostravam que "é o crescimento que, em geral, conduz à abertura comercial, e não o inverso" e que esta abertura tem efeitos "particularmente desfavoráveis sobre os baixos e médios rendimentos nos países pobres". Trata-se de mecanismos de filtragem que são descascados por Robin Broad, uma economista que não fazia parte do painel [1] . Ela distingue seis mecanismos principais: recrutamento, desenvolvimento de carreira, selecção dos papéis, desencorajamento dos discursos discordantes, manipulação dos dados e escolha de comunicação para o exterior. Os investigadores que ela interrogou confessavam que não raro que lhes fosse pedido que fizessem uma avaliação "para provar que o programa X funciona". Esta abordagem lança as bases de uma verdadeira sociologia dos centros de investigação em economia que os estudaria enquanto aparelhos de produção, avaliando a força de ataque que representam os batalhões de investigadores pagos para ilustrar as benfeitorias do neoliberalismo. Estas críticas bem certeiras não impedem as instituições visadas de continuar imperturbavelmente o seu "trabalho". O primeiro relatório da OCDE consagrado à Índia deplora o rigor da legislação do trabalho e sugere "ajustar o nível de protecção do emprego para aumentar o emprego". Nos países da zona euro, a OCDE recomenda "suavizar a legislação relativa à protecção do emprego" e "aumentar a flexibilidade dos salários". E é sem surpresa que o FMI felicita a União Europeia pelas "reformas" dos mercados do trabalho: Dominique Strauss-Kahn terá muito a fazer para dar uma aparência "de esquerda" às suas próximas intervenções. A longa litania de relatórios estimulados pelo governo francês não escapa ao pouco mais ou menos e ao não importa o que; assim, a ideia da Comissão Attali, segundo a qual a liberalização da grande distribuição permitiria criar "várias centenas de milhares de empregos" tem a ver mais com o guichet do caixa do que com a análise económica. Não há dúvida que é a ideologia dominante que se fabrica nestas verdadeiras centrais de produção e não é inútil revelar o seu modo de produção.

por Michel Husson

O regime pós-Bush: um prognóstico

por Richard K. Moore
A fim de compreender algo acerca dos assuntos políticos americanos é preciso ter algum entendimento de quem é que realmente toma as decisões por trás do palco, e o que são os seus interesses. Deste modo podemos ter alguma esperança de identificar as agendas escondidas que estão a ser servidas pelas acções e programas do governo, e alguma esperança de identificar as estratégias a longo prazo que estão em jogo. Verifica-se — e as pessoas informadas já deveriam saber disto — que os EUA são no essencial possuídos e administrados por uma pequena clique de famílias ricas — as únicas que possuem e controlam o Federal Reserve. Os Rockfellers são os membros óbvios em bem conhecidos desta clique, mas há outros menos conhecidos, nem todos americanos, e alguns cuja identidade permanece até hoje um segredo cuidadosamente guardado. Nós não sabemos exactamente quem é que está a dirigir o show. FEDERAL RESERVE ACT Esta tem sido a natureza da nossa 'democracia' desde 1913, quando o Federal Reserve Act foi enfiado à socapa no Congresso durante as férias de Natal pelas mesmas pessoas que financiaram a campanha de Woodrow Wilson e que se tornaram os proprietários privados do novo e todo poderoso banco central. A primeira grande iniciativa dessas pessoas, os ancestrais da nossas actual clique dirigente, foi financiar ambos os lados na Europa durante a I Grande Guerra Mundial, e a seguir conluiar a entrada dos EUA na guerra bem a tempo de inclinar o equilíbrio de forças para lado favorecido pela clique — o mesmo padrão que caracterizou a II Guerra Mundial. A partir daquele ponto e daí em diante a elaboração da política americana tem estado firmemente nas mãos da clique original do Federal Reserve e dos seus descendentes. Os media "de referência" também estão sob o controle da mesma clique, de modo que à opinião pública nunca é permitido interferir com objectivos fundamentais da clique. Os medias podem ser utilizados para apoiar presidentes em exercício, ou para miná-los, dependendo do que serve melhor aos objectivos. Nenhum Presidente que tenha virado as costas a estas pessoas sobreviveu muito no cargo, como vimos mais recentemente no caso de JFK. Os tentáculos da clique atingem também os escalões de topo dos serviços de inteligência e do Pentágono, bem como àqueles influentes fóruns globalistas como a WTO, a Comissão Trilateral e os Bilderbergers. Bush e os neocons têm sido meras ferramentas-do-momento para esta clique. Aconteceu os neocons estarem a promover um pacote que atraia a clique, que prometia avançar alguns dos seus objectivos. Ao selecconar os neocons para serem os condutores por trás de uma nova administração, a clique não estava de modo alguma a adoptar a filosofia neocon, nem tão pouco estava a comprar todo o pacote do PNAC [1] . Eles estavam simplesmente a empregar uma ferramenta conveniente que estava tacticamente alinhada com os interesses da clique naquele momento. Qualquer destas ferramentas pode ser descartada a qualquer momento se o seu comportamento vier a ser contraproducente, ou quando uma ferramenta melhor aparece. Há sempre um Plano B nos bastidores para qualquer ferramenta que se possa estragar. Bush, que provavelmente nunca leu nem mesmo a agenda do PNAC, foi seleccionado por razões inteiramente diferentes. Sabendo que a agenda seria altamente impopular, a clique decidiu que defendê-la logicamente seria muito difícil, mesmo com o controle completo dos media. Um Presidente articulado e inteligente pareceria um idiota se tentasse defender as políticas insanas. Assim, a nossa clique imaginou com esperteza: por que não colocar alguém que é obviamente um idiota de modo a que o público acredite que está a lutar contra a idiotice de um homem, e não compreender o que realmente está a avançar. Bush, naturalmente, sendo despistado sobre todos os assuntos além do golf, saqueio, cocaína e efemização (womanizing) , precisaria ser mantido longe de qualquer papel na direcção da Casa Branca. Daí a necessidade de Cheney, o presidente real na sombra, que deixa todas as foto-oportunidades para Bush, que permanece fora das vistas do público, e que transporta a Caixa do Armagedão Negro [2] com a todo lugar onde vai, algo que no passado apenas Presidentes oficiais o fizeram. Este foi o projecto que se tornou operacional na forma da primeira campanha presidencial de Bush. Os patos estavam todos alinhados para lançar uma grande aventura imperialista, as preparações para o 11 de Setembro estavam bem encaminhadas, e nenhum poder sobre a Terra iria travar o Bush Show. Bush, O Despistado, naturalmente tinha de vencer, não importa quanta alteração de votos e mentiras dos media fossem precisas, ou quantos Supremos Tribunais de Justiça fossem precisos para cumprir a tarefa. Como último recurso eles não teriam hesitado em afastar Gore, um dos seus próprios rapazes, se isto fosse o único meio para abrir o caminho para o seu homem actual, uma táctica que utilizaram anteriormente com Bobby Kennedy. Naturalmente, agora que temos as máquinas Diebold [3] , tudo isto pode ser efectuado através de uma única mensagem de comando do computador, especificando quais candidatos devem obter quais percentagens de votos em cada jurisdição. Contagens finais foram abandonadas pois proporcionam duras evidências estatísticas da "correcção" sistemática. Os neocons cumpriram muito para os seus mestres da elite, e em troca foi-lhes dada rédea solta para saquearem à vontade, canalizando todos aqueles milhares de milhões destinados à Guerra do Iraque para dentro dos seus próprios cofres corporativos e carteiras de investimento. Eles pelo seu lado estabeleceram os fundamentos de um Estado fascista nos EUA e no Canadá, asseguraram as reservas petrolíferas do Iraque, construíram mega-bases permanentes no Iraque, desestabilizaram com êxito o Iraque e preparado para a balcanização, garantiram rotas de pipelines no Afeganistão, restauraram o lucrativo comércio de ópio e fizeram progressos para alcançar a capacidade de primeiro impacto que será necessária quando chegar o tempo de tomar a Rússia e a China. É na verdade um grande maço de proezas num curto espaço de tempo. Mas para a nossa clique, a questão é sempre a mesma: "O que tem você feito por mim ultimamente?" A intenção neocon de bombardear o Irão foi o ponto em que se estragou a ferramenta, e ameaçou ficar inadministrável. Qualquer um que pense seriamente acerca do bombardeamento sabe que um ataque escaparia rapidamente a qualquer controle — dadas as armas avançadas que a Rússia forneceu aos cabeças aquecidas do Irão, e dado o facto de que o paiol de pólvora envolveria um Israel clinicamente desarranjado e com o dedo no gatilho, com potência nuclear. A Rússia e a China naturalmente entrariam em alerta ultra elevado, prontas a intervirem com a força devida se a espiral cruzasse certas não especificadas linhas na areia. Os neocons sabiam isto e a clique sabia isto. Qualquer ataque ao Irão, não importa quão bem planeado, limitado, e executado, seria jogar a roleta russa com a III Guerra Mundial. Os neocons estavam prontos a dar este passo, a jogar este jogo, e estavam num estágio muito avançado nos seus preparativos, tanto no aspecto militar como no das operações psicológicas, Isto nada tem a ver com a pretensa crença de Bush em revelações divinas e na ascensão do eleito, mas ao invés com crença evidente dos neocons de que estavam 'prontos para o grande dia', copiando uma página directamente de Dr. Strangelove, com os neocons no papel de Jack D. Ripper [4] . Contudo, ao contrário do demente comandante da base SAC, os neocons foram forçados a telegrafar os seus movimentos, e a clique não ficou satisfeita com o cenário. Eles sabiam que a capacidade de primeiro impacto não estava totalmente pronta — e a roleta russa não é algo que joguem sempre. Eles jogam só quando possuem todas as melhores cartas e possuem o controle do casino. Assim, chegou o momento de desligar a tomada da ferramenta neocon. Foi surpreendentemente fácil fazer isso. O primeiro passo, tomado quem sabe há quanto tempo, foi transmitir discretamente à Junta de Chefes das Forças Armadas que o projecto Irão é para cair, pouco importando que ordens possam vir da Casa Branca ou da Caixa Negra. Esta notícia, naturalmente, era para ser mantida no gabinete, tão seguramente quanto possível. Uma vez que castelo foi dessa forma tornado secretamente seguro, era um assunto trivial plantar as sementes que descarrilariam toda a carruagem da banda neocon. Um simples mas devastador aviso da Inteligência, uns poucos murmúrios para actores chave de Bilderberger de que na próxima reunião estava aberta a estação de caça ao contingente americano, e vários outros movimentos subtis e bastante fáceis. Custa pouco, afinal, deitar abaixo um castelo de cartas, particularmente um que se apoia num curinga fraco. A clique, como de costume, permanece invisível. Alguns elementos na Casa Branca sabem agora o que está a acontecer, ao passo que outros ainda pensam que a agenda neocon está na ordem do dia. Parece bastante óbvio que Cheney foi informado antecipadamente, e tem alguma espécie de paraquedas dourado nas suas acções de Natal. Nunca mais ouvi um pio dele desde que soubemos da reversão da clique, quando o aviso da Inteligência tornou-se do conhecimento público. Bush nesta altura está a imaginar Cheney como um Judas reincarnado, e a praticar como dirá "Até tu, Bruto?" se houver oportunidade. Mas Bush evidentemente ainda não compreendeu que o seu chip foi desligado, o dele e o do seu amigo Gates, pois ambos continuam a actuar como se o tractor ainda estivesse engrenado. Imagino que afundarão como os compadres no filme Monte Python... "Vá em frente, arranque o meu outro braço. Ainda assim baterei em ti". O passo a seguir será arrecadar os ganhos e preparar uma nova linha de estória inteiramente nova. Isto quer dizer, nenhum dos muito impressionantes (i.e. horrendos) feitos dos neocons será desfeito, e ainda assim o povo americano será levado a acreditar que os males estão no passado — o mesmo padrão táctico que vimos funcionar tão bem aquando da demissão de Nixon. Os media serão recheados com novas linhas de estórias totalmente novas, bem como com brilhantes confissões da inteligência a fim de recuperar a simpatia. Novas caras para os amantes da Terra, mais outras novas fantasias — e a experiência Bush desvanecer-se-á da memória pública, juntamente com os resultados da última temporada de futebol. É uma vantagem para os nossos dirigentes que nós os americanos tenhamos uma memória tão diminuta e tão limitados poderes de observação independente, em comparação com o resto da população mundial. Imagino que a finalidade do caldeirão foi fundir o nosso julgamento intuitivo básico. Ainda não é tempo para o ataque surpresa aos Feiticeiros Maus do Leste. A guerra baseada no espaço ainda está no Beta Teste. Nem é necessário por enquanto prosseguir com o pleno desencadeamento da Gestapo, das SS Storm Troopers, campos de concentração e trabalho forçado. Os neocons, diligentemente, construíram as fundações para tudo isto, tanto no concreto como nos precedentes legais, mas o projecto por enquanto está suspenso e os neocons sem missão. Quando vier o tempo de retomar o projecto isso será percebido como uma nova resposta para um cenário emergente inesperado, e a continuidade com a era Bush será percebida. O PREGADOR SINISTRO Sugiro que podemos ver o foco da próxima administração dos EUA se prestarmos atenção em Al Gore. Ele anda por aí a pregar o evangelho da mudança climática, e isso está a tornar-se rapidamente a nova cause celebre da 'comunidade internacional'. Trata-se de mais do que uma campanha por Gore, estamos a assistir a uma campanha apoiada pelos mass media, pelos poderes que estão por trás deles. Estamos claramente a ser preparados para um 'novo show', após o 'Bush show', e o 'novo show' vai em direcção a novos impostos e créditos sobre o carbono, novas fontes de energia, carros mais eficientes, biocombustíveis, e todas aquelas outras coisas que são alegadamente relacionadas com a mudança climática e o pico petrolífero. A fim de limpar o caminho para o novo show, parece muito claro que a nova administração começará com algumas vitórias políticas fáceis, ao limpar rapidamente algumas das óbvias bagunças deixadas pelos neocons. Encerrar Guantanamo, e declarar que os voos de "rendição" foram abandonados, ganharia um bocado de pontos sem qualquer custo real (voos e prisões secretas sem dúvida continuariam). O Iraque já foi desestabilizado e preparado para a balcanização, e bases permanentes americanas já foram construídas. Uma outra vitória fácil para as tropas americanas será retirarem-se para as suas bases e para os campos de petróleo, pois a guerra será declarada ultrapassada, e dividir o Iraque em províncias étnicas, deixando-as brigarem entre si. Isto pode ser retratado nos medias como uma 'vitória da paz de da democracia'. O que, então, podemos nós esperar deste novo show? Que consequências são prováveis seguir-se à aplicação das espécies de políticas que Al Gore e os media tem estado a falar, em torno de mudança climática, independência energética, etc? O que é que a nossa clique dirigente está realmente a tentar alcançar? A um nível geral, é claro que aquelas espécie de políticas não envolvem mudanças fundamentais no modo como as nossas sociedades operam. Ainda teremos carros, eles podem apenas ser um pouco mais eficientes, e estaremos a pagar mais para o combustível e os impostos a fim de operá-los. Ainda estaremos a transportar produtos da China que podíamos produzir localmente, e ainda estaremos dependentes de camionagem a longas distâncias. Ainda estaremos a utilizar métodos agrícolas que são altamente dependentes do petróleo, para tractores, fertilizantes e pesticidas. Investigação e desenvolvimento de novas fontes de energia conduzirão a montes de subsídios governamentais, e isso pode conseguir-nos um pouco mais de energia, mas não o bastante para substituir o petróleo. Enquanto o nosso transporte e outras infraestruturas permanecerem basicamente sem mudanças, permaneceremos insustentáveis, dependentes do petróleo, e nenhuma das iniciativas semelhantes às de Gore mudará o quadro energético global, o quadro do carbono, ou o quadro do clima, de qualquer modo significativo. BIOCOMBUSTÍVEIS = FOME A fim de começar a imaginar o que é a agenda real, por trás de políticas como as de Gore, vamos examinar um exemplo: biocombustíveis . Produzir biocombustíveis dá-nos outra fonte de energia, mas também remove terra da produção alimentar. Em consequência do mercado de biocombustíveis já existente, os preços de mercado para cereais e outras fontes potenciais de biocombustíveis agora estão a ser conduzidos pelos preços da energia. Os preços globais dos alimentos estão portanto a ascender rapidamente, enquanto em simultâneo a área de produção alimentar está a ser reduzida. Estas duas coisas aumentarão directa e drasticamente a fome mundial, particularmente nas regiões mais pobres. Uma administração inspirada por Gore estará a promover uma expansão dos programas de biocombustíveis a uma escala global, e estará a congratular-se pelos seus nobres feitos na poupança de petróleo. Tudo isto estará a ocorrer num contexto em que enfrentamos uma crise alimentar global. Não temos visto muitas manchetes sobre este tópico, mas o mundo está sentado à beira de uma grande crise alimentar. Stocks de emergência estão em níveis baixos, níveis de produção estão baixo, fracassos de colheitas aumentam, etc. É um quadro muito mau, mesmo sem biocombustíveis. Neste contexto, a consequência líquida de uma grande agenda de biocombustíveis chega ao genocídio intencional. A fim de proporcionar marginalmente mais combustível para os países industrializados super-consumidores, incontáveis milhões passarão fome no terceiro mundo, somando-se àqueles não contados milhões que já estão a passar. O ganho de energia marginal é tão pequeno em comparação que devemos aceitar que a agenda dos biocombustíveis é primariamente acerca do genocídio. Contudo, quando começarmos a ler acerca de novas fomes a irromperem, talvez no Brasil onde os biocombustíveis estão agora a entrar em produção maciça, as manchetes culparão as secas, ou as colheitas fracassadas, ou alguma outra desculpa, como sempre fazem. Nós em contrapartida sentiremos uma 'paixão verde' todas as vezes que enchermos o nosso Prius com biocombustíveis, inconscientes do dano que estamos a fazer. E talvez façamos doações à Oxfam [5] , ou adoptemos alguma criança do terceiro mundo e lhes enviemos cartas. IMPERIALISMO GENOCIDA Uma agenda Gore é simplesmente imperialismo genocida a esconder-se sob uma nova máscara, um novo show. Ao invés de exterminar os índios matando-lhes os seus búfalos, extermina populações removendo-lhes o seu acesso à comida por outros meios. Mais uma vez, 'eles' devem ser sacrificados de modo a que o 'nosso' modo de vida possa continuar e expandir-se. Podemos observar aqui que morreram mais iraquianos sob as sanções de Bill Clinton do que os foram mortos na actual guerra do Iraque. No tempo de Bill Clinton o padrão era genocídio invisível, ao invés daquele mais violento da variedade Bush. Aparentemente, num mandato de Hilary Clinton vamos retornar àquele anterior padrão invisível. É claro que as consequências de uma agenda Gore são genocidas, mas alguém pode perguntar se este é o resultado primário pretendido. Tenho estado a sugerir que sim, e penso que é necessária mais elaboração sobre este ponto. Ainda não construí o caso muito bem. Simplesmente apresentei alguma evidência e sugeri um padrão. A fim de obter uma perspectiva adequada sobre esta questão, precisamos dar um passo atrás e considerar o quadro mais amplo do mundo industrializado em relação ao terceiro mundo, diante de um vasto conjunto de crescente escassez de recursos — a perspectiva estratégica da nossa clique dirigente. Parece muito claro que os países industrializado não têm intenção de mudar o caminho básico em que estão, ou de abandonar o capitalismo. Podemos esperar apenas mais crescimento industrial, mais consumo de energia, uso contínuo de métodos agrícolas intensivos em energia, etc. Os remendos energéticos de uma agenda Gore não fazem diferença significativa neste quadro, eles simplesmente afirmam a intenção de prosseguir com os negócios como sempre. O único meio pelo qual o Norte industrializado pode continuar neste caminho é tomando cada vez mais da terra, água e recursos do terceiro mundo para o seu próprio uso. Quando o apetite industrial por recursos continuar a crescer a uma taxa rápida, e quando os recursos globais estão cada vez mais sob tensão, estamos em vias de assistir a uma muito rápida expansão da fome no terceiro mundo — a globalização de fomes em escala africana. Isto é inevitável enquanto o Norte permanecer neste caminho básico, se tivermos políticas como as de Gore ou algum outro conjunto de políticas isso é de pouca importância. Esta 'inevitabilidade' de extinções (die-offs) em massa no terceiro mundo é bem conhecida daqueles que dirigem os países industriais. Da perspectiva das alturas do poder, a questão torna-se: "Como podemos nós administrar estas extinções de modo a que elas provoquem o mínimo transtorno na economia global, e dessa forma não suscitem demasiado protesto público?". Naturalmente, uma vez que se começa a administrar extinções está-se então a ocupar de genocídio, isto é, dispor que populações particulares morram de preferência a outras. ÁFRICA: CAMPO DE TESTE O padrão para a administração da estratégia tem sido muito clara na África Sub-Saariana, onde todas aquelas guerras civis, atrocidades genocidas, secas e fome tem estado a ocorrer. Poucas pessoas percebem que estes desastres têm sido sistematicamente impostos à África, através de exigências do FMI, programas de desestabilização encobertos, negação de cuidados médicos, distribuição generalizada de armas automáticas, manipulações de bancos internacionais, a dedicação da terra e da água ao consumo do Norte, e a lista pode prosseguir. Não só a África está a ser esfaimada até à morte pelas forças do mercado como o processo está a ser acelerado por intervenções genocidas encobertas. Em África vemos um Holocausto na sua plena dimensão, um programa maciço de genocídio em andamento, ou deveria eu dizer que não vemos isso pois nada disso aparece nos media. Lemos que 'se atearam conflitos tribais', mas não ouvimos acerca das duas bombas da CIA cada uma das quais foi atribuída ao 'outro lado' e que acenderam a rixa, uma rixa que poderia tornar-se uma guerra civil. Lemos acerca de uma fome devida à 'seca', e não nos dizem que haveria muita água ali se não fossem todas as plantações de café para exportação que utilizam a água local. Nós não vemos genocídio, vemos africanos a cair por causa de misérias infelizes, todas elas devidas aos caprichos da Mãe Natureza. Assim, o padrão de administração das extinções (die-offs) torna-se claro. Ele foi testado satisfatoriamente na África, e podemos esperar que o padrão demonstrado venha a ser empregado no futuro. Eles escolhem uma população que consideram 'redundante', empreendem um programa de aquisição dos recursos daquela população, e então para acelerar o processo de remoção empenham-se em várias acções encobertas de genocídio. Deste modo a população do mundo pode ser reduzida pouco a pouco, e de forma administrável, pois o Norte requer gradualmente a utilização de TODOS os recursos do mundo para o seu próprio uso exclusivo. Infelizmente para o Norte, mesmo isso não será suficiente para permitir que o crescimento industrial continue. O Sul está a ser massacrado apenas para que o Norte insustentável possa continuar no seu caminho um bocadinho mais longe. Enquanto isso, os media no Norte pintam um quadro no qual apenas a natureza provoca a fome, e o papel do Norte é sempre proporcionar ajuda, na medida em que pode. Aos observadores preocupados são dados números de telefone convenientes para chamar, de modo a que eles possam dissipar as suas preocupações com um simples donativo que 'salvará uma criança', ou 'dar uma cabra a uma família'. Nenhum genocídio aqui, nós somos os bons rapazes. Não veja o mal, sinta-se bem. A propósito, são uma pena aquelas fomes lá. As políticas estilo Gore não são apenas genocidas, elas são formidavelmente genocidas. Quando eles começam a retirar quantidades maciças de terra à produção alimentar, e provocar um aumento substancial nos preços globais dos alimentos, diante de um mundo já tenso devido à situação alimentar, eles poderiam provocar a muito curto prazo – uma estação de más colheitas – a fome numa escala jamais vista anteriormente. Quão sério será o resultado dependerá inteiramente de quão agressivamente a nova administração prosseguir na agenda estilo Gore. Eles conseguiram fazer do genocídio uma ciência, com parâmetros afináveis. Aparentemente, tendo efectuado os testes de campo das tácticas do Holocausto na África Sub-Saariana, foi tomada uma decisão no sentido de avançar com o programa à escala global. Para esta finalidade, as políticas estilo Gore têm o potencial para serem as Armas de Destruição em Massa adequadas, o equivalente no jogo da fome às ogivas nucleares no jogo do matar pelo fogo. Esta decisão de avançar para o global foi evidentemente tomada tempos atrás, sem dúvida antes de ser pedido a Gore para realizar Uma verdade inconveniente (An Inconvenient Truth). O filme foi o primeiro sinal de quais os caminhos pelos quais os ventos iriam soprar, a primeira antevisão do 'novo show'. A missão primária da administração Hilary, sob as bandeiras do 'fazer alguma coisa acerca da mudança climática e do pico petrolífero', será evidentemente empreender a tomada maciça dos recursos no Sul global, conduzindo à eliminação maciça e selectiva de certas populações através da morte pela fome. Por outras palavras, a missão é expandir globalmente o modelo africano de morte pela fome, um processo que presumivelmente será corroborado pelos suspeitos do costume nos seus papéis habituais de desestabilização. Meu grande medo com o regime Bush era o provável ataque ao Irão... ou seria o desencadear da Gestapo? Foi uma corrida apertada naqueles dias negros. Agora estamos nós à beira de um regime inclinado ao genocídio numa escala que envergonharia os nazis. Sugiro que escapámos da panela apenas para cairmos na frigideira. Espero que ninguém tenha quaisquer noções românticas acerca da nova administração, e espero que todos percebam que o processo político nunca poderá ser utilizado para resolver os nossos problemas. Tal sistema é de facto o cerne do nosso problema. Também espero ser claro para todos que o genocídio global é uma consequência inevitável da continuação deste sistema capitalista insano, quer concorde com a maior da minha análise ou não. E finalmente, que o capitalismo não pode perdurar mais. Só quando tiver atingido este nível profundo de desesperança, onde não se vê saída para a fuga, é que poderá ficar suficientemente esclarecido para começar a ver onde jaz o problema real. O problema real, caros amigos, jaz no facto de que você e eu nada temos a dizer acerca de como as nossas sociedades são dirigidas. E qualquer um de nós tem mais senso do que as pessoas que estão a dirigir as coisas, e nós certamente temos os nossos companheiros humanos mais no coração. O nosso problema jaz na nossa falta de poder, deixando-o nas mãos daqueles que sempre dele abusaram, de uma forma ou de outra, numa era após a outra. Nosso desafio como espécie consciente, e nossa resposta se procurarmos fazer alguma coisa acerca da agenda crescimento-através-do-genocídio, é começarmos a nos fortalecer, nós pessoas comuns, sem referência aos processos políticos inúteis. Como buscar o nosso fortalecimento deve ser o objectivo das nossas investigações, e buscar tal fortalecimento deve ser o ponto central do nosso activismo.
27/Dezembro/2007 [1] PNAC: Project for the New American Century , [2] Caixa negra: refere-se aos comandos para desencadear a guerra nuclear. [3] Diebold: máquinas de votação electrónica que se prestam à falsificação. São fabricadas por uma empresa cujo proprietário é apoiante de Bush. [4] Jack D. Ripper: general mentalmente perturbado da U.S. Air Force no filme Dr. Strangelove. [5] Oxfam: organização caritativa que promove programas de auxílios individuais a crianças africanas. The CRG grants permission to cross-post original Global Research articles on community internet sites as long as the text & title are not modified. The source and the author's copyright must be displayed. © Copyright Richard K. Moore, Global Research, 2007
O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=7693

janeiro 18, 2008

O paradoxo andante

Cada dia, ao ler os diários, assisto a uma aula de história. Os diários ensinam-me pelo que dizem e pelo que calam. A história é um paradoxo andante. A contradição move-lhe as pernas. Talvez por isso os seus silêncios dizem mais que suas palavras e muitas vezes as suas palavras revelam, mentindo, a verdade.

Dentro em breve será publicado um livro meu chamado Espejos. É algo assim como uma história universal, e desculpem o atrevimento. "Posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo do ponto de vista dos que não saíram na foto. Pode-se dizer que não se trata de fatos muito conhecidos. Aqui resumo alguns, apenas uns poucos.

Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para a África, não para Paris.

Algum tempo depois, quando seus filhos já se haviam lançado pelos caminhos do mundo, foi inventada a escrita. No Iraque, não no Texas.

Também a álgebra foi inventada no Iraque. Foi fundada por Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algoritmo e algarismo derivam do seu nome.

Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam. No British Museum, por exemplo, as esculturas do Partenon chamam-se "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.

As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.

Os hindus souberam antes de todos que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exato de todos os tempos.

Em 1493, o Vaticano presenteou a América à Espanha e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Naquele tempo a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha e a África negra cem vezes mais que Portugal. Tal como havia mandado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.

Tenochtitlán, o centro do império azteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade pedra por pedra e, com os escombros, tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, agora correm os automóveis.

O monumento mais alto da Argentina foi erguido em homenagem ao general Roca, que no século XIX exterminou os índios da Patagônia.

A avenida mais longa do Uruguai tem o nome do general Rivera, que no século XIX exterminou os últimos índios charruas.

John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.

No momento em que nascia o século XVIII, o primeiro dos bourbons, Felipe V, estreou o seu trono assinando um contrato com o seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca ficava com 25 por cento dos lucros.

Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.

Dois dos Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém se recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris . A amnésia recompensou os seus atos. Carter foi a única personalidade eminente da independência que libertou seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula estabelecendo que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.

"O nascimento de uma nação", a primeira super-produção de Hollywood, foi estreado em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a de pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvação à Ku Klux Klan.

Algumas datas: Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. As suas vozes eram impuras, devido àquele caso da Eva e do pecado original.

No ano de 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam a perda da fidalguia.

Até o ano de 1986 foi legal o castigo das crianças, nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e porretes.

Em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, em 1793 a Revolução Francesa proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

A militante revolucionária Olympia de Gouges propõe então a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã . A guilhotina cortou-lhe a cabeça.

Meio século depois, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um a favor.

A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser uma revolucionária, nem nada que se parecesse. Mas há mil e quinhentos anos o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.

O general Ulisses Grant, vencedor da guerra do Norte industrial contra o Sul escravocrata, foi a seguir presidente dos Estados Unidos. Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu: – Dentro de duzentos anos, quando tivermos obtido do protecionismo tudo o que ele nos pode proporcionar, também nós adotaremos a liberdade de comércio. Assim, pois, nos de 2075, o país mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.

"Botinzito" foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa. Viajou para Londres em 1860. Os ingleses batizaram-no assim porque era parte do botim extorquido à China no fim das longas guerras do ópio. Vitória, a rainha narcotraficante, havia imposto o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida num país de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.

Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. Ao cabo de uma guerra de cinco anos, este país, o único das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou a sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, vindo de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização ao Brasil, Argentina e Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos, pelo trabalho que haviam tido a assassiná-lo.

O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que, em 1804, conquistou a sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar à França uma fortuna, durante um século e meio, para espiar o pecado da sua liberdade.

As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu os direitos humanos às corporações privadas, e assim continua a ser. Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos das suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo.

Mark Twain, dirigente da Liga Antiimperialista, propôs então uma nova bandeira, com caveirinhas em lugar de estrelas. E outro escritor, Ambroce Bierce, confirmou: – A guerra é o caminho escolhido por Deus para nos ensinar geografia.

Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram o experimento, e os alemães desenvolveram-no. Depois disso Hermann Göring aplicou na Alemanha o modelo que o seu papa havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os professores de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. As cobaias eram todas negras.

Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida.

A Hitler não lhe faltaram amigos. A Rockefeller Foundation financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi. A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão. A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e essa foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados. (...)

Por Eduardo Galeano

O original encontra-se em http://www.pagina12.com.ar/diario/sociedad/3-96843-2007-12-30html.

Este excerto encontra-se em http://resistir.info/.

janeiro 16, 2008

A mídia ignora os direitos humanos

Por João Freire [Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2008 às 14:40hs]

Domingo, 10 de dezembro de 2006. Uma grande comemoração foi realizada no Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. O evento organizado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) reuniu mais de 20 mil pessoas para assistir aos shows de Chico Buarque, Gabriel o Pensador, Daniela Mercury, Elza Soares e Gilberto Gil, na Praia de Botafogo. A grande mídia comercial (impressa e eletrônica) ignorou o evento. No dominical Fantástico (TV Globo), uma matéria com 23 segundos de duração mencionou a comemoração, de forma telegráfica. Para esses veículos, o evento não existiu e, conseqüentemente, para a maioria da população, os direitos humanos continuam sendo pouco conhecidos.
O desinteresse pelo evento da SEDH não foi um fato isolado. Todos os eventos sobre direitos humanos são boicotados pela mídia comercial. Foi assim, por exemplo, com a Conferência Nacional e com o Congresso Interamericano, realizados em 2006.
Outro exemplo ocorreu na terça-feira, 20 de novembro de 2007. Na data em que se comemora o Dia da Consciência Negra, o Jornal Nacional veiculou uma matéria questionando a “utilidade” de esse dia ser feriado. Segundo a matéria, causaria prejuízos para a indústria e para o comércio. Um dos entrevistados afirmou que o feriado é inconstitucional. O preconceito e a luta pela igualdade racial no Brasil não foram abordados.
É importante lembrar que as emissoras de TV são concessões públicas e têm como obrigação constitucional priorizar a informação, a cultura, as artes e a educação. Inclusive a educação em direitos humanos. Mas, na prática, enquanto alguns veículos ignoram, outros discriminam os movimentos de direitos humanos, afirmando que eles “só defendem bandidos”.

http://www.revistaforum.com.br

Raul Reyers, a voz das Farc

Ele vive na selva colombiana há mais de 30 anos e é considerado um dos 50 homens mais procurados do mundo. Raúl Reyes aprendeu a viver na clandestinidade e, por isso, não abre mão do fuzil M16. Nem quando concede uma entrevista.
O porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) falou com exclusividade à revista Fórum sobre a saúde de Ingrid Betancourt, seqüestrada durante a campanha presidencial de 2002, e a mediação de Hugo Chávez. O comandante enumera as razões de luta da guerrilha mais antiga do continente.

E lamenta que a organização tenha perdido a oportunidade histórica de chegar ao poder.

Fórum – Porque é tão difícil convencer as Farc a dar provas de vida dos reféns?

Raúl Reyes – O problema é muito simples. As Farc priorizam a segurança, tanto dos prisioneiros quanto de seus integrantes. Explico: não vamos expor ninguém para que o governo de [Álvaro] Uribe assassine ao tentar resgatá-los pela força. Tampouco vamos expor os guerrilheiros aos ataques aéreos do Exército. Esta circunstância real da confrontação faz com que tenhamos muito cuidado em enviar gente ao lugar onde eles estão.


Fórum – Mas a demora faz a comunidade internacional questionar o real estado de saúde dos prisioneiros...

Reyes – A comunidade internacional se sentiria muito mais preocupada se estas pessoas morressem por um erro nosso. Lembre-se do que aconteceu com os deputados do Vale do Cauca. Morreram 11 deputados. Houve falhas de segurança e, por isso, eles morreram. Antes haviam morrido outros, também numa tentativa do governo de Uribe de resgatá-los à força. Mas admito que houve falha da nossa parte e não queremos que isso se repita, ao contrário. Queremos manter a segurança e integridade física dos prisioneiros, incluindo a senhora Ingrid Betancourt, os três estadunidenses e cada um dos militares e policiais que estão nas mesmas condições.
Por Jacques Gomes Filho [Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2008 às 14:23hs]

http://www.revistaforum.com.br

janeiro 14, 2008

O Futuro de Trabalho II

Terminaremos aqui o exame da profunda crise que enfrenta o trabalho estável e de boa qualidade no capitalismo global. Um dos paradoxos contemporâneos é que muitos dos que enfrentam o desemprego ou o subemprego receberam uma sólida educação; mas a máquina substituiu o homem ou o trabalho migrou para lugares onde se aceita trabalhar a preços vis.Na pujante Coréia do Sul, orgulhosa de seu amplo e forte ensino superior, a queixa da juventude atual é constatar que essa conquista não é suficiente para garantir uma ocupação.Na área de serviços, a automação transformou em realidade a melhor ficção científica. No Brasil, o moderníssimo e altamente rentável setor bancário se ampliou largamente nos últimos 20 anos e, apesar disso, reduziu pela metade seus postos de trabalho.Na indústria pesada dos EUA - entre 1982 e 2002 - a produção de aço aumentou de 75 milhões para 102 milhões de toneladas, embora o número de operários metalúrgicos tenha caído de 290 mil para 74 mil. O grosso desses empregos não saiu do país, foi substituído por máquinas sofisticadas.Os que mais sofrem são os jovens, que precisam entrar, e os "velhos", que lutam por permanecer no mercado. Agora os dispositivos inteligentes de ativação de voz também ameaçam a recentíssima fronteira de empregos - ainda que de má qualidade - dos serviços de telemarketing. E os leitores de códigos de barra estão liquidando muitas funções em lojas e supermercados. Um dos poucos mercados para jovens que ainda permanecem em ampla expansão mundo afora, pasme-se, é o dos moto boys. Mas, em geral, as novas oportunidades não cobrem as crescentes perdas.Richard Sennett, professor de Sociologia da London School of Economics, entrevistou, nos anos 1990, jovens e talentosos profissionais de publicidade na Europa. Eles tinham a sensação de estar "dobrando o cabo" aos 30 anos de idade e de ficar "fora do jogo" aos 40. Essa é uma das evidentes contradições do "progresso" no mundo globalizado. A nova medicina permite-nos viver e trabalhar por mais tempo, mas a extinção de capacitações se acelera e ninguém quer mais saber de "velhos". Vivemos mais tempo, mas para quê? No atual padrão tecnológico, os especialistas em computação e os médicos precisam reaprender suas técnicas, no mínimo, três vezes em sua vida profissional. E isso vai piorar. O empregador aprendeu que é melhor contratar um jovem de 25 anos, barato e cheio de energia, que voltar a treinar um homem de 50 anos. Além do mais, um jovem imigrante turco europeu se comporta, em geral, de maneira prudente - quando tem problemas no emprego "sai de fininho" porque carrega menos "bagagem familiar".A extinção de capacitações é uma característica permanente do avanço tecnológico. A automação pouco precisa da experiência. Enfim, as forças do mercado fazem com que seja mais barato comprar novas capacitações do que pagar pelo retreinamento. Os Estados nacionais, por sua vez, pouco conseguem influir na geração de empregos formais; aprenderam a atender razoavelmente os que estão no desemprego absoluto, mas não sabem como lidar com o subemprego.O processo de avaliação de talento depende agora da "aptidão potencial", da capacidade de transitar de um tema a outro. Como os conteúdos do trabalho e a solução dos problemas estão em contínua modificação, qualquer aprofundamento exagerado é um desperdício, pois os projetos são sempre de curta duração. O conceito de trabalho em equipe muda. Não há tempo para conhecer bem os companheiros, pois daqui a pouco serão outros. A questão se resume em colocar logo um novo grupo em ação. A pressão é para obter resultados rápidos. Não há mais como aprender com os erros.O ressentimento que os trabalhadores cultivavam, por conta das tensões do sistema econômico, nos anos do "capitalismo social", persiste hoje ainda mais forte, agora por razões diferentes: sentimo-nos muito desprotegidos diante de Estados frágeis e ineptos; as empresas, cada vez mais pragmáticas, minimizam de toda forma a importância do trabalho; e os sindicatos se transformaram em trambolhos inúteis diante da dura realidade do emprego informal e flexível. Para alguns cientistas sociais, esse ressentimento pode explicar o fato de tantos trabalhadores que se posicionavam na centro-esquerda terem passado para a extrema-direita, transformando tensões materiais em símbolos culturais.O que mais queremos são âncoras mentais e emocionais que nos amparem nas novas tormentas. Na falta delas, fica a busca aflita de uma proteção que não existe mais, e uma necessidade ainda maior de fabricar heróis salvadores. Isso gera fenômenos de massa estranhos, como os violentos filmes dos justiceiros americanos ou o sucesso de Tropa de Elite entre nós.Diante desse quadro de cores pesadas, o lúcido Sennett enxerga três frágeis iniciativas "inovadoras". Uma delas é fazer os sindicatos funcionarem como uma espécie de agência de empregos; e "comprarem" cotas de planos de aposentadoria complementar e assistência médica para "sortear" entre seus membros, oferecendo com isso um mínimo senso de solidariedade e comunidade, tão escasso no mercado de trabalho. Outra é sugerir às pessoas que tenham - se possível - sempre mais de um trabalho parcial para estarem mais preparadas quando da inevitável perda de um deles, preservando a auto-estima. Finalmente, antevê-se um Estado limitado a "bolsas-família" e programas de "renda mínima" para minorar o sofrimento mais radical.Visto assim, o futuro do trabalho aparece com contornos muito sombrios. Os otimistas que tratem de torcer para estarmos aqui a ver fantasmas.
Gilberto Dupas, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI), coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, é autor de vários livros, entre os quais O Mito do Progresso (Editora Unesp)

janeiro 13, 2008

Democracia americana. Democracia americana?

Richard Moor denuncia "democracia de araque" – O cineasta norte-americano Richar K. Moor demonstra com lucidez em artigo publicado em dezembro no Global Research a natureza da idolatrada(Veja, Globo e cia) democracia dos EUA: "Esta tem sido a natureza da nossa 'democracia' desde 1913, quando o Federal Reserve Act foi enfiado à fórceps no Congresso durante as férias de Natal pelas mesmas pessoas que financiaram a campanha de Woodrow Wilson e que se tornaram os proprietários privados do novo e todo poderoso banco central. A primeira grande iniciativa dessas pessoas, os ancestrais da nossa atual clique dirigente, foi financiar ambos os lados na Europa durante a I Grande Guerra Mundial, e a seguir conluiar a entrada dos EUA na guerra bem a tempo de inclinar o equilíbrio de forças para lado favorecido pela clique — o mesmo padrão que caracterizou a II Guerra Mundial".

Nas mãos de alguns – Para Moor poucas famílias mandam na democracia americana: " a partir daquele ponto e daí em diante a elaboração da política americana tem estado firmemente nas mãos da clique original do Federal Reserve e dos seus descendentes. Os media "de referência" também estão sob o controle da mesma clique, de modo que à opinião pública nunca é permitido interferir com objetivos fundamentais da clique. Os medias podem ser utilizados para apoiar presidentes em exercício, ou para miná-los, dependendo do que serve melhor aos objetivos. Nenhum Presidente que tenha virado as costas a estas pessoas sobreviveu muito no cargo, como vimos mais recentemente no caso de JFK. Os tentáculos da clique atingem também os escalões de topo dos serviços de inteligência e do Pentágono, bem como àqueles influentes fóruns globalistas como a WTO, a Comissão Trilateral e os Bilderbergers". Ah tá, e depois falam do Chavez. Para quem ainda acha que o sistema é modelo de alguma coisa, e confunde democracia com poder financeiro, recomenda-se a leitura do artigo em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=7693
Eviado por Marcos Henrique, PSOL-PR

A crise no Império

Segredos da crise hipotecária - Rick Wolff, professor de Ciências Econômicas na Universidade de Massachusetts, revela em artigo que as perdas financeiras que resultaram da crise hipotecária "ainda são desconhecidas, não contadas, se não escondidas porque se fossem conhecidas seriam politicamente explosivas". E dá exemplos: "que perdas sobre tais títulos teria o governo chinês de admitir junto ao seu povo? Como será que governadores e presidentes de municipalidades enfrentarão a ira de eleitores americanos com os aumentos de impostos sobre a propriedade para compensar as dificuldades que surgem na emissão de títulos classificados pelas mesmas, agora comprometidas, companhias de rating ? Quais fundos de pensão sofreram perdas devido a
tais títulos que poderão impedi-las de cumprir plenamente os benefícios prometidos? Quais os fundos mútuos que compraram títulos apoiados por hipotecas e ainda têm de contar ou anunciar todas as perdas? Quais daqueles fundos mútuos estão incluídos nas carteiras de que depende a sua vida, direta ou indiretamente? O que acontece agora quando às companhias que fizeram seguros de empréstimos faltarem fundos suficientes para pagar as reclamações que estão a caminho? Estarão também os cartões de crédito sub-prime, empréstimos a estudantes e a corporações que apoiaram milhões em outros títulos prestes a implodir?" . O artigo completo encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/wolff040108.html
PSOL-PR

janeiro 12, 2008


Por Esquerda Marxista

janeiro 11, 2008

O Futuro do Trabalho

O trabalho remunerado, atividade essencial ao engajamento econômico e social do ser humano na sociedade, está em crise. O capitalismo global contemporâneo trocou lealdade por produtividade imediata e acabou com a época dos relógios de ouro como prêmio por logo tempo de dedicação. Ninguém mais tem emprego de longo prazo garantido na sua atual empresa. As próprias capacidades individuais, adquiridas por estudo ou experiência, sucateiam a cada oito a dez anos. O emprego será cada vez mais voltado para tarefas ou projetos de duração definida.É uma mudança radical em relação ao fim dos anos 1960, quando os indivíduos eram enraizados em sólidas realidades institucionais nas suas corporações, que, por sua vez, navegavam em mercados relativamente firmes. Na época dourada do capitalismo do pós-guerra, quando matérias-primas entravam por uma ponta e automóveis saíam prontos por outra, vigorava uma certa "ética social" que domava a luta de classes e garantia - mais na Europa, mas também nos Estados Unidos - benefícios como educação, saúde e pensões por aposentadoria, considerados então direitos universais. A partir dos anos 1980, com a globalização dos mercados, as corporações e seus investidores ficaram mais preocupados com os lucros a curto prazo e os empregos começaram a cruzar rapidamente as fronteiras. E, com os avanços da tecnologia de informação, tornou-se mais barato investir em máquinas do que pagar a pessoas para trabalharem.Richard Sennett, da London School of Economics, entrevistou naquela época operários da classe média que se encontravam no epicentro das indústrias de alta tecnologia, dos serviços financeiros e dos meios de comunicação. Grande número deles considerava que sua vida estava agora em risco permanente. A tendência era aceitar essas mudanças estruturais com resignação, como se tivessem caráter inevitável, no que acertaram em cheio.O novo capital é impaciente, avalia resultados mais pelos preços das ações que pelos dividendos. A esses investidores o que interessa é a capacidade das empresas de serem flexíveis como um MP3, com a seqüência de produção podendo ser alterada à vontade e terceirizando tudo sempre que possível. Sennett vê a tendência para o futuro dos empregos como contratos de três ou seis meses, freqüentemente renovados. A conseqüência já se faz sentir. O trabalho temporário é o setor de mais rápido crescimento da força de trabalho nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. E já representa 25% da mão-de-obra empregada nos Estados Unidos.Numa organização flexível como os investidores gostam, o poder ocupa uma posição quase virtual; estabelece as tarefas, avalia os resultados e promove a expansão ou o encolhimento da empresa. O objetivo é obter os melhores resultados com a maior rapidez possível. Das várias equipes encarregadas das tarefas, estabelecem-se prêmios apenas para a de melhor desempenho. Sennett lembra que é um jogo de tudo ou nada que mantém alto nível de ansiedade e baixa lealdade institucional. A desigualdade no interior das empresas aumenta; as remunerações são muito altas para os executivos bem-sucedidos e muito baixas para os trabalhadores.O melhor exemplo é o Wal-Mart, a maior empresa em faturamento do mundo, que utiliza alta tecnologia e paga próximo da linha de pobreza ao grosso de seus funcionários. Compare-se com os empregos estáveis e com boa remuneração que a grande indústria norte-americana do pós-guerra (Ford, GM, GE e outras) gerava, o que possibilitou a estruturação da sólida classe média do país. Hoje tudo mudou. O dia de trabalho se prolonga pelos períodos de descanso, a pressão torna-se mais depressiva que estimulante. Em suas pesquisas de campo, Sennett constatou que nessa situação, em que a lealdade à instituição não pode ser construída, se gera maior propensão ao alcoolismo, ao divórcio e aos problemas de saúde. No nível mais baixo dos empregos flexíveis imperam os chamados Mc-empregos - fritar hambúrgueres ou atender em lojas - ou os postos de atendentes de telemarketing. Essas ocupações podem parecer um fator positivo de acesso para jovens sem habilitação. Mas logo se transformam num beco sem saída. Na verdade, muitos empregos braçais na área de serviços deixaram de ser atraentes para os jovens e essas tarefas são executadas por absoluta falta de alternativa. Nos países desenvolvidos, em geral são entregues a imigrantes, que dão maior valor ao dinheiro momentâneo do que à estabilidade e à qualidade do trabalho.Sennett constatou que a maior aspiração dos trabalhadores temporários é que alguém os queira em caráter permanente. A gratificação postergada em nome de objetivos pessoais de longo prazo sempre foi a mola propulsora da "ética protestante do capitalismo" de Weber e o segredo de sua "jaula de ferro". O novo paradigma zomba da gratificação postergada. A erosão da ética protestante não se dá, ao contrário do que pensa Huntington, pela contaminação de raças latino-americanas "inferiores", mas pela própria lógica do sistema que destrói lealdades. A geração anterior pensava em termos de ganhos estratégicos de longo prazo, ao passo que para a atual só sobram pequenas realizações imediatas. As pessoas pertencentes às classes média e alta ainda podem dar-se ao luxo de correr esses riscos e viver essas tensões à espera de uma boa oportunidade. Mas os jovens de classe baixa são muito mais dependentes das relações estáveis por terem uma rede de proteção frágil e poucos contatos e conexões importantes.Como se vê, o pujante e vencedor capitalismo global tem seu calcanhar-de-aquiles na má qualidade e na pouca quantidade dos empregos que gera. O próximo artigo continuará aprofundando esse complicado paradoxo.
por Gilberto Dupas

janeiro 09, 2008

Reflexão marxista

"O pensamento revolucionário nada tem em comum com a idolatria. Os programas e os prognósticos verificam-se e corrigem-se à luz da experiência, que é para o pensamento humano a suprema instância. Entretanto, mesmo correções e complementos não podem ser aplicados com sucesso se não nos servimos do mesmo método que se encontra à base do Manifesto [Comunista], como, além disso, o prova a própria experiência histórica"
Leon Trotsky

Boitempo publica A Ideologia Alemã

Chega às livrarias a aguardada edição integral de A ideologia alemã, de Karl Marx e Friedrich Engels. Traduzida diretamente do alemão para o português por Rubens Enderle, Nélio Schneider e Luciano Martorano, com texto final de Rubens Enderle, a edição da Boitempo tem introdução escrita por Emir Sader e supervisão editorial de Leandro Konder, um dos maiores estudiosos do marxismo no Brasil. Além disso, será a versão mais fiel aos originais deixados pelos autores, pois a primeira no mundo traduzida a partir da inovadora Mega-2.

Reforma da CLT



















Que tem o apoio da CUT, da Força Sindical e outras centrais que negam a luta de classes e se entregam aos patrões.
Trabalhores do Brasil, a construção de uma central que representa os interesses da classe trabalhadora é imprescindível para nossa luta.

janeiro 03, 2008

PCB apresenta ao Ministério Público representação judicial contra a Rede Globo

"O programa "Fantástico" do último domingo, dia 16 de dezembro, numa sórdida e repugnante matéria, atiçou o povo brasileiro contra os venezuelanos, insinuando uma suposta "invasão militar" da Venezuela ao nosso país. Nesta semana, o PCB representou judicialmente contra a emissora, instando o Ministério Público Federal a acioná-la, para assegurar direito de resposta, no mesmo espaço, a representantes dos governos ofendidos. Leia aqui a integra da ação."
REPRESENTAÇÃO JUDICIAL CONTRA A GLOBO:
Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador Geral do Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro
O PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB), registrado no Tribunal Superior Eleitoral e inscrito no CNPJ, sob o número 01585552/0001- 71, vem, através de seu advogado e Secretário Geral, IVAN MARTINS PINHEIRO, brasileiro, advogado inscrito na OAB-RJ, sob o número 17.517, com endereço na sede do partido, à Rua Teotônio Regadas, 26 – sala 402, Lapa, Rio de Janeiro (RJ), apresentar
REPRESENTAÇÃO em face da Rede Globo de Televisão, com sede nesta cidade, tendo em vista que, em seu programa "Fantástico", edição de 16 de dezembro último, violou o parágrafo único e praticamente todos os incisos do "caput" do artigo quarto da Constituição Brasileira, cláusula pétrea de nossa Carta Magna, que trata dos princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil:
· prevalência dos direitos humanos; · autodeterminaçã o dos povos; · não-intervenção; · igualdade entre os Estados; · defesa da paz; · solução pacífica dos conflitos; · repúdio ao terrorismo e ao racismo; · cooperação entre os povos para o progresso da humanidade.
Parágrafo Único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
1 - Com o notório objetivo de instigar um conflito militar entre o Brasil e a República Bolivariana da Venezuela, aquela emissora exibiu, em horário nobre, no programa de maior audiência nacional, uma provocativa reportagem sob o título: "O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA UMA GUERRA CONTRA A VENEZUELA?".
2 - A programação foi exaustivamente promovida, de forma sensacionalista, nos dias anteriores à difusão, com chamadas renitentes, em que se perguntava: "COMO REAGIRIAM OS BRASILEIROS A UMA INVASÃO DA VENEZUELA AO NOSSO PAÍS?".
3 - Para escamotear da população brasileira suas deletérias intenções - e certamente para tentar fugir das penas da lei -, a reportagem assumiu uma forma híbrida, para passar a impressão de que se tratava de humor. Para enganar os brasileiros entrevistados na fronteira, os repórteres passavam-lhes a impressão de que se tratava de uma reportagem do tradicional programa dominical.
4 - Inúmeras passagens do programa - que podem ser verificadas na gravação áudio-visual que se anexa à presente - evidenciam a transgressão dos princípios constitucionais acima arrolados. O programa já começa com a caluniosa insinuação de que a Venezuela está se armando para invadir o Brasil. Trata-se de uma notória fraude. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o adversário externo do governo venezuelano é o governo norte-americano e não o brasileiro.
5 - Os repórteres manipulam, sem qualquer pudor, a inocência, o patriotismo e a falta de informação e consciência política de alguns compatriotas nossos que vivem naquela fronteira. Entre outras irresponsabilidades e leviandades, perguntam aos incautos se lutariam em defesa do Brasil, na iminência da agressão venezuelana. Chegam ao ponto de percorrer, em um carro decorado com nossas cores nacionais, a via principal de Pacaraima (RR), promovendo uma "convocação de emergência", incitando a população a se "alistar para a guerra contra a Venezuela". Isto se dá exatamente na fronteira entre os dois países amigos, fomentando um clima de hostilidade e agressividade entre vizinhos que ali, mais do que em outros rincões, têm intensa interação familiar, cultural, social e econômica.
6 - O programa trata de ridicularizar, satanizar e estereotipar o Presidente da Venezuela, através de edição de imagens para que pareça um agressor de nosso país. O objetivo político central é uma solerte campanha para instar o governo brasileiro a reforçar sua fronteira com a Venezuela e se armar para poder "enfrentar o país agressor".
7 - Para tal, tentam ridicularizar também as nossas Forças Armadas. Enquanto as Forças Armadas venezuelanas são apresentadas como "a maior força bélica da América Latina", as nossas são caracterizadas como sucateadas, ineficientes, obsoletas. Nesse desiderato, não faltam cenas grotescas e patéticas, como os locutores treinando brasileiros para se defenderem com pedras. Há uma passagem em que um ator, fazendo o papel do Presidente Hugo Chávez (chamado debochadamente de "Chaverito") , passa incólume pela fronteira, de três maneiras: a pé, de bicicleta e a cavalo. Tudo com a cumplicidade de funcionárias da Receita Federal brasileira que aparecem no programa, sendo que uma delas tem o seguinte diálogo com o locutor:
· Locutor: "Os venezuelanos são bons vizinhos?" · Funcionária: "Com toda sinceridade? Não!" · Locutor: "Vocês botam tranca aqui no posto após o expediente, para não ter nenhum venezuelano passando por aqui?" · Funcionária: "Claro".
8 - Ao fim deste bloco, afirma o locutor, categórico e solene:
"Está provado: a hora que Chávez quiser, ele invade o Brasil."
9 - O grave é que o programa em foco, de imensa audiência popular, criou uma imagem de credibilidade que leva muitos brasileiros, sobretudo os que não têm visão crítica da manipulação midiática, a terem suas opiniões formadas exatamente por suas reportagens, que, aliás, têm muito pouco humor. Sua matéria prima principal é o sensacionalismo. Quem de nós já não ouviu, quando se quer confirmar que determinada informação é verídica: "Mas isso "deu" no Fantástico!".
10 - O final do programa é uma provocante e abjeta apologia à guerra entre o povo brasileiro e o venezuelano, onde os locutores revelam suas intenções, em frases repugnantes e sórdidas como estas:
"E se o tempo fechar entre Brasil e Venezuela: será que estamos preparados?" "Qualquer movimento estranho na fronteira, liguem para Brasília e reclamem com o síndico."
11 - Para insinuar que o perigo não se limita ao norte, na fronteira com a Venezuela, mas que a "invasão" pode vir também pelo sul, pela fronteira com a Bolívia, o programa aproveita para ridicularizar o Presidente boliviano, Evo Moralez, colocando-o como submisso ao Presidente Chávez. Quando o locutor informa ao público: "Agora, vamos ver como está a fronteira sul", imediatamente entra uma charge animada de Evo Morales propondo Chávez para Presidente da Bolívia.
12 - Na realidade, o programa ofendeu três Presidentes: o Presidente da Bolívia, como uma marionete, um fantoche; o Presidente da Venezuela, como um invasor, um ditador; o Presidente do Brasil, como um pusilânime, um omisso, que não reage e não prepara o país para se defender da "invasão". A todos, portanto, agravou com dano material, moral e às suas imagens.
13 - O desrespeito é tão grave e notório que o programa foi ao ar exatamente no momento em que o Presidente Luiz Inácio da Silva estava num intervalo de visitas aos dois países, justamente para estreitar os laços de amizade e colaboração entre seus povos, na perspectiva da integração latino-americana! No dia anterior, nosso Presidente chegara da Venezuela; no dia seguinte, viajou para a Bolívia.
14 – A nosso juízo, não se tratou de coincidência. O programa é parte de uma insidiosa e contumaz campanha de manipulação – a serviço de interesses imperiais -, destinada a tentar frear a determinação inabalável dos povos da América Latina, no sentido de romper os grilhões que os levaram à dependência, ao subdesenvolvimento e à iniqüidade social.
15 – A importância que a Constituição brasileira atribui ao nosso convívio harmonioso com os países latino-americanos é muito relevante, a ponto de estabelecer como princípio a busca da integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.
16 - Diante de todo o exposto é que o PCB requerer ao ilustre dirigente do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL que intente a AÇÃO PÚBLICA que julgar compatível contra a Rede Globo de Televisão para que, com base no inciso V, do artigo 5º de nossa Constituição Federal, SEJA ASSEGURADO O DIREITO DE RESPOSTA, PROPORCIONAL AO AGRAVO, NO MESMO PROGRAMA E NO MESMO DIA DA SEMANA E HORÁRIO EM QUE SE PRODUZIRAM AS OFENSAS, A REPRESENTANTES DESIGNADOS PELOS GOVERNOS OFENDIDOS, A SABER: DA BOLÍVIA, DO BRASIL E DA VENEZUELA.
17 - Finalmente, requer o PCB que o eminente Procurador analise a transgressão de nossos princípios constitucionais à luz da legislação penal e daquela que regulamenta a concessão pública de emissoras de televisão, estudando a possibilidade de se postular a aplicação de sanções, tendo em vista, entre outros dispositivos, o artigo 221, de nossa Carta Magna, que estabelece que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão exclusivamente a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, à promoção da cultura nacional e ao respeito aos valores éticos e sociais da nação. Entre estes, Excelência, destacam-se a tradição brasileira de privilegiar o convívio fraterno entre os povos e o respeito absoluto à sua autodeterminaçã o.
Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 2007
Ivan Martins Pinheiro
Com cópia para: - Presidência da República Federativa do Brasil - Ministérios das Relações Exteriores e das Comunicações; - Embaixadas da Bolívia e da Venezuela; - Associação Brasileira de Imprensa; - Ordem dos Advogados do Brasil (RJ).

Ilha das flores

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