* Sara Roy é professora do Harvard's Center for Middle Eastern Studies. Autora de Failing Peace: Gaza and the Palestinian-Israeli Conflict.
Artigo reproduzido da Agência Carta Maior
"Não há estrada real para a ciência e só têm possibilidade de chegar aos seus cumes luminosos aqueles que não temem cansar-se a subir as suas escarpadas veredas" (Karl Marx - 1872)
"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.
Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)
Olá pessoal, essa mensagem eu copiei do blog da Mendi, espero que gostem".
"A saúde para dar e vender.
A paz para entregar e acolher.
O carinho para doar e receber.
A ternura para brotar e ceder.
A paciência para acalmar e convencer.
A tranqüilidade para conservar e converter.
A consciência para constatar e compreender.
A solidariedade para despertar e oferecer.
A esperança para desdobrar e alvorecer.
A lembrança para recordar e entender.
O dinheiro para ganhar e precaver.
A coragem para enfrentar e combater.
O sucesso para alcançar e engrandecer.
O otimismo para elevar e transparecer.
A fé para acreditar e permanecer.
O sonho para determinar e percorrer.
A saudade para lembrar e não perder.
O amor para cativar e bem querer.
A amizade para emanar e florescer.
E um tudo de melhor para viver...".
São meus desejos para vc!!
Fica aqui a sua mensagem a juventude, escrita por ele poucos dias antes de morrer:
“ Atenção jovem do futuro;
6 de setembro de 2120, aniversário ou 1º centenário da revolução socialista mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista, e pos fim a todos os inimigos da nova sociedade.
Aqui ficou somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte.
Desculpem.
Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos, que eu mesmo não verei. Mas tenho o prazer de ter sonhado.
Chico Mendes ”.
Sob os escombros do socialismo ainda jaz a única esperança para que a humanidade não se destrua. O que jaz sob esses escombros é, sobretudo, a mensagem ética da construção de uma melhor página para a história humana, com suas contradições e limites.
Flávio Aguiar
“O Capital”, de Karl Marx, compartilha com a Bíblia, além de questões de estilo, editoração, exegeses interpretativas e até propósitos, um destino peculiar: é livro muito citado e pouco lido. Os da minha geração que começamos a sua leitura fomos muito poucos; os que, além disso, passamos do primeiro volume, menos ainda. Explica-se: o primeiro livro foi o único de fato aprontado e revisto pelo próprio Marx. Os outros foram publicados postumamente. Apesar do nobre esforço editorial de Engels, os livros posteriores ao primeiro são mais descosidos e de leitura mais árdua.
O nosso catecismo doutrinário, o nosso Vade-Mecum, foi o pequeno livro de Engels, “Do socialismo utópico ao socialismo científico”. Ele era um excerto de outro, o Anti-Dühring, mas continha informação suficiente para dele se extrair uma visão geral do processo histórico de formação do proletariado e da burguesia da Europa, de como se chegou às grandes revoltas operárias do século XIX, e de como se forjaram as propostas do socialismo marxista.
Tínhamos uma tendência a ler tudo em preto e branco, e com um mínimo de nuances. Assim fizemos uma leitura algo positivista (na melhor tradição brasileira) do livro. Esse modo de lê-lo começava por tomar suas descrições como a da linha civilizatória por excelência. A formação da moderna luta de classes na Europa era “a” formação histórica por excelência, algo assim como na nossa infância, ao brincarmos com aqueles tijolinhos coloridos com que montávamos um burgo de aspecto europeu e medieval, construíamos sem querer nas nossas almas um modelo ideal de cidade. Durante muito tempo tudo o mais em estilo urbano nos pareceria necessariamente um desalinho do modelo original. Estendendo a metáfora, podemos entender por que até hoje existe uma resistência muito grande, tanto aí como aqui, na Europa, a aceitar o atual processo latino-americano como algo de fato original que está levantando desafios e propostas não previstos nos modelos originais.
O segundo passo daquela leitura era o de fazermos uma leitura, por assim dizer, em linha reta. Víamos o livro apenas a partir de seu ponto de chegada, a inevitabilidade do processo histórico que levava à grande revolução proletária e à liderança pelo socialismo que (até de um modo um tanto positivista...) reivindicava sua própria cientificidade. Tudo o mais que o livro continha era levado de roldão por esse verdadeiro turbilhão da história, nele se dissolvendo como uma espécie de bagaço cujo sumo fora entregue para a nova garapa de onde sairia o melaço que, fermentado e destilado, daria origem à nova sociedade. Literalmente nos embriagamos com tais visões; os mais ousados, os mais generosos até, chegaram a ofertar suas vidas nessa espécie de embriaguez coletiva, uma vez que tudo era inevitável, e apocalipticamente a história socialista nos redimiria.
Foi um porre. Generoso, inesquecível, quem nele bebeu jamais se esquecerá. Mas foi um, afinal, um porre, de onde muitos, na ressaca, saíram arrependidos pela culatra de suas armas mentais, aderindo ao vai-da-valsa que se instalou quando o socialismo desabou no mundo inteiro, exceto em Cuba e em muitos corações e mentes sobreviventes.
Naquela leitura em que se via a história como um ciclone que tudo arrebatava e redimia, nos escaparam (a mim pelo menos) certas finuras do texto do Engels em que, revisitado anos depois, rebrilham com intenso e inusitado fulgor.
Assim em toda a primeira parte do texto, que líamos apenas como a cabal demonstração da pobre insuficiência dos proclamados “utópicos”, refulge hoje a comovente homenagem ética que Engels faz a Robert Owen, Charles Fourier e ao Conde Saint-Simon. Querendo demonstrar que eles não tinham condições materiais ou espirituais para imaginar a cientificidade do socialismo, Engels põe em destaque as extraordinárias pilastras éticas que levaram esses “precursores do marxismo” a enveredar pelos caminhos que escolheram, movidos pela generosidade, pelo espírito cívico, por acreditar de fato nos valores levantados pelas grandes revoluções européias dos séculos XVII e XVIII como patrimônio da humanidade, e não apenas como arrimo do assalto ao poder por uma determinada classe emergente, a burguesa.
Essa releitura hoje é obrigatória, tanto quanto a outra o era 40 ou 50 anos atrás. A cientificidade de índole positivista, grudada no marxismo como chicle na sola do sapato, caiu, junto com a inevitabilidade do rumo socialista. Derrubou-a não só a queda do Muro de Berlim e o desmembramento da União Soviética. Derrubou-a também a falência interna do mundo comunista na construção daquilo que seria a sua quintessência: o novo homem, o homem do futuro. O socialismo de resultados que emergiu da práxis do socialismo científico pariu ratos que hoje devoram, como máfias organizadas, o que restou entre os escombros dos sonhos mais generosos que a humanidade já ergueu e destruiu. Deu muita outra coisa também, é certo, pois sem aquele socialismo o nazi-fascismo não teria sido derrotado, e isso é apenas um exemplo. Sem sua alavanca Cuba não existiria, nem o povo vietnamita teria derrotado a maior potência imperial do mundo.
Mas hoje, a partir do arraso que contemplamos, aqueles primeiros “socialistas utópicos” nos lembram do compromisso ético (que Marx, Engels e tantos outros tinham) indispensável na construção de qualquer nova proposta socialista. Não se trata apenas de uma ética ou de uma questão acadêmicas. Olhemos para os horizontes. Que compromisso ético tinham os jovens que invadiram Mumbai na Índia, atirando a esmo?
Em que eles se diferenciam, do ponto de vista ético, dos adoradores do Mercado? É difícil dizer. Parece que nessa vala comum da destruição da política o único compromisso ético que interessa é aquele com a própria corporação. Na neblina contemporânea é difícil ver além do próprio nariz? Então façamos dele nosso farol, limite e também baluarte ético.
Como se posicionar diante dos acontecimentos na Tailândia, em que grupos se digladiavam misturando posições de um governo corrupto, de um exército que só não assalta de novo o poder porque caiu em descrédito e agentes avançados de um líder midiático, em cujas hostes pululavam desde reivindicações de puros favores pessoais até saudades da fanada monarquia?
A lista de perplexidades é longa, enquanto o tirocínio disponível é curto. É verdade que sob os escombros do socialismo ainda jaz a única esperança para que a humanidade não se destrua, como atesta a presente crise financeira que, mutatis mutandis ao revés, está prevista nas páginas do nosso opúsculo preferido, “Do socialismo utópico ao socialismo científico”. Mas o que jaz sob esses escombros é, sobretudo, a mensagem ética da construção de uma melhor página para a história humana, com suas contradições e limites. Por isso, fica o convite para se reler o livro de Engels, mas de fato dialeticamente, isto é de trás para diante mas também de diante para trás, para que nas contradições que o socialismo científico nos deixou como legado possamos encontrar o perdido, mas não desaparecido, veio da utopia socialista.

A concepção republicana de liberdade é muito exigente. Liberdade e igualdade são dois fatores indissociáveis. Hoje, grandes fortunas convivem com milhões de miseráveis. As desigualdades sociais são causa da falta de liberdade para milhões de pessoas. A proposta de uma renda básica universal não se reduz à invocação de um direito humano a uma subsistência mínima. Ela se baseia numa concepção de justiça que assegure a cada pessoa não apenas a possibilidade de consumir, mas também de escolher sua forma de vida.
A existência material garantida como condição de liberdade ou a justificação republicana (7)
Muitas são as diferenças que os autores republicanos – desde Aristóteles a Robespierre, desde Cícero a Marx, desde Marsilio de Padua a Adam Smith, desde Maquiavel a Kant (8) – apresentam entre si. Sejam quais forem as diferenças, todos eles compartilham ao menos duas convicções:
Ser livre significa não depender de outro particular para viver, não ser arbitrariamente violado por esse outro particular; quem depende de outro para viver não é livre. Quem não tem assegurado o “direito à existência” por carecer de propriedade não é sujeito de direito próprio – sui iuris -, vive à mercê dos outros e não é capaz de cultivar – e menos ainda de exercitar – a virtude cidadã; e o é assim porque esta dependência com respeito a outro particular o converte num sujeito de direito alheio, um alieni iuris, um “alienado”.
A liberdade republicana pode alcançar a muitos (democracia plebéia, como defendem os republicanos democráticos) ou a poucos (oligarquia plutocrática como defenderam os republicanos oligárquicos), mas sempre está fundada na propriedade e na independência material que dela deriva. E esta liberdade não poderia se manter se a propriedade estivesse tão desigual e polarizadamente distribuída, de modo que uns poucos particulares pudessem desafiar a república e lutar com êxito contra a cidadania para impor sua concepção de bem público. Quando a propriedade está distribuída muito desigualmente, há pouco espaço, se há algum, para a liberdade do resto, dos que estão dela privados.
A independência, a existência material, a base autônoma (aqui, expressões perfeitamente permutáveis) que a propriedade confere é condição indispensável para o exercício da liberdade. Recordemos que imediatamente depois de declarar, no artigo 17.1 que “toda pessoa tem direito à propriedade individual e coletivamente”, o artigo 17.2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 diz: “Ninguém será privado arbitrariamente de sua propriedade”. Também o artigo 17 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 dizia de forma meridiana: “Sendo a propriedade um direito inviolável e sagrado, ninguém pode ser dela privado, salvo quando a necessidade pública legalmente comprovada o exija de modo evidente, e sob a condição de uma justa e prévia indenização”. Aqui são decisivas as palavras “quando a necessidade pública legalmente comprovada o exija de modo evidente” (9).
Também a Constituição vigente do Reino de Espanha diz em seu artigo 33 de forma bastante similar: “1. Reconhece-se o direito à propriedade privada e à herança. 2. A função social desses direitos delimitará seu conteúdo, de acordo com as leis. 3. Ninguém poderá ser privado de seus bens e direitos, senão por causa justificada de utilidade pública ou interesse social, mediante a correspondente indenização e em conformidade com o disposto nas leis”. Partindo de pontos parecidos, alguns defensores republicanos da renda básica sugeriram a idéia de “universalizar a propriedade”. Universalizar a propriedade deve entender-se de forma metafórica. Não se trata literalmente de repartir a propriedade de um dado país, ou do mundo, entre os habitantes do país em questão, no primeiro caso, ou do mundo inteiro, no segundo. Universalizar a propriedade deve ser entendido aqui de forma equivalente a garantir a todos a existência material.
A instauração de uma renda básica suporia uma independência socioeconômica, uma base autônoma de existência muito maior que a atual para boa parte da cidadania, sobretudo para os setores mais vulneráveis da cidadania e mais dominados nas sociedades atuais (boa parte dos trabalhadores assalariados, pobres em geral, desempregados, mulheres, etc.). Em resumo, a introdução de uma renda básica faria com que a liberdade republicana, para alguns grupos de vulnerabilidade, vissem suas possibilidades alargadas. Vejamos isso mais de perto. Por grupo de vulnerabilidade aqui se vai entender aquele conjunto de pessoas que têm em comum serem suscetíveis à interferência arbitrária por parte de outros conjuntos de pessoas ou de alguma pessoa em particular.
da Carta Capital.
A análise é de Daniel Raventós.
Para o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor do Instituto de Economia da Unicamp, recusa do Banco Central em baixar os juros é a "reafirmação algo infantilizada de um princípio de independência que não hesita em colocar suas supostas prerrogativas à frente das prioridades da economia nacional num momento grave como esse". O BC, acrescenta, deveria ter uma ação enérgica para prover o crédito e impedir a passagem da crise financeira para uma crise da economia real. No início de 1967, observadores e alguns "experts" – categoria tão mal definida... – não previam um maior risco de retomada de um conflito armado entre árabes e israelenses. Era sabido que, desde 1964, a tensão não cessara de crescer em razão do "desvio" do rio Jordão por Israel e do "contra-desvio" de seus afluentes para a Síria, teoricamente apoiada pelo Líbano e pela Jordânia. Mas esses países haviam se limitado a fornecer um apoio verbal, e os bombardeios israelenses obrigaram Damasco a suspender o início das obras.
Era verdade, também, que a República Árabe Unida (RAU) [1] de Gamal Abdel Nasser e Israel dedicavam-se a uma corrida armamentista que pesava consideravelmente sobre suas economias. Mas tudo levava a crer que os israelenses superestimavam publicamente a ameaça egípcia, com o intuito de obter suas primeiras remessas importantes de material de guerra norte-americano e uma garantia de segurança, em caso de ataque árabe.
A evidente superioridade militar de Israel e a divisão reinante no mundo árabe, em plena guerra fria, entre "progressistas" e "conservadores" (reacionários, segundo os progressistas), levam os "experts" a julgar que, segundo a fórmula consagrada, se a paz era impossível, a guerra parecia improvável.
texto completo em: http://diplo.uol.com.br/2007-06,a1589
No século 16, na maior parte das regiões da África subsaariana, existiam cidades de tamanho considerável para a época (de 60 mil a 140 mil habitantes ou mais), aldeias grandes (de mil a 10 mil habitantes), parte de reinos e impérios notavelmente organizados, territórios de habitat disperso denso. É isso que revelam os vestígios e escavações arqueológicas, bem como as fontes escritas, tanto externas (árabes e européias, anteriores a meados do século 17) como internas (autóctones, escritas em árabe, língua da religião, ou no latim da Europa). A agricultura, criação de animais, caça, pesca, artesanato muito diversificado (tecidos, metais, cerâmica etc.), navegação fluvial e lacustre, comércio local e distante, com moedas específicas, eram bem desenvolvidos e ativos.
O nível intelectual e espiritual era análogo ao do Norte da África na mesma época. O grande viajante árabe do século 14, Ibn Battuta, louva a segurança e a justiça encontrada no império do Mali. Antes da utilização de armas de fogo, o comércio árabe permanecia secundário em relação à atividade econômica e ao volume da população. Leão, o Africano (início do século 16), menciona que o rei de Bornu (região chadiana) organizava apenas uma expedição por ano para capturar escravos [1].
A partir do século 16, a situação modifica-se radicalmente. Os portugueses penetram ao sul da foz do rio Congo, conquistam Angola, destróem os principais portos da costa oriental e alcançam o atual território de Moçambique. Os marroquinos atacam o império songai, que resiste durante nove anos. Os agressores dispõem de armas de fogo; os subsaarianos, não. Milhares de habitantes são mortos ou capturados e condenados à escravidão. Os vencedores se apossam de tudo: homens, animais, provisões, objetos preciosos e o que mais possam pegar.
Reinos e impérios são pulverizados em principados — levados a guerrear com freqüência cada vez maior, a fim de ter prisioneiros que possam ser trocados, principalmente por fuzis, indispensáveis na defesa e no ataque. Populações são deslocadas — provocando novos choques, campos de refugiados, a propagação de um estado de guerra latente até o coração do continente. As investidas militares multiplicam-se, ao ponto de atingir, no nordeste da África Central do início do século 19, o número de 80 por ano, segundo o erudito tunisiano Mohamed el Tounsy, que viajou por Darfur e Ouaddaï (atual Chade) nessa época [2]. A porcentagem de cativos em relação ao conjunto da população aumenta continuamente, entre o século 17 e o fim do 19. “Distritos outrora densamente povoados foram reconquistados pelo mato” ou pela floresta [3].
texto completo em: http://diplo.uol.com.br/2007-11,a1992.
Os palestinos nunca estiveram tão divididos e fracos como após os combates fratricidas do último verão em Gaza. Os conflitos internos minam a solidariedade internacional, reduzem a pressão sobre os ocupantes israelenses e transformam os territórios palestinos em um barril de pólvora capaz de explodir a qualquer momento.
O Hamas acusa o Fatah de ter conspirado contra seu governo, às vezes com a cumplicidade de Israel. O Fatah denuncia a incapacidade do partido islâmico de governar eficazmente e seu “golpe violento”, de junho de 2007, contra a presidência e a Constituição. Os independentes criticam os dois movimentos por colocarem seus interesses de facção acima do interesse nacional.
Pouco depois da assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, fui testemunha de acusações recíprocas durante uma mesa-redonda sobre o futuro da Palestina, da qual tomava parte um número significativo de dirigentes e militantes da Intifada. Para minha surpresa, o espírito de camaradagem e união que reinou ao longo das primeiras horas deu lugar a uma confrontação verbal a partir do momento em que os anfitriões anunciaram que os soldados israelenses havia evacuado a base e que o toque de recolher seria suspenso naquela mesma noite.
Os líderes do Fatah ameaçaram quem quer que criasse obstáculos para sua tentativa de transformar um processo de paz, cujas imperfeições reconheciam, no processo de construção de um Estado. Os representantes do Hamas, por sua vez, exprimiam suas dúvidas e desconfianças em relação a uma via diplomática injusta cujo futuro era, de saída, pouco promissor.
Ainda que todos esses argumentos tivessem sua parcela de verdade, o Fatah e o Hamas, como o restante do povo palestino, foram desde o início, mais do que ninguém, as vítimas de um acordo que prometia liberdade e união, mas que gerou desesperança e divisão, ao encerrá-los em uma política de soma zero, na qual o sucesso de uma facção depende do fracasso da outra.
texto completo em http://diplo.uol.com.br/2007-11,a1996
Por Redação [Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008 às 17:28hs], Revista Fórum
Na sequência da morte de um jovem de 15 anos, assassinado pela polícia, estão a verificar-se na Grécia os maiores protestos sociais dos últimos 20 anos. Sábado e Domingo grupos de jovens manifestaram-se em revolta contra a polícia, que intervém violentamente.
Nesta segunda - feira, 8, aconteceram diversas manifestações, os professores universitários convocaram greve de três dias e na quarta-feira, 10, está convocado pelos sindicatos uma greve geral.
O assassinato a tiro pela polícia do jovem Andréas Grigoropoulos de 15 anos provocou uma imensa revolta juvenil na Grécia.
Durante o fim de semana jovens enfrentaram a polícia, que intervém sempre violentamente, queimaram carros e partiram montras de lojas. A juventude do Siriza, coligação de partidos de esquerda, denuncia que: "Durante anos a policia grega foi deixada sem qualquer regulamentação e controle apesar das inúmeras acusações de detenção e tortura de jovens, trabalhadores e imigrantes".
Nesta segunda, 8, aconteceram diversas manifestações nas cidades gregas, convocadas por partidos de esquerda. Os professores universitários convocaram uma greve de três dias para protestar contra as circunstâncias da morte do jovem assassinado pela polícia. 15 pessoas ocuparam o consulado grego em Berlim e colocaram uma faixa com a frase "O Estado assassina".
Toda a oposição critica e denuncia o governo pela responsabilidade no assassinato do jovem e pela política que tem agravado as desigualdades sociais. As sondagens apontam que se houvessem eleições neste momento, o partido do governo, Nova Democracia - direita, teria apenas cerca de 20%.
Os ataques terroristas de Mumbai faziam parte de uma operação cuidadosamente planeada e coordenada que envolvia várias equipes de pistoleiros experimentados e treinados.Os ataques de Mumbai são descritos como "o 11/Setembro da Índia".
Eles foram executados simultaneamente em vários locais, a poucos minutos uns dos outros.
O primeiro alvo foi o átrio principal da Estação Ferroviária Chatrapati Shivaji de Mumbai, onde pistoleiros dispararam indiscriminadamente sobre a multidão de passageiros. Os pistoleiros "saíram a seguir da estação e penetraram em edifícios vizinhos", incluindo o Hospital Cama".
Ataques de grupos separados de grupos de pistoleiros tiveram lugar em dois hotéis de luxo de Mumbai – o Oberoi-Trident e o Taj Mahal Palace, localizado no centro da área turística, nas proximidades do monumento "Gateway of India".
Os pistoleiros também abriram fogo sobre o Café Leopold, um restaurante fino na área turística. O terceiro alvo foi o Nariman House, um centro de negócios que aloja o Centro Judeu de Mumbai, Chabad Lubavitch. Seis reféns, incluindo o rabi e sua esposa, foram mortos.
O aeroporto interno em Santa Cruz, o Metro Adlabs com vários pisos e o Estaleiro Mazgaon também foram alvejados.
"Os ataques verificaram-se nos lugares mais ocupados. Além de hotéis e hospitais, os terroristas atacaram estações ferroviárias, o Crawford Market, Wadi Bunder e a Auto-estrada Ocidental próxima ao aeroporto. Foram atacados sete lugares com armas automáticas e granadas. ( Times of India, 26/Novembro/2008),
Tropas indianas cercaram os hotéis. Foram enviados comandos das Forças Especiais Indianas para enfrentar os terroristas. Testemunhas nos hotéis disseram que os pistoleiros estavam a separar pessoas com passaportes estado-unidenses e britânicos.
As baixas, segundo relatos, ultrapassam os 150 mortos. A maior parte deles eram indianos, muitos dos quais morreram no ataque à estação ferroviária de Chhatrapati Shivaji.
Pelo menos 22 estrangeiros foram mortos nos ataques. Catorze oficiais da polícia, incluindo o chefe do esquadrão anti-terror, foram mortos nos ataques.
por Michel Chossudovsky
A questão essencial é que estão sendo ocupadas pela urbanização, à vista e com o beneplácito oficial, áreas que por suas condições geológicas jamais poderiam ser utilizadas para tal fim. Pior, estão sendo ocupadas utilizando-se de expedientes técnicos (desmatamento, cortes, aterros, disposição viária) totalmente contra-indicados para tais situações. A análise é do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos.
Finalmente, sobre este pano de fundo de deve e pode calcular o impacto da nova crise econômica mundial. Será prolongado e deverá atingir todas estas "zonas de fratura", acentuando suas tendências mais perversas. Por isto, neste momento, apesar de que se fale muito de economia, existe um outro fantasma que ronda o mundo e assusta mais os seus dirigentes: o fantasma das rebeliões. (Carta Capital)Com características de escravidão, mão-de-obra carcerária nos presídios privatizados do país é barata até para padrões chineses
Memélia Moreira
de Orlando (EUA)
Quando se pensava que o sistema capitalista havia esgotado todas as suas formas de exploração, descobre-se mais uma: o uso da mão-de-obra carcerária nos presídios privatizados. Essa mão-de-obra, que tem características de escravidão, é barata até mesmo para os padrões chineses. Sem direitos trabalhistas e cuja e única forma de protesto é a rebelião, é largamente usada nos Estados Unidos, país campeão mundial de presídios no mundo, com 8.700 unidades espalhadas dentro do território, além dos 17 cárceres flutuantes, nos navios de guerra da Marinha dos EUA. E mais ainda com as inúmeras prisões em suas bases militares, sendo Guantánamo a mais notória de todas.
E há presídios para todos os gostos. Públicos e privatizados, onde se registram os mais ignominiosos desrespeitos contra os direitos humanos. Diga-se de passagem, o Brasil vem adotando, quase em surdina esse mesmo sistema de prisões privatazads, num drible à Constituição e sob o rótulo de "PPP" (parcerias público-privadas). Em janeiro deste ano, o governo de Pernambuco abriu licitação para construir mais um cárcere privatizado. Desta vez, em Itaquitinga. E outros estão em pleno funcionamento nos Estados de São Paulo, Bahia, Minas e Ceará.
Em 19 de novembro, quando o Brasil comemorava o Dia da Bandeira, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Chenney, um dos homens que mais lucra com a guerra do Iraque, e o ex-procurador geral, Alberto Gonzalez, eram notificados pelo tribunal de Willacy, condado no Estado do Texas, perto da fronteira com o México, para se defenderem da acusação de "atividades do crime organizado relacionado ao abuso de detentos em prisões privadas".
O chamado, generosamente, de "abuso" são torturas contra presos que se recusam a se submeter às regras trabalhistas dos presídios. E a tortura contra presos, assunto muito debatido na campanha presidencial, é crime previsto na 8ª emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Os leitores estão livres para comparar Chenney e Gonzalez a Joseph Mengel ou Goebbels. Não a Hitler porque o criador do nazismo gostava de música. Chenney e Gonzalez não têm o menor interesse pelas artes e defendem abertamente a tortura, a pena de morte e qualquer outro método que atente contra a dignidade humana. Gonzalez, que sempre assessorou o presidente George W, Bush, quando procurador do Texas, o Estado bateu recordes de condenações à morte.
8.700 presídios
Com uma população de pouco mais de 300 milhões de habitantes, os EUA mantém nos seus 8.700 presídios 2,5 milhões de presidiários dentro do seu território. Isto é, bem mais presos do que os países de grandes populações. Mas o número total de prisioneiros sob a responsabilidade do governo dos Estados Unidos é um segredo.
A estatística é desconhecida não apenas por causa das prisões clandestinas dos navios mas, principalmente porque o governo dos EUA não informa quantos prisioneiros mantém nas bases militares. Argumentam com a velha frase "questões de segurança". Os números portanto, cobrem apenas os presos dentro do território, incluindo Havaí e Alaska. Quantos em em Abu-Ghraib? Ou em Guantánamo? Talvez só mesmo o Departamento de Defesa saiba responder. Mas, mesmo assim, não deixa de ser impressionante o fato de que há 750 presos para cada cem mil estadunidenses. O percentual é assustador quando se sabe que na Inglaterra são 148 para cada cem mil, na França 85, na Líbia 217 e na China, 119.
Prisão típica
Nada que lembre os depósitos de presos dos cárceres brasileiros. Numa prisão típica, oito pessoas por cela já é considerada superlotação. As celas das prisões-modelo medem 2,5 m por 1,8 m e contam com uma cama de metal, pia e vaso sanitário. Algumas chegam ao "luxo" de ter janelas com vista para fora do presídio.
Mas isso não significa que todos os presídios obedeçam os mesmos parâmetros. A mais temida e odiada prisão dos Estados Unidos é a de Sing-Sing, localizada no luxuoso condado de Westchester, a 40 km de Nova York e onde o ex-presidente Bill Clinton comprou uma casa. Lá, de acordo com relatório da organização não governamental Human Rights Watch – que recentemente foi expulsa da Venezuela depois de uma polêmica com o presidente Hugo Chávez – "proliferam ratos, baratas e aranhas venenosas".
No item "alimentação", a ONG que é vista com suspeitas não apenas por Chávez mas, também pelo Departamento de Estado dos EUA, denuncia a "falta de higiene" das refeições oferecidas, causa principal de muitas das rebeliões que já agitaram e continuam agitando os presídios do país.
Para completar o quadro de horrores apresentados pela Human Rights Watch, essa organização jogou na cara da sociedade estadunidense a notícia sobre a disseminação da tortura contra os presos, não apenas contra os chamados "terroristas" presos no Iraque, Afeganistão e em Guantánamo mas, dentro dos Etsados Unidos. Sem se referir especificamente a essa denúncia, o presidente eleito Barack Obama se comprometeu a mandar investigar a veracidade da informação tão logo tome posse. (Leia mais na edição 301 do Brasil de Fato).