Reflexões

"Instruí-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo.

Organizai-vos, porque carecemos de toda a vossa força".
(Palavra de ordem da revista L'Ordine Nuovo, que teve Gramsci entre seus fundadores)

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abril 30, 2008

PT e PSDB há algo em comum?

Sim, e como há. Um implementou a reeleição para o poder executivo (PSDB) e o outro está "vendendo" a idéia de um terceiro mandato. O poder, para os despreparados, cega-os diante da possibilidade de continuidade. Com Fernando Henrique e Luis Inácio aconteceu. O poder ofuscou a capacidade de governar e ambos foram atraídos pelo jogo político das velhas raposas que possuem o poder de fato. Nesse jogo, hoje, essas siglas políticas, pois não possuem mais nada além disso, estão jogando as cartas em coligações que unificam o discurso, além das políticas liberais desenvolvidas tanto por FHC quanto por Lula. Há uma possibilidade de alianças desses partidos em 200 municípios brasileiros. Além da capital mineira, Belo Horizonte.
As disputas no congresso e no senado procura iludir o eleitorado de que há uma oposição consistente de projetos para o Brasil, mas fica nisso. O projeto que essas siglas desenham para o Brasil é o de deboche para o Brasil, pois não querem efetivamente por fim aos "propinodutos" existentes. Isso significa deixar de financiar a acumulação capitalista com dinheiro público. É priorizar o capital produtivo, enquadrando o capital financeiros aos ditames do Estado. É fazer do Banco Central uma instituição do Estado, que controla o jogo financeiro e não ser controlado por ele. Sem mencionar a saúde, reforma agrária, educação, transporte etc, que ambas as siglas tiveram um discurso arrebatadores. Esses desafios essas siglas não querem fazer.

abril 29, 2008

Apartheid: espaço negro é discriminado e vigiado na Virada Cultural

Entre tantos confetes despejados pela mídia para a Virada Cultural - principalmente pelo fato do Poder Público mobilizar sua estrutura para criar um "simulacro" de paz no degradado centro de São Paulo, permitindo que a classe média possa passear
tranquilamente nas ruas cotidianamente ocupadas por mendigos, trombadinhas, prostitutas, vendedores de crack e outros párias - não passaram despercebidas
as atitudes racistas da organização do evento para quem freqüentou o espaço destinado à apresentação dos grupos de hip-hop e black music. Dentro da filosofia de segmentação dos espaços de acordo com os ritmos apresentados, a organização da
Virada Cultural "segregou" o hip-hop e a black music para um local mais distante do centro, a Praça Cívica do Parque D. Pedro, atrás da antiga sede da prefeitura,
o Palácio das Indústrias. O local é de acesso difícil e fica mais distante da maioria dos espaços centrais onde aconteceram outras apresentações. Os freqüentadores deste espaço na Virada, além de enfrentarem a distância, ainda passaram pelo constrangimento da ação ostensiva da Polícia Militar que mobilizou o seu maior contigente para este local e ainda praticaram atos que não se verificaram em outros espaços, como uma rigorosa revista em bolsas, sacolas e no próprio corpo, tanto em homens como em mulheres. A entrada de cervejas e refrigerantes em lata foi proibida (ao contrário de outros locais, onde a venda de bebidas era livre). O rapper Rappin' Hood afirmou: "Estamos sitiados". Para Thaíde, "a localização do palco é uma forma de demonstrar o preconceito". Estas duas declarações foram publicadas na matéria Rappers reclamam de revista da polícia e do local do palco publicada na Folha de S. Paulo de 28 de abril, na página E-5. Na mesma página, a Folha de S. Paulo dá destaque para uma ação policial que impediu a apresentação de um
grupo francês de dança no largo Santa Ifigênia. Esta mesma matéria é iniciada da seguinte forma: Foco de atenção da última Virada Cultural com o show dos Racionais MC's na praça da Sé - que terminou em pancadaria entre policiais e espectadores - o hip hop ficou longe do núcleo da festa nesta edição do ano. O que se infere desta abertura da matéria é que a discriminação deu-se por conta de uma visão
construída, a partir da generalização de um fato particular, de que show de rap é um risco e, portanto, deve ser segregado e colocado sob rígida vigilância. A
lembrança ao episódio do ano passado que envolveu os Racionais também é lembrada na matéria sobre o problema com o grupo francês de dança, com
destaque inclusive no "olho" (O secretário municipal de cultura … disse que a ferida de 2007 ainda estrá aberta). Traduzindo: o fato que ocorreu no show dos Racionais
no ano passado prejudicou, em primeiro lugar (seguindo a hierarquia estabelecida pelo jornal em termos de destaque) a apresentação do grupo francês de dança e também foi responsável pelo constrangimento a que tiveram que passar os fãs de hip-hop e black music neste ano. A culpa é dos pretos pobres que impedem que se civilize a cultura e o centro de São Paulo degradado pelos párias (prostitutas, mendigos, "crackeiros", bêbados). No palco do samba, na Santa Ifigênia, durante a
apresentação do Quinteto em Branco e Preto no domingo à tarde, um grupo de jovens, brancos e de classe média, se divertia fumando cigarros e cigarros
de maconha, bebendo latas e latas de cerveja e outras bebidas alcóolicas, apresentando-se totalmente tontos e prestes a cair em cima de pessoas - atitudes quesocialmente são justificadas pelo visual "hippie" e pela permissividade de comportamentos quando estes são praticados por pessoas da classe média
branca em espaços negros. Nenhuma crítica moralista nisto, mas nota-se com os fatos que o inverso não é verdadeiro. Ou será que jovens negros podem ficar alterados com bebidas e drogas na apresentação, por exemplo, de um grupo de dança francês?


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por,

Dennis de Oliveira é professor da Escola de Comunicações e Artes da
USP, jornalista, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, presidente do Celacc (Centro de Estudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação) e membro do Neinb (Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro). E-mail:
dennisoliveira@uol.com.br

O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil (III)

A Rede Globo consegue mudar até o fuso horário do Brasil.

O Brasil inteiro dormia e acordava inocente da necessidade premente de o Acre, o Pará e mais algumas dezenas de municípios do Amazonas mudarem seu fuso horário. Mas foi só as emissoras de TV (à frente a hegemônica Rede Globo) terem que adequar sua programação aos fusos horários do país, respeitando a classificação indicativa, para que a necessidade de uma mudança geral acontecesse.

Veja bem, esse fuso horário foi adotado em 1913, mas só agora, quase cem anos depois, após ameaças da Rede Globo de apenas transmitir em VT os jogos de futebol para aqueles estados da região Norte, descobre-se que ele prejudica atividades econômicas, tem mau hálito e chulé.

O presidente Lula sancionou na última quinta-feira o projeto de lei do senador petista Tião Viana, lá do Acre, que diminui em uma hora o fuso daquela região, em relação a Brasília. Com isso, descobrimos que há quase cem anos eles são prejudicados, pois agora o novo fuso lhes vai proporcionar economia de energia, integração de transportes e facilitará as transações econômicas com os demais estados. Parece piada.

O Altino Machado, nosso blogueiro acreano, postou uma foto da capital, Rio Branco, no novo horário em que as crianças sairão para as escolas e os trabalhadores para o trabalho. Clique aqui para vê-la. É um breu. Mesmo assim o presidente assinou o projeto que entrará em vigor daqui a 60 dias, para alegria da Globo.

Por isso reproduzo a seguir trechos de uma postagem de junho do ano passado:

As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.

(...)... Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.

do blog do Mello

abril 27, 2008

Komíves Kelemenné - Folclore hungaro, relata a trágica história da Senhora Kelemen, dona de casa do mestre-pedreiro Kelemen.

Contam que seu marido e outros onde pedreiros, encantados pelo "alto preço de alqueires de prata e ouro", são contratados para erigir a grande fortaleza de Déva, mas não conseguem porque...
o que eles constroem até o meio dia, desmorona no fim da tarde, o que eles constroem até o fim da tarde, cai pela manhã...
Para resolver o problema, eles fazem uma lei a que solenemente todos decidem se submeter: a primeira esposa a chegar será queimada e suas cinzas serão misturadas à cal, para obtenção de uma argamassa indestrutível com a qual deverão erguer a grande fortaleza.
Acontece que a Senhora Kelemen é a primeira a partir para Déva em sua finíssima carruagem puxada por quatro lindos cavalos baios. A maio-caminho, o cocheiro lhe implora para deixá-lo voltar, dizendo que em sonho tivera uma premonição, e vira o filhinho dela cair e morrer no fundo do poço que havia no meio do pátio de sua casa. A senhora o faz calar, com palavras a que ele não poderia replicar:
segue, cocheiro, a carruagem não é tua, os cavalos não são teus, apressa-os!
Ao aproximarem-se de Déva, o mestre-pedereiro os reconhece de longe, pedindo a Deus para detê-los com um raio na estrada bem diante da carruagem, para que os cavalos se assustem e dêem a volta ou, se isso não funcionar, para quebrar as pernas dos quatro cavalos, de modo que não conseguissem chegar... Tudo em vão. A senhora Kelemen chega e os doze pedreiros lhe contam com as palavras muito suaves o destino cruel a que não poderia escapar. Ela os chama de "doze assassinos," inclusive seu próprio marido, e pede que esperem que vá até sua casa e volte, para despedir-se de "minhas amigas e do meu lindo filhinho...
Ao voltar, os homens a queimam e utilizam suas cinzas para fazer a argamassa forte e conseguem erguer a altíssima fortaleza de Déva, recebendo o prometido "rico pagamento em alqueires de prata e ouro". Quando a fortaleza fica pronta e o mestre-pedreiro Kelemen volta para casa, o filho não pára de perguntar pela mãe ausente. Depois de usar muitas evasivas, no final o pai tem de contar ao menino que sua mãe está enterrada entre as pedras da fortaleza de Déva. Em desespero, o filho vai até a fortaleza no alto da montanha e grita três vezes:
Mãe, doce mãe, fala comigo outra vez!
A mãe responde e a balada termina assim:
Não posso falar contigo! O peso das pedras me cala!
Estou emparedada e enterrada nessas pedras tão pesadas...
O coração dela então se partiu e com isso a terra se abriu, o menino caiu no fundo e ali foi enterrado.
Publicado por István Mészáros, no livro ára Além do Capital

abril 26, 2008

As marcas maringaenses

Iguatemi e Floriano são duas marcas de Maringá, no sentido medieval da palavra. Os candidatos a prefeitos precisam estar presentes nessas marcas, pois existem enorme potencial eleitoral nelas. Construir uma identidade em Marcas, para que é de fora não é fácil e, geralmente, algumas lideranças no interior das marcas, já estão comprometidas com algum candidato a prefeito. O caso mais presente é o de Silvio II, com a família Bravim dando-lhes crédito político em Floriano, o que é muito significativo em retorno eleitoral. João Ivo, Wilson Quenteiro, Enio Verri etc precisam construir seus elos de ligação política com as marcas, para a conquista do poder. Fidelidade eleitoral se conquista com compromisso público. O resto é cooptação eleitoral.

As sombras do PT

Ganhar a qualquer preço, esse é o PT de hoje. Quem viu as críticas que o PT fazia ao PCB e PC do B nas alianças partidárias percebem que estão repetindo tudo o que esses partidos faziam, ou seja, alianças para ganhar o poder e não governar dentro de seus princípios. Em Belo Horizonte o PT, quer, a todo custo, aliançar-se com o PSBD... tem sentido? vale a pena? Aos eleitores ficam as dúvidas, o que acontece no Senado e no Congresso Nacional, ao vivo e a cores, é uma encenação do PSDB?.
Em Maringá, Enio e Adriano vão disputar as prévias do partido. Será? Enio já não está candidato de fato? Essas prévias não seria uma encenação do partido para se dizer que é democrático? Se a corrente majoritária tem o controle do partido, tudo indica que Adriano faz parte do jogo político posto pelo PT, para tentar governar Maringá, pela segunda vez. As cartas estão sendo jogadas na mesa com precisão cirúrgica, para não serem surpreendidos no jogo político.,

abril 25, 2008

VI Seminário do Trabalho: trabalho, economia e educação

26 de maio de 2008, segunda-feira 10h00 Reunião da RET - Rede de Estudos do Trabalho 13h30 Exibição do Filme "Eles não usam Black-Tie"(de Leon Hirszman) 15h30 Projeto Tela Crítica Tema: Trabalho e Lutas Sociais no Brasil Análise do Filme: "Eles não usam Black-Tie", de Leon Hirzmann Expositor: Giovanni Alves (UNESP) Debatedor: Marco Aurélio Santana (UFRJ) 19h30 Solenidade de Abertura Lançamento de Livros Lançamento da RETALC Rede de Estudos do Trabalho da América Latina e Caribe 20h00 Conferência de Abertura Tema: Trabalho e Economia: Perspectivas do Capitalismo no Brasil Dr. Marcio Pochmann - UNICAMP - Brasil 27 de maio de 2008, terça-feira 09h00 Tema: Trabalho e Formação Humana Dr. Marcos Cassim (USP) Dra. Maria Ciavatta (UFRJ) Dra. Maria Sylvia Bueno (UNESP) 14h00 Sessão de Comunicações 19h30 Tema: Dimensões do Trabalho no século XXI Dra. Ursula Huws (London Metropolitan University) - Inglaterra Dr. Adrian Sotelo Valencia (UNAM) - México Dr. José Meneleu Neto (UECE/PMF) - Brasil 28 de maio de 2008, quarta-feira 09h00 Tema: A situação do trabalho no capitalismo global Dra. Luisa Veloso (CIES) - Portugal Dr. Guo Zhiwen (Universidade de Hubei)- China Dr. Julio Neffa (PIETT-CONICETT- Argentina) Dr. Elisio do Estanque - (Universidade de Coimbra-Portugal) 14h00 Sessão de Comunicações 19h00 Tema: Trabalho, Formação e Lutas Sociais no Brasil Jô Portilho (Formação Sindical/Sindicato dos Bancários - RJ) Volnei Rosalen (Formação Sindical/SINTRAJUSC - SC) Representante da Área de Educação/DIEESE/SP Dr. José dos Santos Souza (UFRRJ) 29 de maio de 2008, quinta-feira 09h00 Tema: Trabalho, Educação e Alienação Dr. José Claudinei Lombardi - Histedbr/Unicamp Dr. Jorge Luis Cammarano Gonzalez - UNISO Dr. Paulo Tumolo - UFSC 14h00 Mini-Curso 1 - Trabalho e Educação) Dr. Celso João Ferretti (Uniso) Mini-Curso 2 - Métodos e Técnicas de Pesquisa na Área de Trabalho Dra. Claudia Mazzei Nogueira (UFSC) Mini-Curso 3 - Trabalho e movimentos sociais no Brasil Dr. Ariovaldo Santos (UEL) Sessão de Depoimentos OPT - Observatório da Precarização do Trabalho Comissão de Fábrica da Mercedes-Benz (SBC-SP-Brasil) 19h00 Tema: A situação do trabalho no Brasil Dr. Ricardo Antunes (UNICAMP) Dr. Iram Jácome Rodrigues (USP) Dr. José Dari Krein (UNICAMP-CESIT) 30 de maio de 2008, sexta-feira 09h00 Mini-Curso 1 - Trabalho e Educação) Dr. Fernando Casadei Salles (UNISO) Mini-Curso 2 - Métodos e Técnicas de Pesquisa na Área de Trabalho Dr. João Bosco Feitosa dos Santos (UECE) Mini-Curso 3 - Trabalho e movimentos sociais no Brasil Dr. Edilson Graciolli (UFU) 14h00 Mini-Curso 1 - Trabalho e Educação) Dr. Domingos Leite Lima Filho (UTFPR) Mini-Curso 2 - Métodos e Técnicas de Pesquisa na Área de Trabalho Dra. Simone Wolff (UEL) Mini-Curso 3 - Trabalho e movimentos sociais no Brasil Dr. Antonio Thomaz Jr. (UNESP) 19h00 Vídeo documentário e lutas sociais no Brasil Dr. José Roberto Novaes (UFRJ) Dr. Giovanni Alves (UNESP) Lançamento de vídeos Lançamento Oficial do Projeto TelaTrabalho/Oficina Tela Crítica de Video

abril 21, 2008

Criminalização do movimento sindical

Rio de Janeiro, 20/04/2008 - Há uma preocupante criminalização dos movimentos sindicais no Brasil. Juízes, promotores e advogados que atuam na área da Justiça do Trabalho já começam a se mobilizar para combater o problema. "Há um sentimento generalizado de que todo trabalhador é inimigo", alerta Cezar Britto, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Num longo elenco de causas prováveis ele destaca as mudanças no perfil social dos juízes, "filhos da elite" e oriundos de uma geração que, acuada pela violência, viveu de "portas fechadas" e, de um modo geral, só identificam como trabalhadores as empregadas domésticas que os servem.

É possível perceber que o ponto de inflexão disso ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso e, mais precisamente, durante o julgamento da greve dos petroleiros de maio de 1995, liderada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). Os petroleiros buscavam o cumprimento de acordo de reajuste assumido pelo presidente Itamar Franco.

Além da violência repressiva empregada pelo governo FHC, as decisões legais contra os petroleiros foram tão arbitrárias, ilegítimas, que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) condenou o Brasil por atentado às organizações sindicais.

A OAB, a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho preparam, em ritmo acelerado, um seminário sobre atos anti-sindicais.

A reação à flexibilização da legislação trabalhista - que precisa, sim, ser atualizada - pode ser feroz se os movimentos sindicais perceberem que ela pode se tornar um "cavalo de tróia" para mudanças que desfigurem direitos adquiridos há décadas.

"O trabalho não pode ser visto como mero custo de produção", alerta Cezar Britto.

As decisões da Justiça do Trabalho aumentam as suspeitas nessa direção. Casos recolhidos pelo presidente da OAB consolidam as desconfianças. "Ao contrário da Justiça comum, em que as partes em conflito são consideradas iguais, a natureza da Justiça trabalhista é de proteção ao trabalhador", explica Britto.

As decisões da Justiça do Trabalho têm sido piores do que as que eram tomadas pela Justiça comum. Há casos inacreditáveis. A mais expressiva talvez seja uma decisão de Goiás. O juiz, em face da não interrupção de uma greve de funcionários públicos, descarregou uma multa de 100 mil reais nas costas do presidente do sindicato. Enfim, criminalizou um indivíduo por ato coletivo.

No plano dos absurdos, essa história se aproxima do feito do desenhista que fez a quadratura do círculo. A única diferença é que a história do desenhista é uma invenção. (A reportagem é de Mauricio Dias e foi publicada na Revista Carta Capital.)

Centrais matam 1° de maio

As centrais sindicais mataram o 1° de maio. Dia de luta e de luto da classe trabalhadora, nas mãos do peleguismo foi transformado em dia festivo. A história do 1° de maio não deveria ser banalizado pelos representantes da classe trabalhadora, pois torna as bandeiras de luta sem sentido e leva a classe trabalhadora a uma total desmobilização, como podemos ver hoje.
Fazer sorteios de casa, carro, viagens... destrói a personalidade de classe e despersonifica o movimento de luta pela superação do trabalho assalariado. Criar outra relação de trabalho, fora dos marcos do capitalismo, deveria ser as estratégias de luta das centrais, pois as sociedades são históricas e transitórias. O marco da legalidade, que as centrais conquistaram, é o terreno do direito, e as levaram a abandonar as lutas de classe. A CUT é um exemplo disso, abandonou o programa de fundação, que tinha princípios revolucionários. A legalização das centrais foi uma cooptação do movimento sindical, como parte da estratégia burguesa, pela manutenção da subsunção do trabalho ao capital, pois a ação das centrais ficam dentro da legalidade do Estado, que é reacionário e conservador.
Viva os trabalhadores que não se curvaram diante as centrais pelegas.

abril 20, 2008

Partido e Radicalidade: o jogo político

"O órgão mais impotante de representação das forças sociais do trabalho e das forças de emancipação será aquele que for mais radical, aquele que tocar nas nossas questões vitais".
"O que é ser um partido político distinto? hoje, é ter alma extra-parlamentar. É não pagar qualquer preço por uma eleição. Se esta for a linha do PSOL, nós vamos repetir mais cedo a tragédia do PT".
Pensamentos de Ricardo Antunes

Radicalizar a democracia

O quadro político em Maringá não aponta para uma radicalidade democrática. As "esquerdas" perderam prestígio com o "jeito petista de governar", pois os movimentos sociais grevistas foram repremidos e muitos foram anulados com o PT na administração municipal. A encruzilhada está posta, inclusive para o PSOL, que carrega a dissidência do PT. A construção da radicalidade política tem que estar no projeto da esquerda, se quiser conquistar o poder. Para a burguesia, conforme escreveu o camarada Plinio de Arruda Sampaio, a eleição serve a quatro grandes propósitos: "legitimar sua dominação; atenuar o conflito entre suas facções; dividir o campo popular e dificultar a organização dos partidos do povo". Na tentativa de se efetivar essas linhas pragmáticas, a burguesia abre brechas para que a esquerda organizada conquiste seu espaço na esfera política. Nas cidades, a esquerda não pode propor um programa socialista, pois não existem condições para tal fim. Ela precisa se comprometer com os setores populares para radicalizar a participação popular na materialização do orçamento do município. Não da forma como foram realizados os orçamentos participativos do "jeito petista de governar". Nesse sentido, é preciso conseguir avançar na leitura dos problemas que a cidade enfrenta feita pelos explorados para se conseguir governar com o apoio de todos. Radizaliar a democracia passa a ser palavra de ordem para a esquerda hoje.

Arte Africana - Máscaras






As máscaras sempre foram protagonistas indiscutíveis da arte africana.

Para os africanos, a máscara representava um disfarce místico com o qual poderiam absorver forças mágicas dos espíritos e assim utilizá-las na cura de doentes, em rituais fúnebres, cerimônias de iniciação, casamentos e nascimentos.
do blog Arte Moderna

abril 19, 2008

As novas facetas da violência no campo

Por Nina Fideles, 17/04/2008.

Há 12 anos, 19 companheiros Sem Terra foram assassinados pela Polícia Militar do estado do Pará, no conhecido Massacre de Eldorado dos Carajás. Após dois anos, no mesmo estado, os companheiros Fusquinha e Doutor também foram vítimas da violência do latifúndio. No dia 30 de março, o trabalhador rural Eli Dallemole, 42 anos, foi executado dentro de sua própria casa no Paraná. Meses antes, Valmir Mota de Oliveira, o Keno, foi morto em ataque de empresa de segurança privada contratada pela transnacional Syngenta. E podemos citar tantos outros: Felisburgo, Unaí, Corumbiara, Camarazal...

A violência do latifúndio tem se manifestado ao longo dos anos com suas diversas facetas. A presença das empresas transnacionais e a utilização cada vez mais freqüente de milícias armadas colocam novos elementos na luta pela Reforma Agrária. Desde 2005, foram mortos 18 companheiros do MST e 87 foram presos. Estudo da Secretaria Especial de Direitos Humanos apontou que em todos os estados onde estamos organizados têm militantes ameaçados de morte.

É o mais moderno do agronegócio, para a acumulação do capital, e o mais arcaico do latifúndio. Em entrevista ao Jornal Sem Terra, o advogado da Terra de Direitos, Darci Frigo, nos fala mais sobre estes novos elementos e o papel do Poder Judiciário.

Para presidente de Itaipu, Paraguai terá "casa da moeda" com hidrelétrica

A usina hidrelétrica que garante o abastecimento de quase um quarto de toda a energia consumida no Brasil, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, Itaipu é tema central na eleição para a presidência do Paraguai, que acontece neste domingo (20).

Por ano, a hidrelétrica produz, em media, 90 GWh. O Brasil e o país vizinho contraíram uma dívida de US$ 30 bilhões até concluir a obra na década de 80. Hoje, a Itaipu Binacional, com duas turbinas além das 18 previstas no projeto original, tem valor estimado em US$ 60 bilhões. Metade para cada país.

A divida de Itaipu deve ser quitada até 2022. Este ano, a estimativa é de que US$ 2,3 bilhões arrecadados com a venda da energia elétrica sejam destinados para amortização da dívida e pagamento de juros.

Favorito na corrida presidencial paraguaia, o ex-bispo católico Fernando Lugo, propôs a revisão do Tratado de Itaipu, assinado em 1973, que obriga o Paraguai a vender para o Brasil toda a energia que não é consumida no país, o equivalente a 90% da produção paraguaia.

Itaipu garante o abastecimento de energia para 95% do território paraguaio. Lugo quer vender energia para outros países e melhores preços. Se eleito, ameaça levar o caso para tribunais internacionais.

Já o ex-general Lino Oviedo e Blanca Ovelar, representante do Partido Colorado, sigla que comanda o país há 60 anos, têm um discurso mais moderado, mas querem analisar melhor o Tratado.

Ex-deputado federal pelo PT do Paraná e escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, para comandar a metade brasileira de Itaipu, Jorge Miguel Samek, afirmou em entrevista ao UOL que a chance de o tratado ser revisado é "zero" e que o Paraguai não tem do que reclamar. "O tratado é justo e correto", diz.

Para o petista, o pleito paraguaio é um "sofisma". "O Paraguai é o único país da América que não terá problemas com energia até 2050", afirma. "Quando terminar de pagar a dívida em 2022, eles vão estar sentados sobre uma casa da moeda", argumenta.
por, Diogo Pinheiro. Enviado especial do UOL Em Ciudad del Este

abril 18, 2008

Abril vermelho


O MST desencadeiou mais um abril vermelho. O que os motiva a isso? temos certeza que é a letargia do governo em resolver os problemas da terra no Brasil. A radicalização do movimento se torna imperativo para acordar o governo, que vive extasiado com o etanol e os "poços" de petróleo. Governo e sociedade precisam acordar para o problema do desabastecimento de alimentos nas cidades, o que põe em risco a democracia no Brasil. Realizar a reforma agrária é um ato de soberania alimentar do país, pois a latifundio, por vezes, planta cana e soja ou cria gado, para o mercado internacional, o que traz divisas para o país, mas o mantém refém quando se trata de alimentos.

Nesse momento, parece que só o MST está acordado para os graves problemas que o Brasil possa enfrentar com a falta de alimentos. Se a bolha explodir quem segurará?

Esta na hora da sociedade compreender que somente uma reforma agrária radical poderá assegurar a produtividade de alimentos no país. Uma reforma agrária que cria padrões de propriedade e de produção de alimentos e promova uma rotatividade de culturas. A reforma agrária interessa à sociedade.

Portanto, saudamos o MST, o "iluminismo" desse processo histórico.

Roda viva

por Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas rodas do meu coração...(4x)

abril 15, 2008

O aborto dos outros

Por, Ruth de Aquino
12/04/2008 - 13:34 | Edição nº 517 , Revista Época

É injusto, ineficaz e criminoso submeter uma mulher a risco de morte ou prisão por abortar

É tudo verdade. Um milhão e 54 mil mulheres abortam por ano no Brasil. Cerca de 250 mil sofrem complicações em abortos clandestinos. Há sobreviventes que são algemadas, interrogadas, detidas. Essas são todas pobres. Não fazem parte do universo dos leitores desta revista. O drama das brasileiras que decidem interromper a gravidez, legalmente ou não, é exposto num documentário sensível e revelador da paulista Carla Gallo, de 34 anos. São 72 minutos de respiração ofegante, diante do choro silencioso de personagens reais que se entregam à câmera honesta de Carla.
O filme O Aborto dos Outros é uma ultra-sonografia da alma feminina, no momento delicado em que elas decidem não ter o filho. Uma menina de 13 anos, estuprada a caminho da escola, é a primeira personagem, com 19 semanas de gravidez. No quarto do hospital, ela desenha casas e árvores com sol. O rosto não é mostrado. Mas estão na tela as espinhas adolescentes, as pernas com pêlos e machucados infantis, as mãos nervosas que tiram e botam o anel. A mãe chora: "Minha filha está amparada pela lei, mas sei que Deus é contra isso". No Brasil, o aborto só é legal em casos de estupro ou risco de morte da mãe. A menina fica enjoada com as contrações induzidas pelos médicos. Escorre uma lágrima dos olhos escuros e assustados. Ela quer se livrar logo de tudo.
"O filme não poderia ser menos triste, mais leve, já que é a favor da legalização do aborto?", pergunta um espectador à diretora do documentário, logo após a exibição no festival É Tudo Verdade, no Rio de Janeiro. Carla fica pensando em como poderia fazer um filme feliz sobre essas histórias. Impossível. "Nunca é totalmente tranqüilo para as mulheres", diz. "Sempre existe certa dose de dor e conflito." Não há homens acompanhando as mulheres no filme. "A ausência deles é importante. Elas estão sozinhas nessa hora. O aborto é uma questão feminina", afirma Carla.
O filme toma posição clara ao entrevistar médicos e juízes a favor da descriminalização. Como exemplo de hipocrisia, Carla cita um vídeo de 30 segundos do Ipas, organização pela saúde de mulheres (assista abaixo). Na rua em São Paulo, pedestres são abordados. Você é contra ou a favor do aborto? Contra, dizem todos. Você conhece alguém que já fez aborto? Sim. Você acha que essa pessoa deveria ser presa? Todos emudecem.
"É como se eu tivesse levantado um tapete", diz Carla. A platéia fica chocada com a proximidade, intimidade e franqueza dos depoimentos. Uma mulher obteve autorização judicial para interromper a gravidez aos seis meses porque o feto tinha duas anomalias letais, e não sobreviveria 24 horas. "Eu queria deixar nascer por causa da religião, mas ia ser mais triste, não? Ver ele nascer e deixar para trás...". Outra diz que abortou por desespero. "Nem fiz a faxina, peguei o trem para casa, tomei remédio, fiquei deitada até a bolsa d'água estourar, sangrou, sangrou, até sair tudo, fiquei gelada. Acho que morri e voltei porque, para Deus, não era a minha hora. Fui denunciada por uma conhecida. Fiquei uma semana algemada no hospital."
Caso de polícia, religião ou saúde pública? O ginecologista Jefferson Drezett, entrevistado no filme, calcula que 70 mil mulheres morram por ano no mundo em decorrência de abortos inseguros. Uma a cada sete minutos. Na semana passada, o papa Bento XVI disse no Vaticano que "aborto é culpa grave".

Filme mostra o drama de
1 milhão de brasileiras
por ano
É injusto, ineficaz e criminoso submeter mulheres a risco de morte e prisão por abortar. Os países desenvolvidos – entre eles a terra que abriga o Vaticano, a Itália – têm aborto legal e políticas muito mais eficientes de planejamento familiar. A maternidade desejada, consciente e amparada é uma bênção para os filhos.
Imaginei como Carla Gallo deve ter se exaurido ao filmar O Aborto dos Outros. "Chorei durante toda a filmagem", diz ela.
Existem filmes que, quando terminam, pregam você à poltrona. Os créditos passam, mas não os vemos. É porque as cenas mais fortes voltam à mente em desordem cronológica.
Eu fiz aborto. Não me orgulho, nem me arrependo.

Conflitos e mortes caem, mas sobe nº de trabalhadores explorados no campo, diz CPT

Por, Claudia Andrade, Em Brasília

Relatório divulgado nesta terça-feira pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) registra 1.538 conflitos no ano passado, queda de 7% em relação aos 1.657 casos em 2006. Foi a segunda queda anual consecutiva, depois de seis anos seguidos de crescimento anual no número de conflitos (de 2000 a 2005). O número de mortes no campo também caiu: foram 28 no ano passado, o número mais baixo desde 2001.

O número de trabalhadores explorados subiu de 6.930, em 2006, para 8.635, no ano passado. O crescimento foi maior na Região Sudeste, onde o número passou de 279 para 705. A região concentra as maiores lavouras de cana no país.

Fonte: UOL

Luta de classes no campo

CONFLITOS NO CAMPO
(Fonte: CPT)
ANO


1995
TOTAL
CONFLITOS

554
MORTES


41
1996 750 54
1997 736 30
1998 1100 47
1999 983 27
2000 660 21
2001 880 29
2002 925 43
2003 1690 73
2004 1801 39
2005 1881 38
2006 1657 39
2007 1538 28

abril 14, 2008

A Cultura pede socorro

Convoco todos a lutar para impedirmos este erro:
Imaginem um site (lugar) onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos.
Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar (de graça) músicas em MP3 de alta qualidade...
Pois esse lugar existe!
O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br
Só de literatura portuguesa são 732 obras!
Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter isso, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.
Ao invés de divulgar o site, é mais barato eliminá-lo , é um absurdo !!!
Divulgue para o máximo de pessoas, www.dominiopublico.gov.br
A Cultura pede socorro .....

Guimarães: Lula ensino a demos e tucanos como fazer oposição.

Por André Lux [Sexta-Feira, 11 de Abril de 2008 às 17:53hs]

Esta semana, Lula deu uma declaração sobre a qual a oposição parece que refletiu. O presidente disse que o PSDB e o DEM estão "sem rumo" e que levarão "uma sova" nas urnas. Hoje, a oposição anunciou que na próxima segunda-feira haverá uma "reunião de cúpula", comandada por FHC e por Bornhausen, que tentará "refinar" a estratégia oposicionista.

Além dos caciques tucano e "democrata", reunir-se-ão Sérgio Guerra, presidente do PSDB, e os líderes Arthur Virgílio (Senado) e José Aníbal (Câmara). Pelo DEM, também irão ao encontro o presidente do partido, Rodrigo Maia, e os líderes José Agripino Maia (Senado) e ACM Neto (Câmara).

Até a mídia já admitiu que a oposição está "desnorteada" e que essa é a razão da "reunião de cúpula" da semana que vem. A falta de "norte" oposicionista, no entanto, constitui um inexplicável paradoxo. A oposição ao governo federal conta com uma das maiores máquinas de apoio político na imprensa que há em todo continente americano. Acredito que apoio dessa magnitude a partidos de oposição só se encontra hoje na Venezuela.

OIT 158 - O FIM DAS DEMISSÕES SEM JUSTA CAUSA

Tramita no Congresso Nacional, o projeto que, caso aprovado, ratifica a adesão do Brasil às convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Convenção 151 regulamenta a negociação coletiva no serviço público, enquanto a 158 restringe a demissão imotivada de trabalhadores.

Nos termos da Convenção 158, a dispensa arbitrária, sem causa justificada fica proibida. Caso haja esse tipo de demissão, o empregador fica obrigado à reintegração ou ao pagamento de uma indenização.

A Convenção 158 foi ratificada em 1996 no país, mas o então presidente Fernando Henrique Cardoso voltou atrás e a revogou por decreto. Agora, o próprio presidente Lula enviou ao Congresso pedido de ratificação da Convenção 158 da OIT, em fevereiro, com apoio das centrais sindicais.

Os argumentos contra a ratificação são os mesmo da época em que FHC voltou atrás: perda de competitividade internacional, burocratização da demissão, aumento de custos etc. Além disso, há o aspecto da confusão jurídica, devido às conflitantes decisões dos tribunais durante o curto espaço de tempo em que a medida vigorou no país. Tudo porque o artigo 7, inciso I da Constituição Federal afirma que a relação de emprego será protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de uma lei complementar. Só que a lei ainda não existe. Haveria então o risco de incosntitucionalidade da Convenção 158.

E você, leitor, o que acha? Que outros aspectos precisariam ser abordados em uma reportagem que tratasse a fundo a ratificação da Convenção 158 no Brasil?
Publicada na Revista Fórum

abril 11, 2008

O caso das 9.896 mulheres acusadas de terem abortado

O Estado tem o dever moral de defender as acusadas, já que lhes nega um procedimento médico seguro
Por, FÁTIMA OLIVEIRA, Médica

Lendo a reportagem "Juiz manda interrogar 10 mil mulheres por abortos no MS", relembrei palavras do senador uruguaio Enrico Rubio: "O dilema não é pelo aborto ou contra o aborto. O dilema é pela repressão como política ou pela despenalização como política, seguida de outras coisas. As interrupções da gravidez se realizam, dezenas de milhões, sem condenação coletiva, em todos os estratos sociais. Há um texto legal que está desautorizado pela prática concreta de nossa sociedade" (4.5.2004).
As versões. Em 3.4.2008, o juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri do Mato Grosso do Sul, Aloísio Pereira dos Santos, decidiu qualificar, interrogar e levar a julgamento 9.896 mulheres com prontuários médicos na Clínica de Planejamento Familiar, em Campo Grande, acusadas de terem abortado! Para o promotor de Justiça Paulo César dos Passos, "são pessoas arroladas em procedimentos abortivos considerados crimes entre 1999 e 2001, que devem ser qualificadas, interrogadas e, logicamente, se culpadas, indiciadas. A pressa é para evitar a prescrição do delito, que ocorre em oito anos". A delegada Regina Márcia Rodrigues Mota, que conduz o caso, declarou: "Estamos estudando a organização de uma força-tarefa para concluir os inquéritos e remetê-los à Justiça".
As 9.896 mulheres "caíram" numa "batida policial" na clínica, existente há 20 anos no centro de Campo Grande, de propriedade da médica Neide Mota Machado, onde todos os prontuários médicos sob guarda foram apreendidos. No Brasil, o prontuário médico é de propriedade das pessoas. Os serviços de saúde são apenas guardiães dele. Qual a legalidade que dá lastro à polícia, ao Ministério Público e à Justiça de apreender prontuários médicos sem que suas donas tenham dado anuência?
À época da cinematográfica e global "batida", havia uma romaria para saber quem constava na lista! O "vazamanto" dos nomes foi um dano à imagem, um julgamento e uma punição. Os prontuários médicos de 9.896 mulheres ficaram até 25.7.2007 à disposição do público. Indagado sobre a ética de liberar prontuários médicos para saciar a curiosidade pública, o juiz substituto da 2ª Vara, Júlio Roberto Siqueira, "afirmou tratar-se de uma situação normal a liberação para vistas ao processo, sem que isso signifique expor as pacientes. A Justiça não vê necessidade de manter o caso sob judice (em sigilo), tampouco as partes entraram com pedido para tanto. Qualquer pessoa pode ver o processo".
Mas o juiz recuou. Mudou o status do processo - a partir de 26.7.2007, só advogados das denunciadas podem acessar os documentos -, declarando que era grande o número de pessoas, principalmente homens, interessadas em saber os nomes das clientes! É surreal que pela suposta realização de um procedimento médico 9.896 mulheres tenham suas entranhas abertas à morbidez da curiosidade pública e cheguem a um Tribunal de Júri!
Em 10.4.2007, o "Jornal da Globo" veiculou um diálogo com uma funcionária da clínica e a médica Neide Mota Machado, que cobrava R$ 120 pela consulta e R$ 5.000 pelo aborto. Após a arquitetada "denúncia", houve a "batida" na clínica, cuja dona teve prisão preventiva decretada. Ficou foragida por 70 dias, quando foi presa. Hoje, responde ao processo em liberdade. O resto fica por conta da sanha persecutória de fundamentalistas religiosos às milhares de corajosas mulheres que, cotidianamente, desautorizam a ilegalidade e a criminalização do aborto, via desobediência civil, sem que governo e Estado brasileiros tenham coragem de defender a plenitude de seus direitos reprodutivos. O Estado tem o dever moral de defender as acusadas, já que lhes nega um procedimento médico seguro. É imoral que cruze os braços e silencie.
Publicado em: 08/04/2008
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=886&IdCanal=2&IdSubCanal=&IdNoticia=75667&IdTipoNoticia=1

Siderúrgica será reestatizada na Venezuela

O governo da Venezuela anunciou que irá reestatizar a companhia siderúrgica Ternium-Sidor por causa dos impasses nas negociações entre a empresa e seus trabalhadores. No último domingo (6), o presidente Hugo Chávez, advertiu que poderia intervir na empresa caso um novo contrato coletivo de trabalho não fosse acordado. A Ternium-Sidor é a maior indústria siderúrgica na região andina e foi privatizada em 1997, dois anos antes da chegada de Chávez ao governo.A empresa pertence ao consórcio argentino Techint que possui 60% de suas ações. Outros 20% são controlados pelo estado e os 20% restantes por trabalhadores e ex-trabalhadores da empresa. O vice-presidente da Venezuela, Ramón Carrizales, afirmou que o consórcio argentino será indenizado e que poderá continuar como acionista, porém, minoritário. O presidente do consórcio argentino, Paolo Rocca, enviou uma carta à Chávez pedindo uma solução construtiva para o conflito. Na carta, ele garantiu um aumento salarial de 130% aos trabalhadores, valor 13% superior ao salário proposto pelo sindicato. A reestatização já havia sido cogitada no ano passado, caso a companhia não modificasse sua política de exportação, passando a priorizar o abastecimento do mercado interno.Na madrugada desta quarta-feira (09), os trabalhadores já comemoravam a decisão do governo. Chávez pediu aos empregados que continuassem trabalhando normalmente.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.10/04/08

40 ANOS DO MAIO DE 1968: A POESIA ESTÁ NAS RUAS




A Câmara Municipal de Novo Hamburgo, através da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, promove nos dias 28, 29 e 30 de abril uma série de
atividades sobre os quarenta anos do Maio de 1968. Serão depoimentos de pessoas que viveram naquela época, palestras e debates com especialistas e também visitas guiadas a uma exposição especialmente montada para o evento, que contará, através de imagens, a história do ano de 1968 no Brasil e no mundo.

abril 08, 2008

Guerra Irregular Moderna: O Brasil tem guerilha

ISTOÉ entra na base da Liga dos Camponeses Pobres, um grupo armado com 20 acampamentos em três Estados, que tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia e cujas ações resultaram na morte de 22 pessoas no ano passado.
Leia em:
http://ex-petista1.blogspot.com/

De Jéssia para Isabella


Oi, Isabella.
Fiquei sabendo de sua morte. Fiquei imaginando como alguém pode pegar uma criança como você, maltratar, asfixiar e depois ainda atirar pela janela do apartamento. Nunca consegui entender essa crueldade humana. Acho até que nem humanos são. Por isso, acho até normal que tanta gente se interesse pela sua morte, embora grande parte goste mesmo de sensacionalismo ou apenas de ganhar audiência em seus programas. Queria lhe dizer que eu também já morri. Um dia, no assentamento que eu morava, tive que buscar água no canal de irrigação para o pessoal lá de casa. Era sempre assim. A gente não tinha água no assentamento e eu tinha que roubar uns 20 litros por dia para nossa família beber. Teve uns tempos que fui sem terra. No assentamento, eu e minha família éramos sem água. Então, um dia, quando eu estava roubando um balde de água no canal de quinze metros de altura, caí e morri. Gente como eu, os sem terrinha, não tem muito espaço na mídia. Quem sente nossa falta são apenas nossos pais e nossos amigos. É só no coração deles que deixamos algum vazio. De resto, viramos estatísticas. Sabe, a gente entra numa lista, mas ninguém conhece o rosto que está por detrás daquele número. São muitos que morrem aí por essas beiras de estrada, debaixo da lona preta, seja por um motivo ou por outro. Quando acontecem chacinas, as crianças também são mortas, assim como jovens e adultos. Mas a gente só busca ter um pedaço de terra, ter uma casa, poder estudar, ter os bens que todo mundo tem, como uma TV, uma geladeira e até mesmo um celular. Queremos também um Brasil justo e decente. Nem vamos falar dos adolescentes e crianças que morrem por arma de fogo, no tráfico, ou aqueles que morreram ainda na infância de dengue, fome, sede e outras misérias. O país onde nascemos ainda não é um lugar para gente. Nós duas sabemos bem. Pois é, agora estamos as duas do lado de cá. Já não temos distância, tempo, classe social, nem preconceitos a nos separar. Vamos nos encontrar e sair brincando por aí. O infinito é nosso limite.
por Roberto Malvezzi, Coordenador da CPT.
www.correiocidadania.com.br
www.cpt.org.br

abril 07, 2008

Luta de classes: Mulheres da Via Campesina Ocupam Stora Enso no RS - Parte 1/2

Mulheres da Via Campesina Ocupam Stora Enso no RS-Parte 2/2

Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam uma fazenda, em Rosário do Sul (RS), na manhã do dia 4 de março. A área pertence a uma empresa finlandesa e tem cerca de dois mil hectares e fica aproximadamente 400km de Porto Alegre. O grupo começou a fazer o corte de eucaliptos e o plantio de árvores nativas. Segundo a Via Campesina, a empresa não poderia ser proprietária de terras na faixa de 150 quilômetros da fronteira do Brasil com outros países, conforme a lei nº 6.634 de 1979.
Em nota, a Via Campesina informou que "plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar do estado, que está cada vez mais sem terra para produzir alimentos".No mesmo dia, a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, realizou a desocupação, ferindo militantes e separando 250 crianças que estavam no acampamento, segundo informações da Via Campesina.
Entre as feridas, estava a camponesa Maraísa Talaska Porto, que participou no dia 6, de uma audiência pública na Subcomissão Permanente de Defesa da Mulher no Senado. Ela apresentou aos parlamentares os ferimentos provocados por brigadianos gaúchos durante manifestação.
Redação Revista FÓRUM

Uma mentira

Até há pouco, as grandes mídias brindavam-nos, a cada dia, com números alegres acerca da luta internacional contra a pobreza. A pobreza estava a bater em retirada, ainda que os pobres, mal informados, não soubessem da boa notícia. Os burocratas mais bem pagos do planeta confessam agora que os mal informados eram eles. O Banco Mundial divulgou a atualização do seu International Comparison Program . Neste trabalho, participaram, juntamente com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Nações Unidas, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e outras instituições filantrópicas. Ali os peritos corrigem alguns errozinhos dos relatórios anteriores. Entre outras coisas, ficamos sabendo agora que os pobres mais pobres do mundo, os chamados "indigentes", somam 500 milhões mais do que os que apareciam nas estatísticas. Além disso, a nova informação afirma que os países pobres são mais pobres do que aquilo que diziam os números e que a sua desgraça piorou enquanto o Banco Mundial lhes vendia a pílula da felicidade do mercado livre. E como se isso fosse pouco, verifica-se que a desigualdade universal entre pobres e ricos havia sido mal medida e à escala planetária o abismo é ainda mais fundo que o do Brasil.
Outra mentira Ao mesmo tempo, um ex-vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, em trabalho conjunto com Linda Bilmes, investigou os custos da guerra do Iraque. O presidente George W. Bush havia anunciado que a guerra poderia custar, quando muito, 50 mil milhões de dólares, o que a primeira vista não parecia demasiado caro tratando-se da conquista de um país tão rico em petróleo. Eram números redondos, ou melhor, quadrados. A carnificina do Iraque dura há mais de cinco anos e, neste período, os Estados Unidos gastaram um bilhão de dólares matando civis inocentes. A partir das nuvens, as bombas matam sem saber quem. Sob a mortalha de fumaça, os mortos morrem sem saber por que. Aquele número de Bush chega para financiar apenas um trimestre de crimes e discursos. O número mentia, ao serviço desta guerra, nascida de uma mentira, que continua a mentir.
E mais outra mentira Quando todo o mundo já sabia que no Iraque não havia mais armas de destruição em massa do que as que utilizavam os seus invasores, a guerra continuou, ainda que houvessem esquecido os seus pretextos. Então, a 14 de dezembro de 2005, os jornalistas perguntar quantos iraquianos haviam morrido nos dois primeiros anos de guerra. E o presidente Bush falou do assunto pela primeira vez. Respondeu: “Uns 30 mil, mais ou menos”. E a seguir fez uma piada, confirmando o seu sempre oportuno humor. No ano seguinte, reiterou o número. Não esclareceu que os 30 mil referiam-se aos civis iraquianos cuja morte havia aparecido nos diários. O número real era muito maior, como ele bem sabia, porque a maioria das mortes não se publica, e bem sabia também que entre as vítimas havia muitos velhos e crianças. Essa foi a única informação proporcionada pelo governo dos Estados Unidos sobre a prática do tiro ao alvo contra os civis iraquianos. O país invasor só faz contas, detalhadas, dos seus soldados caídos. Os demais são inimigos, ou danos colaterais que não merecem ser contados. E, em todo caso, contá-los poderia ser perigoso: essa montanha de cadáveres poderia causar má impressão.
E uma verdade... Bush vivia seus primeiros tempos na presidência quando, a 27 de Julho de 2001, perguntou aos seus compatriotas: “Podem vocês imaginar um país que não fosse capaz de cultivar alimentos suficientes para alimentar a sua população? Seria uma nação exposta a pressões internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando falamos da agricultura americana, na realidade falamos de uma questão de segurança nacional”. Essa vez, o presidente não mentiu. Ele estava a defender os fabulosos subsídios que protegem o campo do seu país. "Agricultura americana" significava e significa "Agricultura dos Estados Unidos". Contudo, é o México, outro país americano, o que melhor ilustra os seus acertados conceitos. Desde que firmou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos, o México já não cultiva alimentos suficientes para as necessidades da sua população, é uma nação exposta a pressões internacionais e é uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave perigo: - atualmente o México compra aos Estados Unidos 10 mil milhões de dólares de alimentos que poderia produzir; - os subsídios protecionista tornam impossível a competição; - por esse andar, daqui a pouco a tortillas mexicanas continuarão a ser mexicanas pelas bocas que as comem, mas não pelo milho que as faz, importado, subsidiado e transgênico; - o tratado havia prometido prosperidade comercial, mas a carne humana, camponeses arruinados que emigram, é o principal produto mexicano de exportação. Há países que sabem defender-se. São poucos. Por isso são ricos. Há outros países treinados para trabalhar para a sua própria perdição.
São quase todos os demais. ________________________
Eduardo Galeano é jornalista e escritor uruguaio. O artigo foi originalmente publicado no jornal Pagina12 Tradução: Brunna Rosa
Eduardo Galeano

abril 05, 2008

Carta aberta ao presidente da república e à toda sociedade

A Associação Brasileira de Reforma Agrária vem a público denunciar mais um ato governamental que possibilitará o agravamento da devastação na Amazônia e a entrega de terras públicas aos interesses privados.
No dia 25 de março de 2008, sem que tenha havido o necessário debate com a sociedade, o governo federal publicou a MP 422, que altera a lei nº 8.666/93. Agora, com a assinatura desta MP, a alienação de imóveis públicos da União com dispensa de licitação, vai até 15 módulos fiscais. Dado que grande parte dos municípios da Amazônia Legal tem módulos fiscais de cerca de 100 hectares, a dispensa de licitação atingirá quase 1500 ha.
Este ato implicará no aumento da legalização da grilagem. Esta ação pública soma-se a outras no mesmo sentido, como é o caso da recente legislação que permitiu a concessão de florestas públicas para particulares e autorização da monocultura da cana-de-açúcar em terras "degradadas".
A MP 422, tal como outras políticas justificadas com base no interesse dos pobres, como é costume em nosso mundo agrário, vai beneficiar os grandes interesses econômicos, em especial o agronegócio, acelerando a devastação ambiental e prejudicando a população vítimado processo atual de transformação da agricultura.
A propósito, é importante informar à nação que o governo federal estará vendendo milhões de hectares de terras públicas na Amazônia, que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária, à demarcação de terras indígenas, quilombolas e ribeirinhas, e à criação de unidades de conservação ambiental.
PELA REVOGAÇÃO IMEDIATA DA MP 422 E PELO DEBATE PÚBLICO! AS TERRAS PÚBLICAS DO INCRA DEVEM SER DESTINADAS ÀREFORMA AGRÁRIA!
ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária

SEIS TESES DE V. LENIN SOBRE A REVOLUÇÃO.

I. A revolução é uma guerra: e a política é, de uma maneira geral, comparável à arte militar
II. Uma revolução política é também, e sobretudo, uma revolução social, uma mudança na situação das classes em que a sociedade se divide
III. Uma revolução é feita de uma série de batalhas; cabe ao partido de vanguarda fornecer em cada etapa uma palavra de ordem adaptada à sitação objetiva; cabe a ele reconhecer o momento oportuno para a insurreição
IV. Os grandes problemas da vida dos povos nunca são resolvidos
V. Os socialistas não devem renunciar à luta pelas reformas
VI. Na era das massas, a política começa onde se encotram milhões de homens, ou mesmo dezenas de milhões. Deslocamento tendencial dos focos da revolução para os países dominados

abril 04, 2008

E o PCB?

Bem, parece que o PCB maringaense conseguiu "rachar" a igreja Batista. Segundo um amigo, pastor da Igreja Presbiteriana, os membros da igreja se dividiram, pois os interesses religiosos estão se mesclando com os interesses políticos, o que põe em dúvida os princípios da Igreja. Viver para a fé ou viver para a política? Cabe aos membros da igreja decidirem o que querem, pois o livre arbítrio existe... mas, cá para nós, cristão em um partido ateu não é normal. O partido não será evangelizado, ali reina a ciência histórica, o comunismo como princípio de vida e, esses valores, não serão corrompidos pela direita cristã que está no diretório do partido hoje. O partidão é comunista, talvez os membros da igreja não sabem o seu significado e nem conhece o programa do partido.

Educação e cidadania?

Cidadania? para quem? Para aqueles que vão para a escola com o interesse de estudar não é. Para aqueles que, cotidianamente, são prejudicados pelos "vândalos", certamente não é. É preciso reconhecer que a "inclusão" está levando ao fracasso escolar de parcelas significativas de crianças e jovens, pois a violência que impera nas salas de aula não permitem uma boa aprendizagem. É preciso retornar ao princípio da ordem, de uma escola centrada em normas de convivência e os alunos devem se submeter às normas. Aqueles que são alunos, de fato, não podem continuar com aqueles que fazem da escola um mero ponto de encontro. É impossível aprender a viver juntos, pois a civilidade é movida por normas e a barbárie... bem a barbárie é isso que vivemos cotidianamente. Resgatar a escola da barbárie deveria ser o fundamento da sociedade, dentro de alguns anos, retornaremos ao trivium e ao quadrivium... princípios educacionais do período medieval, pois os que pensam a educação hoje estão levando-a a sua destruição. Barbárie ou civilização... a escolha é nossa.

Canto à liberdade

"E que as crianças cantem livres sobre os muros e ensinem sonhos aos que não sabem amar sem dor. E que o passado abre as portas do futuro, que não dormiu e amanheceu".
Taiguara

Martin Luther King: 40 anos de sua morte


Martin Luther King, pastor e ativista político estadunidense, foi um destacado lutador pelos direitos civis nos anos 60. Partindo do principio de uma campanha de não-violência e se inspirando em Gandhi, Martin Luther King se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964. No início da década de 60, King liderou uma série de protestos em diversas cidades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros locais públicos.
fonte: portal do servidor

abril 01, 2008

POLÍTICA ELEITORAL DO PCB PARA AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2008:

1 - As eleições de 2008 não são propriamente nacionais. Na realidade, são mais de 5.500 eleições municipais, onde não vigoram as regras da verticalização nacional das coligações. O fato de não estarem em jogo as eleições para Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados (Federais e Estaduais) paroquializa e pulveriza as eleições locais. No Brasil, as eleições municipais não são plebliscitárias. Não são claramente um confronto entre governo e oposição. O confronto é acima de tudo municipal, com algum peso estadual, em função da disputa para governador, que se dá dois anos depois. A agenda eleitoral é fundamentalmente municipal.

2 - Isto não significa afirmar que as eleições municipais não jogam qualquer papel nacional, mas reconhecer que o principal eixo político delas são os problemas locais. O caráter nacional das eleições municipais estará mais acentuado nas eleições das capitais. Quanto menor o Município, mais prevalecerá a lógica provincial, esmaecendo a relação entre os candidatos e os partidos, a coerência das coligações e a disputa ideológica.

3 - Apesar dos esforços do PCB pela manutenção da frente dos partidos de esquerda que se coligaram em 2006 (PCB, PSOL e PSTU), para além daquelas e de outras eleições, a frente dissolveu-se na prática, fazendo daquela experiência uma mera coligação eleitoral. Parte desses aliados tem uma visão "movimentista", privilegiando a unidade da esquerda apenas no ambiente do movimento de massas. Outra parte tem um viés fundamentalmente eleitoral, enfatizando a luta institucional.

4 - Estas visões, de parte significativa de nossos aliados principais, podem levar a uma diluição da frente de esquerda em 2008, na medida em que alguns tendem a ter como prioridade a afirmação partidária e outros os resultados eleitorais. Outros fatores podem conduzir à pulverização: já em 2006, houve Estados em que a frente de esquerda dividiu-se em duas e até três candidaturas próprias.

5 - Não obstante, devemos - sempre que possível - nos esforçar pela formação de coligações eleitorais na fronteira da frente de esquerda de oposição ao governo Lula, sobretudo nos municípios em que o caráter nacional da disputa seja mais marcado.

6 - Entretanto, pelas características das eleições municipais, podemos pontualmente participar de coligações mais amplas, desde que limitadas aos partidos com tradição no campo democrático e nas lutas populares, conforme definição do nosso XIII Congresso e desde que nossos objetivos prioritários possam ser contemplados.

7 -Nossos objetivos políticos prioritários, nas eleições de 2008, são marcar a identidade do PCB, divulgar nossas propostas políticas e consolidar lideranças regionais.

8 - Nossos objetivos eleitorais prioritários são, em primeiro lugar, a reeleição dos nossos atuais vereadores e, na medida do possível, a eleição de novos, quando coincidirem os seguintes fatores:

- existência de um partido real no Município, e não apenas cartorial;

- candidato com comprovada militância política e social, compatível com o ideário do PCB;

- real possibilidade de êxito eleitoral, que em geral dependerá de coligação nos moldes apontados no item 6.

9 - Nos municípios onde não haja possibilidade de êxito eleitoral, a regra será a apresentação de candidatos próprios, nas eleições majoritárias (prefeito) e/ou proporcionais (vereadores), podendo optar pela disputa em apenas uma das eleições.

10 - Finalmente, os Comitês Regionais devem deixar claro para os candidatos o significado coletivo das candidaturas e dos possíveis mandatos comunistas, as dificuldades que as condições desiguais da democracia burguesa nos impõem e a necessidade de os candidatos do PCB se valerem do processo eleitoral para divulgar nossa linha política e contribuir para a organização popular.

Rio de Janeiro, janeiro de 2008

COMITÊ CENTRAL DO PCB

Ilha das flores

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